Juventude

Chapa Katendê - A Educação Respira Luta

Conheça a carta-programa da chapa Katendê para o Centro Acadêmico de Letras da USP

A Chapa Katendê - A Educação Respira Luta lança seu programa para o Centro Acadêmico da Letras. Um Centro Acadêmico para derrotar o Escola sem Partido, a reforma da previdência e os ataques do BolsoDoria.

quinta-feira 22 de novembro| Edição do dia

As eleições que elegeram Bolsonaro foram marcadas por uma série de manobras do Judiciário que vêm acontecendo desde o golpe institucional em 2016, que se aprofundaram com a prisão arbitrária e o veto à candidatura de Lula e que se escancararam com o silêncio do STF frente ao escândalo das fake news durante as eleições que não gerou nenhum tipo de consequência para a candidatura de Bolsonaro. O Judiciário e a Lava-Jato de Moro, que hoje é o principal indicado para Ministro da Justiça do próximo governo, estão de mãos dadas com os empresários que se beneficiam com os ataques à previdência e à educação. Querem cercear nossas liberdades democráticas para dificultar a organização de uma verdadeira luta contra todas as medidas reacionárias de Bolsonaro, que tem como principal objetivo entregar todas as riquezas nacionais para o imperialismo norte-americano e, para isso, fazer com que sejam os trabalhadores e estudantes a pagar pela crise internacional.

João Doria, como governador, compactua com esse objetivo, é a mão do bolsonarismo no estado de São Paulo.

Vahan, ao tentar se posicionar politicamente neutro e ao igualar os radicais de direita e o autoritarismo do STF com a luta e revolta dos estudantes que não aceitam esse projeto, é conivente com o plano reacionário. Faz demagogia ao dizer que se coloca contra a privatização da universidade, mas na prática foi um dos idealizadores do projeto “USP do Futuro”, realizado pela consultoria privada dos Estados Unidos McKinsey, que quer privatizar o ensino público superior, avançando no projeto de que as universidades estejam a serviço dos grandes empresários, se afastando cada vez mais da população pobre e trabalhadora.

O que o nosso centro acadêmico tem a ver com isso?

As entidades estudantis têm que estar na linha de frente da defesa dos nossos direitos, pois são organismos representativos dos estudantes. Têm que estar a serviço da nossa organização, a partir de impulsionar espaços democráticos de debate. Diante de toda a situação que está colocada dentro e fora da USP, com a eleição de Bolsonaro na presidência, a extrema direita no parlamento, a agenda de ajustes na saúde, educação, o desmonte da USP (ainda mais de cursos em que não há interesse mercadológico, como o nosso), o movimento estudantil e os centros acadêmicos estão diante do desafio de ser uma ferramenta de organização da luta para derrotar as reformas de Bolsonaro na educação e na previdência.

Por que construímos uma chapa de oposição?

A Viramundo, composta por militantes do PT, Levante Popular da Juventude e independentes, durante seus últimos dois anos de gestão não fez isso. Ao contrário: no momento em que prendiam Lula, e durante todo o processo eleitoral que elegeu Bolsonaro, se bastou em fazer assembleias burocráticas onde apenas poucos estudantes se colocavam. Chegou até mesmo a aconselhar que os estudantes ficassem em casa durante a manifestação com mais de mil pessoas em resposta ao ato pró Bolsonaro que marcharia até a FFLCH (que no final resultou ser um fracasso perto do que organizamos no dia seguinte à sua vitória). Isso porque não acreditam na força explosiva que, em aliança com os trabalhadores, os estudantes de todas as universidades pelo país podem ter.

Preferem seguir a estratégia parlamentar-eleitoral falida, que através dos inúmeros acordões feitos com a direita e os setores mais reacionários do parlamento durante os 13 anos de governo do PT nos trouxe até aqui e que durante as eleições quis nos fazer acreditar que nosso único papel seria o de votar. Isso se expressou na construção de comitês que tinham como objetivo apenas organizar panfletagens, por fora de organizar qualquer plano de resistência e ação - esses comitês simplesmente acabaram depois do segundo turno.

Se bastam em promover uma oposição parlamentar, por achar que 100 parlamentares em um congresso reacionário podem barrar os ataques do governo ao invés da força dos 25 milhões de trabalhadores que dirigem através da maior central sindical da América Latina, a CUT. A estratégia que nacionalmente o PT busca implementar é a de uma frente ampla pela democracia, em que já declararam estar abertos ao diálogo e a alianças, tanto com setores do “centrão” que defendem a reforma da previdência, como com o coronelista burguês Ciro Gomes; quanto com setores diretamente golpistas de direita, como o PSDB, fazendo com que essa frente abra mão de denunciar todo o papel que cumpriu o Judiciário desde o golpe institucional de 2016, sem discutir os motivos que nos fazem estar onde estamos, passando pano e se aliando a setores que não apoia m Bolsonaro, mas igualmente querem despejar os ataques e reformas neoliberais sobre nossas costas, com projetos privatistas, elitistas e entregando nosso país aos interesses das multinacionais imperialistas.

O PSOL e o PCB, que também compõem uma chapa, por sua vez, trazem no discurso a necessidade de mobilização. No entanto, não vemos nenhum tipo de exigência às entidades que dirigem o movimento estudantil e de trabalhadores, como a UNE, DCEs e centrais sindicais para que organizem um verdadeiro plano de lutas. No caso do PSOL, poderiam colocar todas as suas forças e a posição que ganharam no cenário político após a eleição a serviço da tarefa de organizar uma ampla mobilização dos trabalhadores em aliança com os estudantes, que hoje passa por cobrar e exigir que as centrais sindicais e entidades estudantis saiam da paralisia. Mas ao invés de se opor à estratégia parlamentar-eleitoral do PT, acaba sendo a ala à esquerda dessa estratégia falida. Isso se expressou, por exemplo, no fato de que as entidades que dirigem, como os centros acadêmicos da História, da Sociais, Psicologia e Pedagogia durante o período eleitoral, organizaram comitês que apenas organizaram panfletagens, mas passaram por fora de organizar pela base um plano de lutas real dos estudantes, com reuniões semanais que fossem para além das eleições e que estivessem à altura de enfrentar os ataques agora.

Além disso, o PSOL foi parte da gestão do DCE da USP durante 7 anos e se mostrou insuficiente para organizar os estudantes pela base no momento em que sofríamos um golpe institucional no país, chegando até mesmo a se colocar contra um posicionamento dos estudantes da USP de rechaço ao golpe.

Nessas eleições tem, também, uma chapa composta por membros do PSTU, que, apesar de se colocarem como esquerda mais radical e combativa, não consideram que houve um golpe institucional em 2016 e defenderam diversas medidas arbitrárias e autoritárias do Judiciário, como a própria prisão de Lula.

Qual o papel que o CAELL e o movimento estudantil podem cumprir em 2019?

Para nós, da chapa Katendê, o movimento estudantil tem que estar à altura da tarefa histórica que nos foi colocada: se aliar aos trabalhadores de dentro e de fora da universidade para impor uma resistência e combate reais aos ataques de Bolsonaro e dos golpistas. Precisamos retomar nossa história de organização ao lado dos trabalhadores, como foi há 50 anos, em que os estudantes da USP iam à porta das fábricas dialogar com os operários em meio à ditadura militar.

Ao lado dos professores para derrotar o “Escola sem Partido”

É preciso que os estudantes da Letras, que em sua maioria serão futuros professores, se unam com os professores estaduais e municipais, que no início do ano impuseram uma derrota ao governo Doria barrando o projeto de privatização da previdência do então prefeito, para que possamos derrotar o projeto “Escola sem Partido”, que é uma verdadeira censura aos professores, impedindo que possam se colocar contra as medidas de ataque do governo e assim abafar uma verdadeira resistência. É importante termos claro que o “Escola Sem Partido” é a continuação autoritária dos interesses dos golpistas, pois prepara o terreno para a implementação das contrarreformas e privatizações anunciadas por Bolsonaro e sua equipe.

Contra o projeto reacionário de censura ideológica nas escolas que pretende impedir o ensino de literatura e implementar o ensino à distância para impedir a organização dos estudantes e professores, queremos que nosso Centro Acadêmico organize uma campanha permanente contra o “Escola Sem Partido”, em aliança com os professores e estudantes secundaristas. Propomos que no próximo ano aconteça uma Semana da Letras, em que possamos abrir as portas da nossa faculdade para os professores e estudantes da escola pública, promovendo espaços de discussão e debate, atividades culturais e interação tirando ações conjuntas. Se Bolsonaro e companhia querem censurar estudantes e professores, nós iremos abrir nosso curso para debater gênero, sexualidade, raça e a história de luta da classe trabalhadora, das mulheres, dos negros e LGBT.

- Por uma Campanha permanente contra o “Escola Sem Partido”
- Semana da Letras: abrir as portas da faculdade para escolas públicas

Contra o machismo, o racismo e a LGBTfobia de Bolsonaro: Marielle Franco, Mestre Moa do Katendê, Laysa e Charlione PRESENTES!

Bolsonaro construiu sua campanha com um discurso contra os negros, mulheres e a população LGBT que são parte, para o PSL e seus aliados, do plano de “ordem” social que acompanha os ataques ultraneoliberais. Como a face atual do escravismo brasileiro, o racismo do futuro presidente é parte fundamental de seu projeto político em busca de um Brasil onde os negros estejam “em seu lugar”. As 12 facadas que mataram Mestre Moa saíram da boca de Bolsonaro, e seu governo fará de tudo para garantir que os assassinos de Marielle continuem impunes.

A maioria da população brasileira são as mulheres e os negros, que estão nos piores postos de trabalho, em sua maioria terceirizados.

Sabemos que nossa faculdade é uma das que reúnem mais setores oprimidos em nossa universidade elitista, e sabemos que são esses setores que mais sofrem com a falta de permanência estudantil, mesmo que o movimento estudantil aliado aos trabalhadores da USP tenha arrancado um princípio de cotas sociais e raciais, o que se avança em inclusão retrocede com a evasão que atinge os alunos que não têm como se manter aqui dentro, também sabemos que hoje a maior parte da classe trabalhadora é negra, e morrem diariamente vítimas da violência policial, sabemos que os LGBT’s, em especial os trans, são comumente expulsos de casa e rejeitados pela maior parte das empresas, sendo jogados nos empregos mais precarizados quando não acabam nas garras da prostituição, morrendo diariamente vítimas de violência LGBTfóbica, também sabemos que as mulheres ainda carregam o fardo do trabalho doméstico, e acabam com duplas jornadas de trabalhos, morrendo diariamente vítimas de feminicídio e de abortos clandestinos.

Precisamos que a nossa entidade estudantil sirva como um verdadeiro instrumento de combate contra esses ataques, fortalecendo a organização das mulheres, negros, LGBTs e indígenas no curso, que durante toda a História do país deram exemplos de luta contra a opressão que sofreram.

Comitê de luta para organizar as ações contra os ataques dos golpistas e Bolsonaro

Queremos que todos os estudantes sejam sujeitos da construção de uma forte luta contra a reforma da previdência e os ataques à educação através da construção de comitês de luta, espaços de debate onde possamos fazer um plano de lutas e tirar ações concretas de organização.

Basta de precarização do nosso curso!

Precisamos nos unificar com os professores também na luta contra a reitoria que se recusa a contratar o número de professores necessário para atender nossa demanda, fazendo com que turmas de matérias obrigatórias, como Literatura Brasileira, não tenham professores suficientes. Inclusive, sabemos que isso acontece porque, com o uso de repressão e bombas, o Conselho Universitário aprovou um projeto, a chamada “PEC do fim da USP”, que congela as contratações por 5 anos e que hoje mostra a que veio: precarizar ainda mais a universidade, sucateando e rebaixando sua qualidade de ensino.

- Levantamento da demanda para contratação de mais professores
- Fim do ranqueamento e volta do gatilho automático
- Revogação da “PEC do Fim da USP” e contra o projeto “USP do Futuro” do reitor!

Em defesa das festas e dos espaços estudantis: Fora PM do campus!

A diretoria da FFLCH tem avançado cada vez mais para cercear a liberdade dos estudantes de realizarem festas no campus, chegando inclusive ao absurdo de mandar e-mails institucionais contra as pixações, que sempre foram uma forma de manifestação dos estudantes. Repudiamos essa postura autoritária da diretoria. Sabemos como na cidade a juventude não possui espaços para o lazer, cultura e livre expressão. Impedem as festas pois querem restringir ainda mais o acesso da população de fora da USP, deixando cada vez mais altos os muros da universidade. Com o braço armado da polícia militar reprimem os trabalhadores e a juventude negra. O centro acadêmico tem que estar na linha de frente da defesa desses espaços, que como já sabemos, fazem parte da auto-organização do movimento estudantil.

Junto ao SINTUSP e à ADUSP na luta em defesa da universidade

Precisamos nos unir com todos os trabalhadores da universidade que esse ano sofreram o arrocho salarial imposto pela reitoria, assim como com os trabalhadores terceirizados que no bandejão são impedidos de comer a comida que eles mesmos ajudam a produzir pela mesma reitoria que hoje impede o funcionamento do Hospital Universitário, um dos únicos espaços da USP que abria suas portas para a população ao redor. Precisamos de um movimento estudantil e um Centro Acadêmico que busquem justamente abrir as portas da universidade! As universidades públicas precisam estar a serviço das necessidades de toda a população trabalhadora.

- Impulsionar espaços de debate entre estudantes e trabalhadores sobre os rumos da faculdade
- Abertura do livro de contas da USP
- Abaixo os supersalários dos burocratas
- Efetivação dos trabalhadores terceirizados já!
- Fora PM, por uma universidade aberta e a serviço da população trabalhadora
- Fim de todos os processos contra estudantes e trabalhadores mobilizados
- O HU é nosso, contra a desvinculação e fechamento de alas!

Nenhuma confiança na burocracia e na reitoria que mantêm a universidade a serviço das grandes empresas capitalistas

É por tudo isso que não podemos confiar nas diretorias e na reitoria, que historicamente sempre esteve e está contra o movimento estudantil e dos trabalhadores. Frente à falta de professores não podemos aceitar que nosso Centro Acadêmico faça uma reunião a portas fechadas com a diretoria da faculdade para acordar em mudar arbitrariamente os estudantes das turmas, ou até mesmo de turno, sem passar por espaços democráticos de decisão, como aconteceu no início deste semestre. Ou como a atual gestão do DCE, composta por membros do atual CAELL, que ao longo deste ano se sentou seis vezes com a reitoria sem sequer passar pelos espaços de decisão do conjunto dos estudantes. Na verdade isso demonstra como a atual gestão do CAELL e do DCE, que são compostos pela juventude do PT e PCdoB, acredita que as entidades estudantis podem ter alianças e conciliar com a reitoria e as diretorias, sem perceber que os interesses do reitor e dos burocratas do Conselho Universitário visam atacar a educação pública, nossos espaços de convivência e debate.

É por tudo isso que, ao contrário das demais chapas, defendemos que essa reitoria está a serviço dos interesses das grandes corporações que hoje lucram com o ensino público e, portanto, não merece existir. Defendemos a dissolução do Conselho Universitário, que hoje é composto em sua maioria por donos de empresas que fomentam a parceria público-privada. Defendemos a implementação de uma nova estatuinte livre, soberana e democrática para que a Universidade seja gerida proporcionalmente por aqueles que de fato a constroem diariamente: professores, trabalhadores e nós, estudantes.

Essa é, para nós, a única forma de defender uma universidade que esteja de fato a serviço dos trabalhadores e do povo pobre, que são quem a mantém e que não podem ter acesso ao conhecimento nela produzido. Por isso, defendemos a implementação total das cotas étnico-raciais, conquistadas através da luta de todas as universidades estaduais e dos três setores da universidades. Defendemos o acesso diferenciado para indígenas, rumo ao fim do vestibular e à estatização das universidades privadas.

- Dissolução do Conselho Universitário
- Fim da participação de fundações privadas
- Contra o estatuto herdeiro da ditadura: por uma nova estatuinte, livre, soberana e democrática

Por um CAELL combativo, proporcional e aliado aos trabalhadores

O CAELL precisa ser uma entidade estudantil combativa e proporcional, ou seja, ser construída por todas as chapas, proporcionalmente e de acordo com seus votos, para que todos os estudantes possam ser de fato representados e para que, através do debate de ideias constante, possamos avançar em propostas e ações superiores.
Bolsonaro já declarou que as universidades públicas são dinheiro jogado fora e que quer acabar com os centros acadêmicos e espaços de organização dos estudantes. Um dos nossos principais desafios e tarefas é defender nossas entidades. A melhor forma de fazermos isso é transformando-as em ferramentas de organização, promovendo o debate de ideias e a unidade do movimento na luta contra todos os ataques que estão por vir.

- Congresso dos estudantes da Letras: precisamos organizar um plano de lutas!
- Proporcionalidade no CAELL

Que a UNE organize e massifique a luta dos estudantes nacionalmente, unificando todas as universidades do país contra Bolsonaro e os ajustes

A UNE precisa organizar nossa luta nacionalmente. Viemos batalhando para que essa entidade construa milhares de comitês em todas as universidades do país para organizar a luta contra o “Escola sem Partido”, a Reforma da Previdência e os ataques de Bolsonaro. E agora queremos debater que frente à vitória de Bolsonaro e sua vontade de descarregar a crise nas nossas costas, não podemos encarar de forma rotineira os espaços tradicionais de organização do ME, sejam estas eleições para os centros acadêmicos, sejam as atividades chamadas pela UNE, como Conselho Nacional de Entidades de Base (CONEB), que está sendo convocado para janeiro do ano que vem e tem um enorme potencial de reunir milhares de centros acadêmicos e DCEs de todo o país para organizar nossa luta. Para nossa chapa, o debate sobre as eleições do CAELL também diz respeito a qual proposta teremos para que esse espaço não seja mais uma vez algo formal, afastado da realidade dos estudantes. Por isso, propomos que nosso Centro Acadêmico leve para esse encontro um chamado aprovado pelos estudantes do curso, sobre a necessidade de construirmos de forma unificada um Encontro Nacional, com delegados eleitos pela base, que possa articular um forte plano de lutas contra os ataques de Bolsonaro.




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