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ACESSO À UNIVERSIDADE

Conselho Universitário da USP decide hoje sobre política de cotas e acesso

Hoje, terça-feira (12/07/16), a reitoria da USP levará ao Conselho Universitário (C.O.) a votação sobre as formas de acesso à universidade. A USP foi obrigada a reconhecer que o vestibular é elitista depois de 10 anos mantendo o caráter elitista e excludente do seu vestibular, que limitava o acesso e definia o perfil dos seus ingressantes pela renda e classe social, e passou a implementar projetos de inclusão social.

terça-feira 12 de julho de 2016| Edição do dia

A partir de 2006 a USP iniciou o Programa de Inclusão Social da USP (INCLUSP) e seu Programa de Avaliação Seriada (PASUSP), que se resumia na adoção de um sistema de bonificação para estudantes oriundos de escola pública e auto-declarados pretos, pardos ou indígenas. Sem sucesso e sem nenhuma avaliação explícita dos motivos do fracasso desses Programas, a USP é surpreendida pela tardia aprovação federal da Lei das Cotas, instituída em 2012.

Como tentativa de responder à pressão nacional pela aplicação de cotas nas Universidades Estaduais Paulistas, em 2013 os Reitores da USP, UNESP e Unicamp tentaram aprovar o Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Público Paulista (PIMESP), um programa ainda mais excludente e de caráter racista, que exigia um nivelamento básico daqueles ingressantes que utilizassem do Programa como forma de acesso, reforçando o preconceito de que cotistas “prejudicariam a qualidade do ensino”. Esse Programa foi barrado com a ocupação da Reitoria da UNESP pelos seus estudantes e a pressão do movimento estudantil grevista da USP, após as mobilizações de junho de 2013, e contra a arcaica estrutura de poder da USP.

A USP adota em 2015, então, o ingresso também através do Sistema de Seleção Unificado (SiSU), no qual, à critério de cada Unidade da USP, seria separado um percentual de vagas para os melhores classificados na prova do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). A tentativa demagógica de utilizar do vestibular do ENEM como maneira de superar a exclusão social do elitista vestibular da Fundação Universitária para o Vestibular (FUVEST) mostrou sua falácia no ingresso de 2016, em que o número de estudantes oriundos de escola pública foi ainda menor do que nos anos anteriores.

O “novo” projeto que a Reitoria pretende aprovar no Conselho Universitário de hoje trás a escandalosa proposta de que apenas 3% de todas as vagas sejam destinadas a pretos, pardos e indígenas. O argumento declaradamente racista repetido à exaustão de que a adoção de cotas raciais “prejudicaria a qualidade do ensino” significa uma visão de que os negros e pobres seriam inferiores do ponto de vista de suas qualificações e, por isso, rebaixariam a qualidade do conjunto da instituição – mesmo com inúmeras pesquisas que demonstram que o desempenho e aproveitamento acadêmico dos cotistas se encontram muitas vezes acima da média.

Outro argumento comum é de que o problema não seria racial, mais sim um problema socioeconômico, se apoiando na teoria da democracia racial, já enormemente debatida e criticada nas próprias instituições acadêmicas, quanto mais dentro dos movimentos negros. Essa tentativa da Reitoria de se apoiar na teoria da democracia racial, busca esconder que a USP, desde a sua criação em 1934, foi uma Universidade criada para a elite branca paulista.

Os estudantes, professores e trabalhadores da USP, que defendem a adoção imediata de cotas raciais e o fim do vestibular, realizarão um ato durante a sessão do Conselho Universitário em repúdio a essa proposta ainda excludente de acesso. O Esquerda Diário acompanhará a sessão deste C.O., junto com o movimento de estudantes e trabalhadores.




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