CRISE OU EXPLORAÇÃO?

Conheça a Unilever, empresa que demite 130 trabalhadores em Vinhedo

Chico Nery

Professor da rede pública de Campinas

segunda-feira 9 de outubro| Edição do dia

Há 10 dias, trabalhadores da Unilever levam adiante uma importante luta contra 130 demissões na fábrica. A empresa quer terceirizar setores inteiros, buscando implementar a reforma trabalhista na planta.

Muitos leitores devem se questionar: mas não existe uma crise em nosso país? Não seria essa uma medida necessária para se “adequar”? Para responder essa pergunta, é preciso conhecer a empresa.

Quem é a Unilever?

A empresa em questão é um dos 3 maiores monopólios do mundo de bens de consumo. Fundada em meio a crise de 1929, o grupo anglo-holandês possui mais de 400 marcas(Hellman´s, Maizena, Brilhante, Confort, OMO, Dove, Axe, Knorr, Seda, Rexona) inseridas em todo o mundo.

Somente em 2017 adquiriram:

- Abril: Sir Kesington, empresa de produtos naturais norte-americana por cerca de 441 milhões de reais.

- Maio: Qala, alimentícia presente em 10 países da América Latina e que teve um volume de vendas em 2016 de 1,260 bilhões de reais.

- Setembro: Carver Korea, empresa de cosméticos da Coréia do Sul comprada por 8,5 bilhões de reais;

- Outubro: Mãe Terra, empresa de produtos nacionais brasileira cujo faturamento em 2016 foi de 192,6 bilhões de reais.

Qualquer pessoa sensata sabe que uma empresa que não para de fazer compras bilionárias está mundo bem das pernas. Só no primeiro trimestre deste ano, lucraram mais de 450 bilhões de reais.

Não é crise, é exploração: todo apoio à luta dos trabalhadores!

No mesmo mês que tentam demitir 130 trabalhadores, compram uma empresa em uma operação bilionária em nosso país. Não divulgam os números da operação justamente por isso: não existe crise alguma na Unilever, seus lucros são trilionários ao redor do mundo, o que tem são capitalistas querendo aumentar seus lucros em nosso país, não se importando com a vida de famílias inteiras que ficarão sem sustento: centenas de pais, mães e crianças nas ruas enquanto trilionários aumentam seus números. Essa é a “sustentabilidade” da Unilever e de suas marcas: com suor e sangue dos operários reprimidos por defender seus empregos em Vinhedo.

Assim como demonstraram as lutadoras e lutadores dos Correios na região de Campinas e em todo o país que construíram uma dura greve no último mês, e o conjunto dos trabalhadores no Rio Grande do Sul que constroem fortes greves em diversas categorias, os trabalhadores da Unilever mostram que cada batalha contrária a implementação prática da reforma trabalhista e da terceirização será decisiva para o conjunto dos trabalhadores e da juventude.

São para grupos imperialistas como o da Unilever, que Temer e os golpistas aprovam as reformas da terceirização e trabalhista para arrancar nossos direitos. A vitória dessa luta será uma vitória de todos nós. Para nós do Movimento Nossa Classe, é fundamental que as centrais sindicais e o conjunto dos sindicatos cerquem de solidariedade a luta da Unilever em Vinhedo. Se essa força é colocada em movimento, seguramente centenas de trabalhadores e jovens da região participariam de ações de solidariedades e colaborariam com um fundo de greve para que os trabalhadores possam resistir.

Nessa terça-feira, ocorrerá as 15:00 uma audiência de conciliação no TRT em Campinas, e um ato deverá ser realizado em frente ao local.

O Esquerda Diário, que é uma voz anticapitalista dos trabalhadores, se solidariza com a luta e coloca o portal de notícias, que atingiu 800 mil leitores em todo o Brasil no mês de setembro, a disposição para fazer a voz dos guerreiros da Unilever chegar aos 4 cantos do país. Mexeu com um, mexeu com todos: nenhuma família na rua!


Trabalhadores da Unilever e Sindicato dos Químicos de Vinhedo

Danilo Magrão, professor da rede pública e integrante do Movimento Nossa Classe

Juventude Faísca e professores do Movimento Nossa Classe nessa manhã em frente à fábrica

Fotos: Sindicato dos Químicos de Vinhedo




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