Internacional

CONFERÊNCIA LATINO-AMERICANA E DOS EUA

Confira a intervenção de Cecilia Quiroz da CST do Peru na sessão de encerramento da Conferência Latino-americana e dos EUA

A Conferência Latino-Americana e dos EUA foi convocada pela Frente de Esquerda Unidade da Argentina e realizou-se entre os dias 30 de julho e 01 de agosto, reunindo mais de 40 organizações de todo o continente. Aqui reproduzimos a fala de Cecilia Quiroz da Corrente Socialista das e dos Trabalhadores do Peru.

domingo 2 de agosto| Edição do dia

Ontem 01 de agosto ocorreu a sessão de encerramento da Conferência Latino-Americana e dos EUA. A conferência foi sendo impulsionada pela Frente de Esquerda dos Trabalhadores da Argentina, reunindo organizações e partidos socialistas de todo o continente americano, também contou com importantes mesas de debate na quinta e sexta-feira.

Veja a intervenção completa e traduzida de Cecília Quiroz (CST-Peru)

Bom companheiros e companheiras, eu sou Cecília Quiroz, da Corrente Socialista das e dos Trabalhadores do Peru, organização irmã do PTS e integrante da Fração Trotskista Quarta Internacional

O Peru figura entre os países com mais casos de contagiados pela Covid-19. Mesmo que os dados oficias se mostraram inferiores à realidade, hoje são reportados quase meio milhão de contagiados e cerca de 50 mil mortos. Os hospitais públicos estão colapsados, não há a quantidade de leitos de UTI que se necessita e os trabalhadores da saúde não tem os equipamentos de proteção necessária.

Precocemente Vizcarra implementou a quarentena e o estado de emergência como únicos mecanismos para enfrentar o avanço da pandemia. E via decreto impôs a lei do gatilho fácil dando impunidade a policiais e militares para ferir ou matar aqueles que se manifestem nas ruas. Isto tem levado a que em meio a crise a polícia e o exército reprimam brutalmente aos trabalhadores ambulantes e ultimamente aos campesino de Espinar em Cuzo, onde inclusive utilizaram armas de fogo.

Nesse marco, o governo utilizou o medo da população para implementar planos de resgaste milionários para os banqueiros e os grandes empresários como o plano “Reativa Peru”, a suspensão e as demissões em massa que afetam a centenas de milhares de trabalhadores que em plena pandemia estão ficando sem salário e sem trabalho.

Vizacarra ainda se mantém firme e goza de certa popularidade. E isso porque o governo deu vida a um acordo implícito de unidade nacional contra a Covid-19 e assim pode alinhar sob sua influência a burocracia sindical da CGPT, a partidos de centro esquerda como a Frente Ampla o Novo Peru que não hesitaram em saudar diversas iniciativas do governo como o chamado “bônus universal”, uma assistência mínima que não cobre as necessidades básicas e que chegou para um setor muito reduzido da população, este bônus universal foi apresentado por esses setores da esquerda como “uma vitória popular”. Este acordo tácito com a burocracia sindical e o reformismo também permitiu ao governo aprovar medidas tão reacionárias como a suspensão perfeita dos contratos que promove as demissões em massa. Por isso, Veronika Mendoza convocou a vigiar o governo ao invés de cmbatê-lo, enquanto Marco Arana da Frente Ampla sugere a Vizcarra construir um “país democrático com economia diversificada”.

Tanto o Novo Peru de Veronika Mendoza como a Frente Ampla de Marco Arana, um político com posições similares às que possuía Pino Solanas quando estava em Projeto Sul na Argentina, são os que vem atuando como pilar esquerdo do regime. Esta posição não é nova. Em 2016 chamaram a votar no neoliberal Pedro Pablo Kuchinsky contra Keiko Fujimori. E agora consideram que Vizcrra é um mal menor frente ao fujimorismo. Dessa maneira contribuem a institucionalizar a revolta social que levou a queda de PPK, com a qual afigura presidencial se potencializou.

Evidentemente temos uma diferença política aberta com os companheiros de UNIOS que são parte da Frente Ampla, que nós consideramos que sua participação nesta frente que é uma frente aberta de colaboração de classes com um programa muito limitado de reformas o capitalismo está muito longe da luta pela independência política, da luta por um governo dos trabalhadores.

Neste sentido, impulsionamos a agrupação feminista socialista Pão e Rosas, uma organização internacional de mulheres socialistas e estamos impulsionando também o portal La Izquierda Diario no Peru, que está a serviço das lutas que hoje começam a enfrentar a esse governo,como são os trabalhadores da limpeza, os camponeses, Espinar e muitos setores. Muito obrigado companheiros, uma saudação!

Veja o vídeo completo da sessão de encerramento da conferência




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