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Conservadora e antiaborto: Amy Coney Barrett foi ratificada para a Suprema Corte dos EUA

O Senado ratificou a juíza indicada por Trump, que com isso marcou uma vitória a poucos dias da disputa eleitoral. Se altera a composição da Corte Suprema.

terça-feira 27 de outubro| Edição do dia

Foto: Oficial Casa Blanca / Shealah Craighead

Com 52 votos a favor e 48 contrários, o Senado estadunidense confirmou a nomeação da juíza Amy Coney Barrett à Suprema Corte.

O resultado mostrou que não houve fissuras entre os senadores em relação às linhas dos respectivos partidos políticos do regime estadunidense.

Amy Coney Barrett assumirá o cargo antes das eleições de 2 de novembro, o que significa uma vantagem para Trump no caso que a Suprema Corte intervenha na definição em algum estado, o que pode ser definidor na eleição pelo sistema colegiado de votação.

A candidata a vice-presidente pelos democratas, a senadora Kamala Harris, insistiu na ilegitimidade do processo no Senado de maioria republicana. "Hoje os republicanos negaram a vontade dos estadunidenses confirmando uma juíza na Suprema Corte através de um processo ilegítimo - todo um esforço para desmantelar a Lei de Saúde acessível e retirar a proteção médica de milhões com doenças preexistentes. Não esqueceremos isso.", tuitou a companheira de chapa de Joe Biden.

Se por um lado a nomeação de Barrett pode ser uma vantagem na disputa eleitoral, seu impacto é de mais longo prazo. Como assinalado pela analista Claudia Cinatti em uma coluna para este diário, "o interesse de Trump e do partido republicano que alinharam sem matizes a favor de Barrett, vai além do papel que poderá jogar a Corte Suprema na definição das próximas eleições. A chegada de Barret a Corte dará aos republicanos uma maioria de 6 a 3 durante talvez uma década, porque os juízes da Suprema Corte nos EUA são vitalícios e longevos. Essa é uma vantagem histórica dos conservadores, que deterão o controle do poder de estado que no esquema do ’check and balance’ tem a última palavra".

Efetivamente, a partir de 2 de novembro a Suprema Corte estadunidense terá uma maioria conservadora de dois terços. Barrett entra na vaga deixada por outra juíza considerada progressista, Ruth Ginsburg, que faleceu no dia 18 de setembro.

Mesmo que a bandeira do aborto legal se encontre no seu ponto mais alto nos últimos 20 anos, segundo um estudo do Pew Research Center, Amy Barrett favoreceu restrições no acesso ao aborto no tribunal no qual é juíza, e manifestou abertamente que suas crenças estão acima do cumprimento dos direitos reprodutivos vigentes.

A eleição de Barrett busca satisfazer às Igrejas que gozaram de enormes privilégios durante a presidência de Trump, como um repasse de 375 milhões em fundos federais para os locais de culto, um benefício que foi apoiado também pelos democratas no parlamento.

Barret oertence a People of Praise ("Povo de Louvor" em tradução literal), um grupo católico secreto com aspecto de seita sobre o qual foram reportadas condutas autoritárias. People of Praise se encarrega de coletar dinheiro com o qual financia diferentes projetos, entre os quais estão escolas que disseminam informações falsas sobre anticonceptivos, aborto e educação sexual.

Traduzido do site La Izquierda Diario, disponível em: Conservadora y antiaborto: Amy Coney Barrett fue ratificada para la Corte Suprema de EE. UU.




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