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Conheça os generais envolvidos no projeto de governo escravista de Bolsonaro

A campanha de Jair Bolsonaro conta inúmeros generais em posições estratégicas e como seus apoiadores. Conheça aqui alguns dos principais articuladores da campanha e do projeto de governo e suas políticas ultradireitistas.

Odete Cristina

São Paulo

segunda-feira 24 de setembro| Edição do dia

A campanha do ex-capitão da reserva e ultra direitista Jair Bolsonaro, conta com inúmeros militares em posições estratégicas de coordenação e se divide em dois núcleos centrais: o núcleo técnico e o núcleo político. Muito além de ser uma chapa encabeçada por dois militares da reserva, todo time da campanha conta com um grupo de militares da alta patente em posições muito estratégicas para coordenar a campanha do ultra direitista nos estados.

Entre os membros da sua equipe, existem comandantes das tropas brasileiras no Haiti, defensores da ditadura militar de 64 e de maior repressão nas fronteiras, generais contrários a demarcação das terras indígenas. Os militares tentam fazer demagogia dizendo que a candidatura de Bolsonaro não representa um posicionamento oficial do exército.

Contudo, em meio a eleições manipuladas pelo judiciário golpista, são mais de 71 candidaturas de militares e independente de representar alas oficiais ou não, é inegável o peso que os militares tem em sua candidatura. Os crescentes elementos que expressam a politização das Forças Armadas são preocupantes, o próprio comandante chefe das forças armadas brasileiras, o general Villas Boas, deu declarações de que Bolsonaro poderia questionar o resultado das eleições caso não vencesse. Conheça a seguir alguns dos militares que atuam como chefes da campanha do ultradireitista.

O núcleo técnico

Entre os representantes do núcleo técnico da campanha, que seriam os responsáveis por escrever o programa de governo de Bolsonaro, estão 3 generais da reserva, um brigadeiro aposentado que não se identificou e um civil. Eles coordenam uma equipe com mais de 30 pessoas e elaboram os planos e estratégias de ação para um eventual governo Bolsonaro. Essa equipe tem em sua maioria técnicos civis, muitos deles servidores públicos de carreira que hoje atuam no governo golpista de Michel Temer (MDB). Dessa coordenação poderia sair alguns dos futuros ministros de um eventual governo do PSL.

O coordenador dos assuntos de Segurança e Defesa é o ex-comandante da intervenção brasileira no Haiti, o General Augusto Heleno, que foi enviado pelo governo Lula para assegurar a missão da ONU no país, garantindo assim a subordinação do povo haitiano. Depois, Heleno divergiu publicamente de Lula em relação a demarcação das terras indígenas. Além de já ter saído em defesa do golpe militar de 64, como uma necessidade contra a possível ditadura comunista no Brasil, esse ano, defendeu que as Forças Armadas em missão de Garantia da Lei e da Ordem no Rio deveriam ter autorização para atirar em criminosos à distância, caso fossem “vistos portando armas”.

Todos nós sabemos que o gatilho fácil da polícia é o que mais mata e essa proposta só aumentaria os casos como de Marcos Vinícius, mesmo estando com o uniforme escolar. Agora o general da reserva pretende usar sua experiência de violência contra a população haitiana para elaborar “estratégias de combate às facções criminosas”, colocando a polícia na ofensiva do combate, o que vai significar na prática, aumento da repressão contra a população pobre e negra nas periferias e favelas do país.

O responsável pelo programa de transportes e infraestrutura de Bolsonaro é o general Oswaldo Ferreira, que fez carreira militar na área de engenharia do Exército e faz demagogia dizendo que num eventual governo de Bolsonaro a prioridade seria “terminar as obras que já foram começadas”. Seu braço direito para infraestrutura é Paulo Coutinho, professor de economia na UNB.

Para as áreas de saúde e educação o escolhido de Bolsonaro é o general Aléssio Ribeiro Souto, que chegou ao posto de general de divisão (três estrelas), o segundo maior nível hierárquico do Exército antes de entrar para reserva. Ribeiro Souto defende que em dois anos, o governo de Bolsonaro, construa um colégio militar em todas as capitais do estado. E segundo seus colegas, uma das suas prioridades seria fomentar pesquisas científicas em áreas estratégicas, como a agrícola, e incentivar parcerias do poder público com empresas privadas.

O núcleo político

O núcleo político de Bolsonaro é coordenado pelos seus três filhos, pelo advogado e presidente em exercício do PSL, Gustavo Bebiano e pelo candidato a vice Hamilton Mourão. Ao lado desse núcleo duro, existe uma série de aliados entre civis e militantes do PSL, que promovem o candidato e suas candidaturas próprias nos estados. Entre eles temos o federal Major Olímpio Gomes (PSL-SP), o presidente da União Democrática Ruralista, Luiz Antônio Nabhan Garcia e o vice nacional do PSL, Julian Lemos.

O candidato a vice presidente, general Mourão, é defensor de ideias como a de que precisamos de uma constituição redigida por uma equipe de notáveis, sem a participação do povo. E autor de declarações como a que famílias constituídas “sem pai e avô, mas com mãe e avó”, são “fábricas de desajustados” para o tráfico de drogas. Entre inúmeras outras barbaridades, como declarar as discussões sobre o assassinato de Marielle Franco estariam “enchendo o saco”. Gerando uma enorme repercussão negativa, que obrigou Bolsonaro centralizar seu vice do leito do hospital.

Além deles, existe uma equipe de 5 generais da reserva, que já se envolveram em inúmeras polêmicas como a defesa do golpe militar de 64 e do golpe institucional de 2016. Todos eles são filiados ao PSL, quatro são candidatos a deputados federais e um deles disputa o cargo de governador do Distrito Federal.

O general da reserva Sebastião Roberto Peternelli, é candidato a deputado federal em SP, e também foi comandante das tropas brasileiras no Haiti. Em 2016, foi indicado para a presidência da FUNAI, mas a repercussão negativa de suas declarações nas redes sociais em apoio ao golpe militar de 64, levou Temer a desistir da indicação. É um dos principais incentivadores das candidaturas militares.

Já o general Paulo Chagas é candidato do PSL ao cargo de governador do Distrito Federal, e classificou como “caluniosos” os resultados da Comissão Nacional da Verdade, em relação aos crimes cometidos pela ditadura militar. Além de ter republicado o tweet de Villas Boas declarando que repudiava a impunidade, na véspera do julgamento de Lula. Em seu compartilhamento o general Chagas disse "Tenho a espada ao lado, a sela equipada, o cavalo trabalhado e aguardo suas ordens".

O general Elieser Girão Monteiro é candidato a deputado federal no Rio Grande do Norte, e pediu para ir para a reserva após se desentender com o governo do PT sobre a demarcação das terras indígenas na fronteira de Roraima, onde era comandante de uma brigada do Exército. Juntamente com o General Heleno, se posicionou contrário à demarcação da reserva Raposa Serra do Sol, sob o absurdo argumento que isso deixaria as fronteiras desprotegidas.

O general da reserva Mário Araújo, é candidato a deputado federal em Minas Gerais, foi responsável pelas tropas brasileiras a serviço da ONU em Angola, e foi adido militar no Uruguai. Além de ter coordenado a logística nas buscas pelas ossadas dos guerrilheiros do Araguaia (TO), ele comandou unidades militares em Minas Gerais, São Paulo e Pará. Para ele, Bolsonaro sempre falou publicamente o que militares pensavam, mas não podiam dizer e o "o único caminho para salvar o Brasil é a via política".

O general Marco Felício, foi superior de Bolsonaro no Exército, hoje na reserva, apoia o ex-capitão por meio de sua candidatura como deputado federal pelo PSL de Minas Gerais. Já fez inúmeras críticas a Comissão Nacional da Verdade, alegando que ela seria imparcial por investigar apenas os crimes dos representantes do Estado. O general Carlos Alberto dos Santos Cruz, foi um dos fiéis defensores das bandeiras da ONU ao chefiar a missão imperialista na República Democrática do Congo, em 2013. Foi também um dos generais responsáveis pelas tropas brasileiras no Haiti, consultor da ONU e secretário nacional de Segurança Pública no governo Temer. Atualmente se declara como simpatizante da candidatura de Bolsonaro.

Nós do MRT e do Esquerda Diário sempre nos colocamos contrários a Bolsonaro, que destila seu ódio contra a classe trabalhadora, as mulheres, os negros e os LGBTs, e através da sua candidatura apoiada por todos esses militares, defende um programa de escravização dos trabalhadores ao capital estrangeiro. Não votamos em nenhuma candidatura do PT nem em Lula quando ainda disputava, mas sempre denunciamos veementemente o avanço reacionário da Lava Jato e do judiciário, apoiado nas declarações golpistas do Alto Comando do Exército, para eliminar qualquer vestígio de soberania popular nesta democracia degradada dos capitalistas.

Denunciamos também, a tentativa de pacto de unificação com a direita, oferecida por Haddad apoiado por Lula, para reconstruir o regime golpista ainda mais à direita num eventual governo do PT e como essa estratégia é impotente para combater a extrema direita que se fortalece com Bolsonaro e a politização de setores militares. Contra Bolsonaro e a extrema direita defendemos uma saída anticapitalista, propondo um plano de emergência, exigindo dos sindicatos e movimentos populares que lutem por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, para reverter todos os ataques dos golpistas e discutir os grandes problemas do país em sentido inverso do que os capitalistas planejam fazer. Pelo não pagamento da dívida pública, para que todo político e juiz seja eleito e revogável recebendo o mesmo salário de uma professora, por uma Petrobrás 100% estatal sob gestão dos petroleiros e controle popular, direito ao aborto legal, seguro e gratuito. Lutemos para que sejam os capitalistas que paguem pela crise.




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