Gênero e sexualidade

8 DE MARÇO 2020

Confira as principais batalhas que o Pão e Rosas está dando nacionalmente rumo ao 8M

Nesse 8M, lutemos por Justiça à Marielle, pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito e contra a Reforma da Previdência, cercando de solidariedade desde a greve dos petroleiros que já ocorre há mais de 13 dias.

Pão e Rosas

@Pao_e_Rosas

sábado 15 de fevereiro| Edição do dia

Em todo o mundo nos preparamos para a chegada do 8 de Março, dia internacional de luta das mulheres, que ganha ainda mais importância frente ao levante feminino que vimos tomar o mundo nos últimos anos. Lutar no 8 de Março se torna ainda mais necessário com o avanço da crise capitalista mundial que vem para nos impor condições de vida e de trabalho a cada dia mais precárias, escancarando a relação entre o capitalismo e o patriarcado. As mulheres são a maioria entre os pobres e explorados, sofrem com a violência da polícia nas periferias e favelas, têm que enfrentar duplas e triplas jornadas de trabalho e cada vez mais têm seus direitos básicos negados, como o direito ao aborto.

No Brasil, vemos crescer o número de casos de feminicídios enquanto Bolsonaro e Damares se preocupam em zerar o repasse de verba para programas de combate à violência contra a mulher e organizar campanhas irresponsáveis de abstinência sexual, que negligenciam a necessidade de divulgar para os jovens como se prevenir. Junto a isso, com Paulo Guedes chamando servidores públicos de parasitas e difundindo declarações racistas de que empregadas domésticas irem à Disney é uma “festa danada”, ataques como a reforma da previdência seguem sendo aprovados e irão impor às mulheres ainda mais exploração e opressão.

Apesar de os capitalistas recorrerem a ajustes para descontar a crise nas costas da classe trabalhadora e principalmente das mulheres em todo o mundo, internacionalmente vemos que essa saída não está sendo aceita sem luta. A França foi um exemplo de como as trabalhadoras devem resistir e lutar contra a reforma da previdência, passando por mais de 50 dias de greve em categorias estratégicas de trabalhadores, como o transporte de Paris.

Atualmente está acontecendo a greve nacional dos petroleiros, mobilização operária mais forte contra o governo Bolsonaro, herdeiro do projeto privatista do Golpe Institucional e da Lava Jato. A greve, que agora envolve dezenas de milhares de petroleiros em luta começou contra a demissão de 1000 trabalhadores da FAFEN no Paraná e se desenvolveu para questionar de frente a privatização da Petrobrás e a entrega de nossos recursos para o capital estrangeiro. Apesar de ser muito diferente da mobilização da França, essa greve é um grande ponto de apoio para a luta das mulheres, pois se os petroleiros vencem, o governo Bolsonaro, nosso inimigo em comum, fica mais debilitado. No entanto, a mobilização está sofrendo um forte cerco da mídia burguesa e grande repressão da justiça, por isso é essencial a batalha para redobrar o apoio à greve, principalmente por parte de centrais sindicais como a CUT, do PT, que está em diversos sindicatos de diferentes categorias no país e poderia organizar campanhas de solidariedade à greve.

Veja mais: CUT, CTB e esquerda precisam convocar atos de apoio à greve dos petroleiros em todo país

Esse 8 de Março ocorrerá no segundo ano de governo Bolsonaro, que tem as mulheres como suas principais inimigas, o que fica evidente com suas declarações e políticas misóginas. Além de afirmar que sua filha é fruto de uma “fraquejada” e que não estupraria uma deputada porque ela “não merece”, ele teve em 2019 como prioridade garantir a aprovação da Reforma da Previdência, que afetará diretamente a vida das mulheres, nos obrigando a trabalhar até morrer, no trabalho precário, intermitente, terceirizado e sem direitos trabalhistas, assumindo duplas e triplas jornadas de trabalho, e contando com o trabalho doméstico não remunerado.

A Reforma da Previdência foi aprovada em 2019 a nível federal, mas é em 2020 que está sendo aprovada nos estados pelos partidos ligados ao governo e aos interesses capitalista. Mas é importante marcar que o PT que em seus discursos fala contra a Reforma, está sendo agente da aplicação desse ataque no estados que governa, tais como Ceará, Piauí, Bahia e Rio Grande do Norte, estado que é governado por Fátima Bezerra e que está prestes a aprovar a Reforma da Previdência. Além desses estados não podemos esquecer que no Maranhão governado pelo PCdoB, a Reforma da Previdência também foi aprovada. Nós do Pão e Rosas temos atuado para denunciar essa atuação do PT e PCdoB e no Rio Grande Norte também vemos que nossa marcha deve ser clara contra a Reforma da Previdência, desmascarando Fátima Bezerra e trabalhando para que as mulheres entendam que nossos direitos não serão garantidos com uma mulher no poder e sim com milhares pelas ruas em luta e unidade com o conjunto dos trabalhadores, com a juventude, os negros e os LGBTs.

Damares Alves segue com seu reacionarismo através da campanha pela abstinência sexual que busca reprimir a juventude, confluindo com as declarações absurdas de Bolsonaro de que pessoas com HIV são despesas para o país. Um governo que faz uma campanha permanente contra o direito ao aborto e que assim defende que milhares de mulheres sigam morrendo, vitimas de aborto clandestino, por isso temos que fazer uma campanha permanente pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito. Essa é uma pauta histórica do movimento de mulheres e não podemos retroceder. A interrupção de gravidez indesejada afeta principalmente mulheres negras e pobres, que não têm dinheiro para pagar médicos caros e procedimentos mais seguros, e que acabam perdendo suas vidas. Não podemos aceitar! Por isso, para que nenhuma pessoa que possui útero e queira interromper uma gravidez continue morrendo, defendemos: educação sexual para decidir, contraceptivos para não engravidar, e aborto legal, seguro e gratuito para não morrer!

O 8 de Março ocorre quase uma semana antes da data que marcará dois anos do brutal assassinato de Marielle Franco, que segue sendo a ferida aberta do golpe institucional. As diversas ligações da família Bolsonaro com esse crime e a ação da justiça para desvendar os mandantes desse assassinato mostram que não podemos ter nenhuma ilusão de que sem uma investigação independente, que não trabalhe em paralelo, mas que controle todo o processo, será possível chegar a alguma verdade. A investigação do Estado deve ser acompanhada e fiscalizada rigorosamente por uma investigação que seja independente, composta por defensores notórios dos direitos humanos, sindicatos, familiares, parlamentares do PSOL, movimentos sociais e todos aqueles que, ao contrário da polícia e do judiciário, não tem rabo preso com os capitalistas, com milícias e nem nenhum interesse em deixar impune alguém que matou uma parlamentar negra e de esquerda.

Para que isso ocorra, não podemos contar com meras manobras parlamentares e jurídicas, mas só com a mobilização, por isso, esse de 8 de Março deve ser marcado pela luta por justiça à Marielle e Anderson.

Essas são as batalhas que nós do Pão e Rosas queremos levar às ruas nesse 8M, desde agora nos solidarizando com a greve dos petroleiros, vendo isso como ponto de apoio para a nossa luta. Nos organizamos para combater a extrema direita e seu programa reacionário e neoliberal, inspiradas nas grandes mulheres que fizeram história, como a maior dirigente mulher do movimento revolucionário internacional, Rosa Luxemburgo.

Queremos nossos direitos básicos como o direito ao aborto e à aposentadoria digna, queremos a resposta de quem foram os mandantes do crime de Marielle. Mas também queremos uma vida que valha a pena ser vivida, plena de sentido, na qual possamos também aproveitar as belezas do mundo, e não só sofrer implorando por pão e trabalho. Lutamos pelo direito ao pão, mas também às rosas - o comunismo.

Vem marchar junto com o feminismo socialista do Pão e Rosas no 8M, construa essas batalhas conosco!




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