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CSP-CONLUTAS

Conlutas: a adaptação ao golpismo e à alta cúpula das centrais sindicais

Entre os dias 23 e 25 de novembro aconteceu em São Paulo a Reunião da Coordenação Nacional da Central Sindical e Popular – Conlutas.

terça-feira 27 de novembro| Edição do dia

Coordenação Nacional da Conlutas se reúne em São Paulo

Com delegados e representantes de diversos sindicatos, federações e movimentos sociais de todo país o primeiro dia se realizou um seminário com o tema "Formas de financiamento e auto sustentação das organizações sindicais”. No sábado, a reunião pautou pela manhã conjuntura nacional e no período da tarde "Confluência G20". Domingo, o último dia, foi destinado as votações das resoluções e moções, orientadoras da central para o próximo período.

Foi a primeira reunião da Coordenação Nacional da Conlutas pós vitória da extrema-direita nas últimas eleições, que levou Jair Bolsonaro a presidência. A importância de localizar e contextualizar o momento em que a reunião aconteceu é de saber os grandes desafios que a classe trabalhadora terá pela frente e, por tanto, a necessidade de uma orientação coerente para enfrentar os ataques ainda mais duros, inclusive a direitos democráticos básicos já conquistados, do próximo governo.

Um governo que se elegeu em um processo eleitoral manipulado e dirigido pelo judiciário autoritário, com a colaboração das Forças Armadas, que para sacramentar o golpe institucional de 2016 quis escolher a dedo o próximo presidente, com Alckmin como plano A, mas depois de seu fracasso com o próprio Bolsonaro, que tirará ainda mais os direitos e a qualidade de vida dos trabalhadores, em nome de manter e aprofundar os lucros capitalistas e os mandos e desmandos do imperialismo norte-americano no país. O trabalho bem feito do judiciário via STF e Lava Jato foi coroado com Moro sendo chamado para ocupar o comando de um superministério e diversos militares nomeados para altos cargos.

Duas primeiras grandes batalhas já se anunciaram para a classe trabalhadora, a Reforma da Previdência, que o governo Bolsonaro, ainda nem empossado, ensaiou aprovar já neste ano, junto com o atual governo golpista de Temer, e a ofensiva da extrema-direita para avançar com o projeto "Escola sem Partido" no Congresso Nacional, mas também nas câmaras locais, com o objetivo de já minar uma possível resistência da educação, que vem sendo ponta de lança nos processos de luta desde o golpe.

O PT segue cumprindo um papel criminoso de desarmar a classe trabalhadora para lutar contra a Reforma da Previdência e o Escola sem Partido, apostando apenas na estratégia parlamentar para desgastar Bolsonaro, assim como fez durante todo o golpe.

Por sua vez, as grandes centrais sindicais CUT, CTB, Força Sindical e Nova Central nada fazem nas inúmeras categorias que dirigem e aguardam pacientemente o momento de negociar com o governo uma reforma mais branda, como se fosse possível uma que preservasse o direito dos trabalhadores. Já a UGT se retirou do campo dos que ainda tentam suavizar os ataques para entrar diretamente no campo de apoio ao governo e da Reforma da Previdência, sinalizando que quer dialogar e colaborar para a implementação da reforma.

Pode te interessar a critica do Esquerda Diário sobre a reunião das centrais sindicais: Centrais sindicais se reúnem e não apontam nenhuma medida de luta contra a reforma da previdência

Conlutas reafirma sua política golpista e de adaptação as burocracias sindicais

Nesse contexto, o setor majoritário da central (PSTU) insiste em não reconhecer o golpe institucional de 2016 e rever a política levada a frente pela Conlutas, de "Fora Todos" em apoio ao impeachment de Dilma implementado pela Lava Jato de Moro e comandada diretamente de Washington, que joga pelos ares qualquer independência de classe que possa armar a população e segue sendo completamente inofensiva aos interesses imperialistas e capitalistas.

Veja fala de Marcello Pablito, trabalhador do bandejão da USP e do Nossa Classe:

Apesar de defenderem que existe de fato um avanço da extrema-direita, para o PSTU e a ala majoritária da Conlutas a situação do país e a eleição de Bolsonaro não se explicam pelo aprofundamento do golpe e o crescente autoritarismo do judiciário. E para justificar sua política absurda chegam a lógica de que existe um sentimento progressista antissistema dos trabalhadores ao votarem em Bolsonaro, como diretamente disse Zé Maria, dirigente histórico da corrente, no primeiro dia da reunião. Para a Conlutas a eleição de Bolsonaro é diretamente um segundo “Fora Todos”, o primeiro com o golpe e o segundo com a eleição de Bolsonaro, por significar um rechaço aos demais políticos.

De nada adianta para a Conlutas se reunir para pautar o G20 e protestar contra Trump, se no Brasil são incapazes de ter uma política anti-imperialista, por não se colocarem claramente contra o golpe e, consequentemente, contra os planos orquestrados pelo imperialismo dos EUA, que quer recuperar sua influência na América Latina, encabeçados no Brasil pela Lava Jato e o crescente autoritarismo do STF, que no último período prendeu de forma arbitrária o líder das pesquisas eleitorais e tirou o voto de 3 milhões de pessoas, com o argumento da biometria e assim eleger o mais funcional aos ajustes e ataques aos trabalhadores.

Além disso, a atuação acrítica da Conlutas em relação as centrais sindicais burocratizadas, que teve como seu auge a assinatura conjunta em um documento que defende um projeto alternativo de reforma da previdência, abre mão de disputar os setores de trabalhadores que hoje ainda são dirigidos pelas demais centrais, sendo conivente com o freio que é imposto a luta contra os ajustes e ataques, ao se negarem a fazer qualquer delimitação e crítica a esta política nefasta levada à frente pelas centrais sindicais em nome da chamada “unidade".

A atuação do Movimento Nossa Classe

Por isso, o Movimento Nossa Classe nos três dias de reunião batalhou por uma política para a central a altura da gravidade da conjuntura brasileira e que mantivesse a independência de classe, partindo de responder que chegamos até aqui pelo golpe institucional que alçou Bolsonaro e pela traição pestista de não mobilizar contra os ataques e apostar meramente na atuação parlamentar e na disputa por cargos.

Em primeiro lugar, a intervenção do Nossa Classe se apoiou em chamar a Conlutas a rever sua posição em relação ao golpe institucional e a prisão arbitrária de Lula, levadas a frente pelo crescente autoritarismo judiciário, apoiado pelos militares, meios de comunicação e pelos patrões. E para concretizar essa posição impulsionar uma campanha contra a prisão arbitrária de Lula e contra o autoritarismo e os privilégios do judiciário e da Lava Jato.

Com os eixos na luta contra o Escola sem Partido e o Sampaprev - tentativa de Reforma da previdência municipal em São Paulo - a delegação com professores, metroviários, trabalhadores de USP, defendeu que a central se delimite claramente com a burocracia e batalhe por uma verdadeira frente única contra os ataques que se avizinham, que não é baseada em uma unidade acrítica e sem denuncia do papel que cumprem os grandes aparatos sindicais contra os trabalhadores.

Fala de Babi, diretora do Sindicato dos Trabalhadores da USP e do Nossa Classe:

Por isso o Nossa Classe defendeu que a CSP-Conlutas retirasse a assinatura do documento acordado entre as centrais sindicais em seminário realizado em São Paulo, intitulado "Princípios gerais para a previdência e a seguridade social", que só serve para que essas direções sindicais sinalizem positivamente para o governo que querem negociar os direitos dos trabalhadores. Neste sentindo o Nossa Classe fez também um chamado a Intersindical para que também retirasse a assinatura desse documento e que batalhasse por uma verdadeira frente única.

Resoluções apresentadas pelo Nossa Classe:

Que a CSP- Conlutas impulsione e exija das demais centrais e direções dos sindicatos da educação que organize a luta nos Estados e municípios uma mobilização contra o Escola sem partido coordenando a luta nacionalmente e exigindo que a CNTE construa um grande dia de paralisação nacional da educação contra essas medidas. Que em SP a CSP-Conlutas organize a luta contra o Sampaprev exigindo da direção do Sinpeem medidas concretas de mobilização para derrotar este projeto e denunciando a política divisionista da direção do Sinpeem que se recusa a unificar a luta do funcionalismo municipal.

Que a CSP-Conlutas reveja sua posição em relação ao golpe institucional e a prisão arbitrária de Lula levadas a frente pelo crescente autoritarismo judiciário, apoiado pelos militares, meios de comunicação e pelos patrões. Que impulsione uma campanha contra a prisão arbitrária de Lula, contra o autoritarismo e os privilégios do judiciário e da Lava Jato.

Que a CSP-Conlutas denuncie a sinalização de apoio da UGT à reforma da previdência de Bolsonaro e sua disposição de dialogar com o novo governo para aprovar ataques como a reforma da previdência. Rechaça também a trégua e a disposição de negociação da reforma anunciadas pela CUT, CTB, Força Sindical e NCST expressa no documento unificado das centrais. A CSP-Conlutas não apoia nenhum tipo de projeto alternativo de reforma ou negociação com o governo, retira a sua assinatura do documento unificado das centrais. Este documento intitulado "Princípios gerais para a previdência e a seguridade social" não arma a luta contra o ataque concreto que ameaça à vida de milhões de trabalhadores e servirá apenas para a alta cúpula das centrais negociarem a reforma com o governo.

A CSP-Conlutas exige das centrais sindicais que assumam uma posição categórica contra a reforma da previdência e organize um plano de luta construído pela base nos locais de trabalho para derrotar a reforma da previdência, pela revogação da reforma trabalhista, da lei de terceirização, da PEC do teto dos gastos e das privatizações.

A CSP-Conlutas deve alertar os trabalhadores nos seus materiais desconstruindo a estratégia de "resistência parlamentar" da CUT e CTB que levará a divisão da nossa classe, em detrimento de negociarem alianças com setores da burguesia e da patronal.

Para enfrentar a extrema direita, o golpismo e as reformas é necessário exigir a construção de uma frente única operária contra os ataques, batalhando a partir dos seus sindicatos pela mais ampla unidade entre os trabalhadores, que os patrões e a alta cúpula das centrais buscam dividir e conter. Chamamos a Intersindical, dirigida pelo PSOL a retirar sua assinatura do documento assinado pelas centrais e batalhar junto à CSP-Conlutas por uma alternativa de independência de classes.

Que a CSP-Conlutas impulsione uma campanha contra o avanço do capital imperialista em nosso país com as privatizações anunciadas por Bolsonaro denunciando a entrega do pré-sal e privatização da Petrobrás como parte dos objetivos do avanço do autoritarismo judiciário e defenda uma Petrobrás 100% estatal sob controle operário e popular e a reestatização de todas as empresas privatizadas.




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