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Conselho Deliberativo do HU da USP discute mudanças no Regimento do Hospital

quinta-feira 30 de janeiro| Edição do dia

Nem todos conhecem, mas acima do Superintendente, existe um órgão deliberativo no Hospital, responsável pelas principais decisões que dizem respeito ao dia-a-dia e ao futuro do Hospital Universitário e de seus trabalhadores, médicos e do seu ensino e atendimento.

Esse órgão é formado pelos Diretores das Unidades de Ensino que possuem alguma relação com o Hospital (Medicina, Enfermagem, Saúde Pública, Psicologia, Farmácia, Fofito e Odontologia), além de um representante dos estudantes, um representante da comunidade externa e um representante dos trabalhadores da USP.

A pouca representatividade de estudantes, trabalhadores e da comunidade externa expressam o intuito de manter as estruturas de poder da Universidade restrita sob a autoridade de poucos docentes titulares e seus interesses, muitas vezes, particulares, em prol de uma concepção de educação e saúde cada vez mais mercantilizada e privatizada. Essa prática antidemocrática se repete em todos os órgãos da USP, mas é escandaloso no Conselho Deliberativo do HU porque seu estatuto impede os trabalhadores do próprio hospital de serem representantes no Conselho.

Os trabalhadores do HU estão no cotidiano do trabalho garantindo o atendimento ao paciente e todo suporte a este atendimento, mas não podem decidir sobre a organização deste trabalho. Por repetidas vezes são implementadas rotinas que não fazem sentido ou dificultam o trabalho.

Também, há um descaso com o fornecimento de materiais adequados de trabalho, o que também atrapalham e geram doenças ocupacionais perfeitamente evitáveis. Quem realiza as tarefas todos os dias tem muito a contribuir na melhor organização do trabalho dentro do hospital, porque os trabalhadores não são meros executores de rotinas. Desde que o desmonte do HU se acelerou com as demissões via PIDV vivemos com a insegurança de saber como será o dia de amanhã, trabalhando cada dia às cegas, surgem muitas mudanças e boatos. Nada é debatido e decido com participação dos trabalhadores que mantém o hospital funcionando.

O mesmo acontece com os estudantes. Por diversas vezes manifestaram a insatisfação com o fechamento do PS que restringe os tipos de casos atendidos, com a falta de funcionários que também são parte do seu aprendizado. Os usuários também não estavam de acordo com o fechamento dos prontos-socorros adulto e infantil, nem da restrição ao atendimento de dependentes dos funcionários.

Os reais interesses dos trabalhadores, dos usuários e dos estudantes só poderão se expressar se estes setores puderem controlar a organização e o futuro do HU. Esses setores juntos são os únicos que podem colocar o em primeiro lugar o objetivo comum de ter saúde pública para todos, com atendimento e ensino de qualidade e condições dignas de trabalho.

O Conselho Deliberativo iniciou uma discussão para reformar seu regimento e é preciso seja feita aberta e amplamente com todos que compõem o HU, trabalhadores efetivos e terceirizados, estudantes e usuários. Não é possível aceitar não ter nem o mínimo direito de os trabalhadores do HU se elegerem para o CD e precisamos avançar para que todas as decisões sobre o HU estejam sobre controle dos trabalhadores, estudantes e usuários.

No dia 20 de janeiro, o superintendente baixou a Portaria n°1039 criando um “núcleo de inovação e sustentabilidade”, um nome bonito que esconde o objetivo de privatizar o HU através da captação de verba privada (por via da criação de fundos patrimoniais e fundações) e da entrega do HU aos planos as saúde privados. É para fazer isso que se mantém os trabalhadores longe do Conselho Deliberativo e do controle do HU e que se mantém o pronto-socorro fechado pra população. Essa portaria deve ser revogada imediatamente.

Veja também: Campanha em defesa do Hospital Universitário. Entenda porquê lutar por estes 5 pontos




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