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Conquistamos cotas! Quais os próximos passos da luta pelo acesso a universidade?

O DCE da USP propõe debater com os calouros os desafios para a universidade pública pós adesão de cotas parciais. Qual deverá ser a saída independente da juventude nessa etapa?"

quarta-feira 28 de fevereiro| Edição do dia

Dia 26 de Fevereiro começará mais um ano letivo na universidade de São Paulo, ainda considerada a melhor universidade da América Latina. Nessa primeira semana se inicia a Calourada, que é a semana de recepção dos ingressantes de 2018, das diversas mesas que a nova gestão do DCE, Nossa voz composta pelo PT, Levante Popular da Juventude e PCdoB, fará, uma delas terá o tema "Cotas na USP: Desafios da universidade pública" onde debaterá um avanço que a USP deu no semestre passado com a adoção de um sistema de cotas parciais, fruto da mobilização de estudantes e trabalhadores da universidade. O que saltou os olhos na lista de convidados para essa mesa que ocorrerá dia 28, no vão da FAU (Faculdade de arquitetura e Urbanismo) é que o DCE convidou o exprefeito de São Paulo Fernando Haddad e a Nova presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) Marianna Dias, que são duas personalidades que não moveram nenhuma batalha para adesão de cotas na USP, e não somaram forças em todo o processo de luta que levou a cabo esta conquista.

Apesar da adesão do princípio de cotas dentro da universidade, a USP continua sendo uma universidade elitizada, as cotas são uma conquista arrancada da reitoria e dos governos, para que o povo negro e pobre entre na universidade, no entanto a maioria dessa população que estão, por exemplo, na São Remo, periferia vizinha da universidade. Isto que mostra que é necessário que se tenha reserva de cotas PPI, porém essa medida ainda não deixará o ensino da universidade completamente democratizado, é necessário lutar por mais. A Luta por acesso na USP não acabou, como sugere a Mesa sobre cotas do DCE, está só começando, as populações negras e indígenas são maiorias na população, mas são minoria nas diversas universidades públicas que tem a adoção de cotas em seu vestibular, porque ainda existe uma enorme barreira elitista e racista que impede que os filhos dos trabalhadores adentrem o espaço da universidade pelas portas da frente que é o Vestibular. A luta por acesso passa por uma luta pela ampliação das cotas na USP e em todas as universidades públicas, construindo uma forte luta rumo ao fim do vestibular, este filtro social que impede com que a maioria dos jovens, negros e indígenas e filhos da classe trabalhadora estejam estudando na universidade, exigindo um ensino público e de qualidade para todos, lutando pela estatização de todas as universidades privadas, tirando-as das mãos dos tubarões do ensino, que lucram diariamente à custa da juventude trabalhadora que muitas vezes paga uma mensalidade igual ao seu salário. A conquista de cotas faz com que seja necessário também refletir em permanência estudantil para todos que vão entrar na universidade e precisam estudar, mas não tem condições, pois hoje as bolsas não suprem toda a demanda dos alunos, sendo que elas ainda vêm sofrendo cortes nos últimos anos, portanto é necessário a ampliação das bolsas e das moradias estudantis para que todos os estudantes tenham condições de permanecer. Não podemos aceitar o discurso do Reitor da USP de que: “não ampliará as bolsas porque a USP não é uma ONG", o DCE precisa estar organizando os estudantes para lutar por permanência estudantil dentro da USP, assim como também é tarefa da UNE em âmbito nacional organizar uma forte mobilização, travando a mesma luta nas outras universidades do país.

Uma conquista muito importante que os estudantes USP, que obrigaram a reitoria a dar o princípio de cotas, nesse momento em que temos um presidente golpista que tenta aplicar reformas para a classe trabalhadora que claramente prejudicará ainda mais o povo negro e a juventude negra que não terá emprego, para os negros sobram apenas o trabalho precário e tercerizado. Nas últimas semanas Temer, para tentar diminuir o foco na sua derrota com a reforma da previdência, faz uma intervenção federal no Rio de Janeiro, alegando ser para segurança da população, mas sabendo o caráter da polícia e do exército temos a certeza de que essa medida é para reprimir e aplicar ataques ainda maior no povo negro e pobre das periferias do Rio de Janeiro, sendo já um povo que mais sofre com uma das policias mais assassinas do país.

Não podemos esquecer que o próprio PT, de Hadad, abriu espaço para que o golpe e os ataques de Temer ocorressem, pois sua política de acordões acabou dando cada vez mais espaço para os golpistas em seu governo. E mesmo nos 13 anos de governo não conseguiram ampliar esse debate sobre acesso, inclusive enviando tropas para o Haiti aplicando um ataque enorme ao povo negro.

Por esse motivo dentro da universidade temos que debater sim os desafios para o povo negro e indígena, mas não podemos colocar o acesso à universidade como uma conquista completa, temos que debater muito ainda, o porque só pequena parcela dos filhos da classe trabalhadora conseguem furar o filtro social, que é o vestibular, e estão nas universidades e porque muitos não conseguem nem chegar nesse estágio. Não faz sentido o DCE da USP chamar Haddad e a Une que nada fizeram pela luta por cotas na universidade. A Une um exemplo de imobilismo e burocratização, que tem em sua diretoria majoritária a UJS, PT e o levante popular da juventude. Se o DCE que colar a UNE e o Haddad na mesa que seja para fazer um chamado a continuidade da luta por maior acessos as universidades públicas e por permanência. Não pode ser que a UNE se negue mais uma vez a estar ao lado dos estudantes nessa batalha.




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