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GREVE JORNALISTAS

Conquista dos trabalhadores do Correio Popular no julgamento de dissídio

Greve dos trabalhadores do Correio Popular é julgada legítima e empresa terá que pagar os direitos.

quinta-feira 10 de maio| Edição do dia

Foto: Marcia Quintanilha/SJSP

Os trabalhadores do Correio Popular de Campinas estavam em greve há quase três meses e tiveram uma importante conquista sobre a empresa Rede Anhanguera de Comunicação. No julgamento de dissídio, ocorrido nesta quarta dia 9, no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, o movimento grevista foi considerado legítimo e a RAC condenada por unanimidade à pagar sua grande dívida com os trabalhadores.

A greve dos trabalhadores do Correio Popular, jornal tradicional de Campinas, completou nesta quarta do julgamento seus 85 dias. Os trabalhadores reivindicavam pelo pagamento de seus salários atrasados (que inclusive foram parcelados nos últimos meses), também pelo pagamento do 13º salário de 2017, além dos direitos relativos às férias e ao FGTS, sendo que este último não foi depositado pela empresa desde o ano de 2014. A greve enfrentou esse que é um grande abuso da RAC contra os trabalhadores e seus direitos elementares. Sua reivindicação foi levada à Justiça por conta da recusa da empresa de pagar aos que trabalharam.

Os trabalhadores enfrentaram muitas semanas de resistência contra as arbitrariedades da RAC. A empresa chegou até mesmo a demitir uma trabalhadora ilegalmente durante a paralisação. Além disso, se manteve alheia às reivindicações feitas pelos trabalhadores, atacando-os ainda mais com a suspensão de seus vales alimentação e refeição, aumentando suas dificuldades financeiras com o objetivo de desmoralizar a greve. Essa é a cara da RAC, a mesma empresa que está metida no maior escândalo de corrupção da área da saúde de Campinas, onde a Organização Social Vitale desviou milhões do Hospital Ouro Verde. Nesse processo a RAC é investigada juntamente com o prefeito Jonas.

Em declaração ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo, o advogado que representou os grevistas no processo, Marcel Roberto Barbosa, afirmou que a vitória foi um marco na história da categoria, sendo que a paralisação dos jornalistas do Correio foi a maior da história dos jornalistas de São Paulo. Os trabalhadores persistiram e conseguiram ter seu movimento reconhecido como legítimo, uma importante conquista. A sentença aprovada por unanimidade pelos desembargadores prevê o pagamento de todos os salários, 13º, vales relativos aos meses que foram suspensos, regularização dos FGTS e também a reintegração da trabalhadora demitida ilegalmente. Tudo deve ser pago em até 5 dias após o acordo, sob pena de multa diária de R$ 500 por trabalhador caso haja descumprimento da empresa.

Esse é um passo significativo e os trabalhadores esperam que a RAC, que já veio de descumprimentos de acordos anteriores, haja como o determinado neste julgamento. Diante da atual situação nacional, onde a Justiça arbitra para favorecer os empresários e respaldar ataques profundos aos direitos trabalhistas e democráticos, os trabalhadores somente podem confiar em suas próprias forças e organização para garantir que suas conquistas sejam asseguradas.

Um membro do movimento grevista concluiu: "A vitória não foi apenas dos jornalistas grevistas, mas de uma categoria que ao longo dos anos vem se enfraquecendo e se submetendo aos mandos e desmandos dos patrões e das mazelas do mercado. É uma vitória também dos trabalhadores que vêm enfrentando a retirada de seus direitos. Espero que a greve possa servir para motivar os trabalhadores a reivindicar e lutar por seus direitos, pelo que é justo".

Atualização:

Em resposta aos trabalhadores, a RAC insiste em não reconhecer a legitimidade dos direitos dos grevistas e afirma não estar a par dessa decisão do TRT. Além disso, joga a responsabilidade na crise econômica para a situação que a categoria está sendo submetida injustamente.




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