MINISTRO DA EDUCAÇÃO

Conheça a trajetória do ministro que deseja entregar a educação pública ao capital financeiro

sábado 10 de agosto| Edição do dia

De onde veio este ministro? Ou melhor, este executivo do mercado financeiro

Abraham Weintraub, todo mundo já sabe, é o ministro de Bolsonaro. Ou melhor - talvez uma definição mais mais justa - um capitalista capacho do capital financeiro posto na liderança do sistema educacional federal de nosso país.

De sobrenome de difícil escrita e pronúncia, que sempre obriga o escritor a jogar no Google para ver se está correto ou não, o executivo do mercado financeiro - sim, ainda mantém esse posto, já foi diretor do Banco Votorantim e sócio na Quest Investimentos.

Um outro Paulo Guedes, também economista, encarregado de aplicar o programa privatista da educação desde o início de sua gestão, também é professor da Unifesp Osasco desde 2015, onde no mesmo Departamento de Contabilidade, estão sua esposa e irmão, o economista chegou a ser acusado de nepotismo. Também esteve envolvido em conflito com os estudantes e centros acadêmicos da universidade, que rechaçavam seu reacionarismo. Antes de virar ministro, lecionou por 4 anos na instituição. E foi de lá que começou a aproximar de Bolsonaro.

Em 2017, quando Weintraub participou de um seminário na Câmara de Deputados onde defendeu a reforma da previdência, Onyx Lorenzoni, até então deputado e hoje ministro da Casa Civil, interessou-se pelo espírito capitalista esfomeado por fazer trabalharmos até morrer do até então executivo do mercado financeiro sedento pela reforma da previdência e hoje ministro da educação.

Após isso, sua relação com o clã Bolsonaro foi aumentando, fez parte do plano de governo e antes de tornar-se ministro foi o número dois da Casa Civil de Lorenzoni.

Quais seus objetivos?

Weintraub têm dois grandes objetivos interdependentes: o econômico, privatizar o ensino superior e precarizar o ensino básico, e o político, reprimir e desarticular os estudantes, professores e trabalhadores.

Visa a destruição do ensino público federal - superior e técnico - através da invasão do mercado privado e do capital estrangeiro nessas instituições. Tem por objetivo a subordinação de toda a produção acadêmica e científica das universidades ao lucro da iniciativa privada e de seus amigos CEOs, em especial do capital estrangeiro, como é bem enfatizado nas campanhas do programa “future-se” e todo o programa de estímulo ao “empreendedorismo” e inovação, que disfarçam com modernização um salto do elitismo e exclusão de jovens pobres e trabalhadores da universidades públicas, para que sejam centro de produção de lucro e “eficiência de gestão”.

Veja mais: "Future-se": Abutres do MEC querem verba da educação em fundo para especulação financeira

Para realizar esses ataques à estrutura federal da educação, é preciso recorrer a escalada de autoritarismo contra os estudantes, professores e trabalhadores, pois estes, principalmente os primeiros, mostraram já que podem organizar uma luta contra os ataques, como demonstrado nas mobilizações do dia 15 e 30, apesar da direção da UNE manter um calendário rotineiro e separado da luta contra a reforma da previdência e o conjunto dos ataques econômicos.

As universidades, logo no período eleitoral de 2018, foram os primeiros locais onde formou-se uma oposição eleitoral à Bolsonaro e logo no terceiro mês de seu mandato, milhões de jovens saíram às ruas contra o corte de 30% no orçamento federal das instituições de ensino. A juventude desde então, configura-se como o pólo mais dinâmico na luta de classes contra Bolsonaro, é necessário usar do arsenal autoritário da maneira que for possível para tentar adestrar esses estudantes que não querem ter seu futuro destruído com o Future-se, tal revolta pode espalhar-se no espírito dos trabalhadores, ativar o movimento de mulheres, negros e LGBTs contra o governo e seus ataques. Por isso Weintraub, além de seu programa neoliberal para a educação, esbanja autoritarismo em busca de evitar problemas maiores.

Para além de seu intervencionismo, escolhendo e atacando diretores e reitores, o que fere a autonomia universitária, Weintraub recorre à Guarda Nacional comandadas por seu amigo Sérgio Moro,, contra as manifestações do próximo dia 13 de agosto, já que tem medo dos estudantes e deseja calar com bombas e cacetetes a raiva contra os ataques.

Logo quando foi escolhido como ministro, disse que seu foco seria a educação básica, incorporando-se ao mesmo discurso demagógico de Bolsonaro. Contudo, o MEC bloqueou R$ 348,4 milhões do orçamento destinado à compra, produção e distribuição de livros didáticos. O governo mente quando diz querer “focar” no ensino básico, também deseja sucateá-lo, ainda mais do que já é. Assim, pretende piorar as condições de ensino e a formação dos alunos para que a força de trabalho desses seja mais barata e passível de exploração através de salários menores, um ótimo complemento à reforma trabalhista, a terceirização irrestrita já aprovadas e a reforma da previdência que se encontra em andamento na Câmara.

Para além de seu intervencionismo, escolhendo e atacando diretores e reitores, o que fere a autonomia universitária, Weintraub recorre novamente, como fez nas manifestações contra os cortes nas federais, as Forças Nacionais comandadas por seu amigo Sérgio Moro, já que tem medo dos estudantes e deseja calar com bombas e cacetetes a raiva contra os ataques.

É preciso organizar a juventude em defesa de seu futuro: contra o future-se e a reforma da previdência

Com cerca de 30% de desempregados na juventude e outros milhões dando seu jeito nos aplicativos de serviços, trabalhando por mais de 12 horas para receber menos que um salário mínimo. Diante dos cortes nas bolsas de pesquisa e do projeto de privatização de Weintraub, o único “future-se” que se aproxima da juventude é a perspectiva de uma vida de desemprego, trabalhos precários, dívidas e frustração, para nos fazer trabalhar até morrer com a reforma da previdência.

Foi através da reforma da previdência que Weintraub aproximou-se de Bolsonaro. Este tremendo ataque continua sendo central para o ministro do mercado financeiro. Foi do corte do orçamento das universidades, que Bolsonaro teve acesso a cerca de R$926 milhões do total de 3 bilhões distribuídos para parlamentares na véspera da votação da reforma. Quase ⅓ da quantia. Avançou a reforma na Câmara, também avançou o ataque de Weintraub contra as universidades e institutos, passou de um corte de orçamento para a privatização completa, o absurdo projeto Future-se.

Até hoje (09/08), o PT e PCdoB, que compõe a direção majoritária da UNE com suas juventudes, principalmente a UJS, não organizaram massivamente assembleias nos locais de trabalho e estudo para a manifestação na próxima terça-feira (13/08) contra o future-se. Não serão atos isolados e midiáticos que terão força para barrar o projeto, é preciso construir desde a base das universidades e institutos de todo país essa manifestação, que carece de um plano de luta de conjunto graças à subordinação da direção da UNE à oposição meramente parlamentar do PT e PCdoB, que se restringem ao constante “diálogo” com os golpistas e até apoio da reforma da previdência, como fazem os governadores do PT e PCdoB, que vivem se reunindo com Maia para articular a reforma da previdência nos estados.

Para derrotar o Future-se de Weintraub, é preciso ter claro que este ataque gigantesco contra a educação só ocorre graças ao andamento da reforma da previdência na Câmara no mês passado, que impulsionou o governo para avançar com o projeto privatista das universidades e institutos, mas não só, também avançam o pacote anti-crime de Moro, a MP da liberdade econômica, a reforma tributária, etc. Somente uma forte unidade com a classe trabalhadora e a auto-organização dos estudantes e da juventude de conjunto para dar exemplos de força na luta de classes, tem a força para barrar o future-se e os ataques contra a educação.




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