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Congresso da direita protagoniza show de horrores e busca por reeleição de Bolsonaro

A constelação reacionária do governo Bolsonaro se reuniu em congresso bancado com dinheiro público. Com contradições graves na direita nacional e internacionalmente, o que se viu foi um show de horrores, o clamor pela união e a reeleição de Bolsonaro.

segunda-feira 14 de outubro| Edição do dia

Imagem: Bruno Santos/Folhapress

O Conservative Political Action Conference (CPAC) é financiado pelo Instituto de Inovação e Governança (Indigo), vinculado ao PSL. O Indigo recebe recursos do Fundo Partidário, ou seja, dinheiro público. O evento é considerado o maior do mundo em reunião de distintas alas conservadoras nos EUA. Já no Brasil, haviam apenas 3 estandes e a única vertente presente era a olavista, ligada a Jair Bolsonaro.

Além de camisetas de Jair Bolsonaro, livros sobre a monarquia, houve a venda de "kits anti-feminismo". O evento teve a participação de algumas estrelas do conservadorismo dos EUA, como o senador Mike Lee, a ativista Katty Dillon e o presidente da American Conservative Union (ACU, entidade que criou a CPAC), Matt Schlapp, que também defendeu a necessidade de união da direita.

Para Eduardo Bolsonaro, direita não deve entrar em discussões políticas, mas fazer memes. Aplaudido e chamado pelos presentes de “mitinho”, o aspirante a embaixador nos EUA imitou o presidente estadunidense Donald Trump ao abraçar a bandeira brasileira.

Ernesto Araújo, disse que "o climatismo está para a mudança climática assim como o globalismo está para a globalização". Ele ainda criticou a ONU, a ativista sueca Greta Thunberg e até o filósofo iluminista francês Voltaire - que "começou a querer lacrar" quando teria desrespeitado "a fé e a monarquia francesa".

Já Damares Alves declarou que quer uma longevidade para o movimento de extrema-direita no Brasil. "Isso aqui vai dar tão certo que vamos ficar 4, 8, 12 anos" (...) "Estou falando de reeleição, sim. Quatro anos não bastam para mudar. Precisamos de 12 anos", completou a ministra.

Damares ordenou que os participantes do evento começassem a organizar candidaturas a prefeito e chapas de vereadores em suas cidades com vistas às eleições do próximo ano. Segundo a ministra, se Bolsonaro não aceitar a tarefa de continuar no governo, a direita precisa encontrar outro nome como candidato para não deixar que a esquerda, a quem ela comparou com o "cão", voltem ao poder.

A antecipação do processo eleitoral por parte da direita pode ser interpretado como um sinal de fragilidade, em um momento de grande divisão em que Bolsonaro perde espaço para o congresso e acumula derrotas em seu plano de ditar as regras nessa disputa.

A recomendação de Damares, segundo o Correio Brasiliense, já vem sendo seguida pelos participantes da CPAC. "Vamos lançar candidaturas em umas 20 ou 30 cidades", disse o assessor parlamentar Nokolas Ferreira, 23 anos, coordenador do movimento Direita Minas.

Onyx Lorenzoni, ministro da Casa Civil, chegou a chorar duas vezes durante sua fala ao fazer um apelo para que a direita se una. "Temos de nos unir e superar divergências. Pelo amor de Deus, temos a chance de nossas vidas. Para nunca mais permitir que essa gente A ESQUERDA volte e faça o que eles fizeram."

Para além do folclore, o futuro da extrema-direita em jogo no mundo e no Brasil

A disputa entre o grupo político de Bolsonaro e o deputado Luciano Bivar (PE), presidente do PSL, pelo controle do partido e do fundo partidário tomou a cena nas últimas semanas. Para além do habitual jogo de cena de personagens folclóricos da direita é preciso partir de que é isso e o futuro da "internacional direitista" que está em jogo.

Nessa disputa, Bolsonaro já pediu a Bivar uma relação completa de fontes de receitas e despesas do PSL, com o objetivo de submeter o material a uma auditoria externa. Enquanto o partido, por outro lado, quer fazer um pente fino das contas de campanha do presidente.

Recentemente a direita tomou duros golpes pelo mundo e o bolsonarismo teme ser o próximo. Na Ítália, Salvini está em uma encruzilhada e já não governa. No Equador a imensa mobilização popular colocou Lenin Moreno a recuar. Na Argentina, Macri está a ponto de perder as eleições. Nos EUA, Trump está tendo de encarar um processo de impeachment e no Reino Unido, Boris Jonhson acumula derrotas para conseguir efetivar a saída do país na União Européia. Um verdadeiro impasse que indica a incapacidade de construir uma nova hegemonia a direita no mundo.

O que fica indicado do congresso é que para a ala Olavista no governo Bolsonaro se faz preciso apostar na reeleição. Há uma disputa em aberto para onde o presidente vai e como a direita pode reverter o quadro de derrotas sucessivas que colocam essa alternativa na defensiva. Esse encontro é parte dessa disputa e revela a extrema preocupação que esses setores tem na sua capacidade aglutinativa, não à toa, estão antecipando a disputa e a discussão eleitoral.

O que há de pior na política nacional estava presente nesse congresso. Querem fechar a situação que se abriu em 2013 em chave reacionária, aprofundando a submissão do Brasil aos EUA e submetendo a classe trabalhadora, a juventude, os negros e os LGBT´s aos mais brutais ataques econômicos e ideológicos. Apesar de Bolsonaro se fragilizar, o congresso, igualmente nefasto e autoritário, se fortalece e vem passando as reformas que os capitalistas clamam.

Devemos nos aproveitar das divisões e contradições entre os de cima para poder contra-atacar com uma alternativa nas ruas e em cada local de trabalho e de estudo. É necessário construir uma alternativa que combata não só Bolsonaro e os planos reacionários da extrema direita mas também o congresso e todos aqueles que buscam descarregar a crise capitalista em cima dos trabalhadores e dos setores oprimidos.

Fonte de informações: Revista Forum e Correio Brasiliense




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