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Conmebol adota modelo de partida única para lucrar, atacando torcedores e trabalhadores

A Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) anunciou na última terça-feira que as finais da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana, principais competições de futebol do continente, serão disputadas em partidas únicas a partir de 2019, assim como acontece na Europa. O Estádio Nacional de Santiago no Chile receberá a decisão da Copa Libertadores enquanto o Estádio Nacional de Lima no Peru receberá a decisão da Copa Sul-Americana.

quarta-feira 15 de agosto| Edição do dia

A justificativa da Conmebol para tal decisão é a de que as finais em partidas únicas gerarão mais recursos financeiros à entidade. Porém essa decisão beneficia somente a própria entidade, prejudicando principalmente os clubes sul-americanos pequenos, que em grande maioria vivem em dificuldades financeiras e que deixarão de arrecadar recursos por meio de bilheterias em seus estádios, além de prejudicar os torcedores, esses sim, os maiores prejudicados dessa decisão tomada pela Conmebol.

As decisões de copas em partidas únicas são tradicionais no futebol europeu e é esse o modelo que a Conmebol está implantando na América do Sul. Porém na Europa, as realidades sociais e de infraestrutura em transportes são bastante diferentes das que vivem os sul-americanos, enquanto na Europa um trabalhador recebe em média de 14.000,00 € por ano, cerca de R$ 60.000,00, o trabalhador na América do Sul, em países como o Brasil recebem cerca de R$ 16.000,00 por ano. É importante ressaltar que, apesar da condição de parte da classe trabalhadora aparentar ser "melhor", são países imperialistas, que comandam o mercado financeiro, com moedas hipervalorizadas na economia mundial, tornando difícil o comparativo com os trabalhadores latinos mais pobres. Além disso, há grande quantidade de imigrantes que desempenham trabalhos precarizados. A Alemanha e Espanha, por exemplo, são parte dos países imperialistas que para despejar a crise nas costas da classe trabalhadora, também utilizam da espoliação das semi-colonias, como o próprio Brasil.

Nesse contexto, o torcedor que quer estar presente para apoiar o seu clube de coração, caso ele chegue à finalíssima da Copa Libertadores em 2019, terá que desembolsar cerca de R$ 1.500,00 em passagens aéreas para a cidade de Santiago no Chile, comprando com bastante antecedência e sem ter a certeza de que seu clube estará na decisão ou encarar uma viagem de mais de dois dias de ônibus, enfrentando toda a diversidade climática presente no continente. Além de terem outros gastos como hospedagem e alimentação, despesas que certamente terão seus preços aumentados por conta da especulação capitalista. Gastos que recairão nas costas dos torcedores, que em grande maioria são trabalhadores mau remunerados e que comprometem parte de sua baixa remuneração para acompanhar o seu clube de coração.

Esse é mais um ataque dos dirigentes de futebol contra os torcedores e a classe trabalhadora, que na América do Sul ainda tem o futebol como uma de suas principais diversões. O fenômeno de modernização dos estádios e os aumentos nos preços dos ingressos que começou após a Copa do Mundo de futebol realizada no Brasil em 2014, contribui para afastar os torcedores mais pobres e seleciona um público elitista para frequentar os estádios.

Devemos combater o fenômeno da elitização do futebol e lutar para que ele volte a ser popular. O futebol ainda é um dos principais momentos de lazer da classe trabalhadora e o esporte deve ser acessível a todos sem que haja privilegiados, como tem feito a burguesia.




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