Juventude

ELEIÇÕES CAELL USP

Confira o programa da chapa Mundo Grande para o Centro Acadêmico da Letras USP

Nos dias 22, 23 e 24 de novembro acontecerão a votação para o Centro Acadêmico de Letras da USP. Confira o programa da chapa Mundo Grande composta por estudantes membros da Faísca- Juventude Anticapitalista e Revolucionária e independentes.

quinta-feira 17 de novembro| Edição do dia

MUNDO GRANDE - CAELL 2017
Faísca - Anticapitalista e Revolucionária e Independentes

“Fortalecer o CAELL pra seguir na luta contra os golpistas e a reitoria, de forma independente do PT”

Não, meu coração não é maior que o mundo... Por isso me grito!

O ano de 2016 foi bastante atípico no curso de Letras. Se por um lado vimos o agravamento de antigos problemas como a falta de professores, fechamento de habilitações, salas lotadas, corte de bolsas e etc, por outro vimos uma das mais fortes mobilizações dos últimos anos entre os estudantes do curso para tentar reverter essa situação, com uma greve e ocupação que deu vida ao prédio com dezenas de atividades, onde se debateu desde literatura e a questão LGBT, negra e das mulheres como jamais em sala de aula com nosso currículo engessado até mesmo esportes e atividades do corpo, onde qualquer estudante do curso decidia os rumos cotidianamente de forma democrática no comando de greve e junto aos professores e com uma aliança com os trabalhadores de uma forma nunca vista barrando seu corte de salários, que serviu de exemplo de como enfrentar as reitorias, o golpe institucional e os ataques que já vinham do governo do PT e anunciavam se intensificar sob o golpista Temer.

Entendemos que cada problema que enfrentamos no dia a dia da Letras é parte de um projeto nacional de precarização e retirada de direitos para enfrentar a crise, e como fizemos neste ano queremos seguir impulsionando a luta para resistir, agora ao lado da juventude que está nas ocupações que cobrem o país em defesa da educação, mostrando que para enfrentar a direita é preciso se organizar e de forma completamente independente do PT, que tenta voltar à nossa entidade com a chapa Viramundo, ao mesmo tempo que é expulso das ocupações de escola no Paraná.

Diferente da passividade e despolitização dos anos anteriores, tivemos uma entidade que era política e não gestora, que tinha como prioridade a defesa de educação pública. Para isso é fundamental a organização dos estudantes para o debate e a atuação política, buscando construir uma força real que possa resistir aos ataques dos golpistas que aprofundam ainda mais a precarização, e que em cursos como o nosso, com pouco interesse empresarial, se faz sentir mesmo nas universidades “de elite”, com um prédio precário e provisório há 40 anos que nem ao menos conta com acessibilidade ou um espaço de vivência decente, que nos é sempre prometido e jamais entregue. Nossa primeira gestão foi apenas o passo inicial de uma nova tradição que queremos construir na Letras. É nessa perspectiva que buscamos a reeleição para o CA, e chamamos todos os estudantes que querem defender o futuro a se somar e fazer parte desse projeto para fortalecer conosco uma concepção de entidade política, democrática, proporcional e aliada aos trabalhadores.

Tu sabes como é grande o mundo

Estamos vendo em todo o país um fortalecimento “por cima” da direita mais reacionária, privatista, machista, racista e LGBTfóbica. Está sendo aprovada a PEC 241, chamada de “PEC do fim do mundo”, que congela os gastos da saúde e da educação por 20 anos, e assim vai completar o desmonte do SUS e das federais. Na educação, a primeira a ser rifada para pagar as contas da crise e para qual muitos de nós vamos nos formar para atuar, vem também a “reforma” do ensino médio, que serve para demitir professores, precarizar e alienar ainda mais a juventude trabalhadora. Queremos nos formar professores e não técnicos escolares, essa reforma ataca justamente as matérias que formam senso crítico, conteúdo histórico e capacidade de reflexão. Nós que estudamos literatura, arte, crítica e sociedade, não só teremos mais dificuldade de conseguir aulas pelo número de vagas, mas também estaremos amordaçados para oferecer aos novos jovens as ferramentas para conhecer e criar a sua própria arte e história. Em São Paulo, para completar o cenário, ainda temos Alckmin e seu novo prefeito, João Doria, representando a mesma política privatista e elitista.

O judiciário, fortalecido pela Lava-Jato golpista que busca trocar um esquema de corrupção por outro, se apoiando em medidas arbitrárias que cedo ou tarde são usadas contra nós, está levando adiante grande parte dos ataques, retirando direitos trabalhistas, acabando com o direito de greve no serviço público, e ameaçando liberar a terceirização em todas as atividades. E por incrível que pareça vemos setores da esquerda (como a chapa Novos Ares) que cantam “Viva!” a essa operação reacionária, esses são tão pouco alternativa para enfrentar a direita quanto aqueles que ainda hoje conseguem afirmar que não houve qualquer golpe no país e inclusive o apoiaram (que hoje compõem a chapa Com Pedras e Poemas).

Não é segredo pra ninguém que quem abriu espaço para o fortalecimento dessa direita foi o PT, buscando se aliar aos interesses dos empresários e fazendo acordos sujos com seus piores nomes, como o próprio Temer, Bolsonaro, Feliciano, Malafaia, Crivella, Maluf e muitos outros. Depois de aplicar ataques contra nós, o PT decretou sua derrota ao lavar as mãos na luta contra o Golpe. Com a capacidade de mobilizar milhões de estudantes e trabalhadores nas ruas, através da UNE e da CUT, e efetivamente barrar esse avanço, o PT preferiu fazer uma oposição apenas de palavras, “sem incendiar o país”, sinalizando por um lado aos empresários que é “responsável”, para tentar voltar ao governo em 2018 e ser o próprio agente dos ajustes, e por outro para toda a população que prefere o golpe à impulsionar a luta pela base. Esse é o setor que compõe a chapa Viramundo (PT e Levante Popular), que quer mais uma vez transformar o CAELL em um espaço de inércia e desmobilização, como gestores e não políticos ao maior estilo Dória, e virando realmente as costas para o mundo que nos cerca e para o qual precisamos dar uma resposta, transformando nossa entidade de luta novamente em apoio para desse partido (PT) que não ilude mais ninguém e está fracassando no país inteiro.

O grande mundo está crescendo todos os dias

Ao contrário do discurso mentiroso do PT de que estamos vivendo uma reação que beira ao fascismo, o que vemos é a juventude saindo em luta, com as minas, os negros e as LGBT’s na linha de frente, com centenas de ocupações contra a PEC 241 e a reforma do ensino. Esse movimento mostra que é possível enfrentar os ataques das reitorias e governos com as nossas próprias forças e pela esquerda do PT. É para ser uma força real dentro desse movimento que queremos fortalecer nossa entidade, nos organizando ao lado de cada estudante da Letras, de nossos professores e dos trabalhadores com os quais forjamos uma aliança inquebrável a partir de nossa ocupação e da defesa de seu direito de greve. É com muito orgulho que recebemos cotidianamente o carinho e agradecimento dos trabalhadores da FFLCH que enfim nos veem como grandes companheiros de luta.

— Oh vida futura! Nós te criaremos.

Na USP, o espelho desse projeto privatista que se fortalece no país é o “USP do Futuro”, uma parceria com as grandes empresas para gerirem os recursos da universidade e colocá-la ainda mais a seu serviço à revelia dos interesses da população. A Reitoria encastelada sob o Conselho Universitário (C.O.) composto por burocratas donos de fundações privadas, justifica todos os cortes, congelamento das contratações e o desmonte nas unidades por uma falta de dinheiro que afirmam ser por conta dos salários dos trabalhadores e professores, enquanto se nega a abrir os livros de contas, e fica calada sobre as centenas de milhões de reais descontados por Alckmin do repasse do ICMS, congelado desde 1995 quando a universidade era menos da metade do que é hoje.

Enquanto lutamos pela democratização da estrutura de poder, a Reitoria aumenta a sua intransigência, determinando até mesmo como deve se dar a representação estudantil, o Conselho Universitário (C.O.) segue em sua postura racista contrária às cotas raciais para negros e indígenas e retirando a permanência dos estudantes pobres, assim como segue punindo as mulheres que lutam e absolvendo os estupradores. Por isso é preciso lutar por uma estatuinte livre e soberana, onde defendamos o fim deste CO e deste reitorado, colocando nas mãos dos professores, trabalhadores e da maioria de estudantes o controle das decisões, para que efetivamente tenhamos uma universidade com sua produção de conhecimento, seu espaço e recursos à serviço dos trabalhadores, das mulheres, negros e LGBT’s!

Já sabemos que quem se levanta para resistir é duramente reprimido, como os trabalhadores que tiveram mais de dois salários cortados simplesmente por exercer seu direito de greve em defesa da universidade (e agora o STF transformou esse ataque ao direito de greve em regra pra todo o funcionalismo), com estudantes processados por realizar festas e lutar por cotas, com o Sintusp tendo sua sede ameaçada pela reitoria, que também processa vários diretores com o objetivo de demiti-los, assim como fez com o companheiro Brandão. Por isso nos colocamos contra todos os processos e pela imediata saída da Polícia Militar do Campus, que assim como nas periferias apenas está aqui para reprimir.

Para nós, a luta contra os ataques nacionais à educação e pela transformação da USP é parte de uma luta maior: garantir o ensino público, gratuito e de qualidade para toda a juventude, e não como um privilégio para poucos como são hoje as Estaduais Paulistas. Por isso defendemos que todo o dinheiro usado para pagar os empresários da dívida pública seja destinado à educação, garantindo o fim do vestibular e a estatização de todo o ensino privado.

“Só agora descubro como é triste ignorar certas coisas”, e com essas grandes ideias chamamos todos a compor, apoiar e votar na chapa Mundo Grande para o CAELL 2017.




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