Gênero e sexualidade

IGREJA CONTRA AS MULHERES

Confederação de Bispos propõe campanha nacional reacionária pela criminalização das mulheres

Em nota, a Comissão para Vida e a Família da CNBB (Confederação Nacional de Bispos do Brasil), faz uso de preceitos religiosos para arbitrar moralmente sob as mulheres de todo o país para justificar que elas continuem sendo criminalizadas por abortos, não dando a mínima para a vida das mulheres.

Ítalo Gimenes

Campinas

segunda-feira 30 de julho| Edição do dia

Se opondo à realização de uma discussão no STF sobre a descriminalização do aborto, que acontecerá nos dias 03 e 06 de agosto por via da ADPF 422 ministrada por Rosa Weber, o alto clero do país dos bispos brancos da CNBB, chamam uma mobilização nacional de cristãos contra a legalização do aborto.

No texto, desvirtuam a crença e a fé individual de milhões de brasileiros para, alinhados com os corruptos da bancada da bíblia, os golpistas e fundamentalistas do Congresso, defender contraditoriamente o "direito a vida", ignorando as milhares de mortes diárias de mulheres por abortos clandestinos no país.

Afirmam em sua publicação da nota que: "A desaprovação ao aborto, no Brasil, não parou de crescer nos últimos anos". Além de não darem qualquer dado sobre o que afirmam, escondem muitos outros: No Brasil ocorrem mais de 500 mil abortos clandestinos por ano, 1300 por dia, 57 por hora, quase 1 por minuto. Uma a cada 5 mulheres aos 40 anos já abortou. 4 mulheres morrem por dia em decorrência de abortos mal sucedidos. A maioria das mulheres que morrem são mulheres trabalhadoras, pobres e negras. Somente no Rio de Janeiro 43 mulheres estão sendo processados por terem recorrido ao procedimento clandestino do aborto.

O que os "nobres" conservadores fazem é ignorar que o aborto, mesmo criminalizado e ilegal no Brasil, é uma realidade na vida das mulheres. E as mulheres sabem disso pois, ou já abortaram ou conhecem alguém que já abortou. A vida das sobreviventes não foi garantida lei, mas apesar dela. Enquanto isso as clínicas privadas lucram com a clandestinidade. É um tema de saúde pública, além de um debate sobre o direito das mulheres decidirem sobre o próprio corpo e sobre o direito a maternidade.

O debate que será realizado na ADPF 422 se limita a propor uma mudança no Código Penal para descriminalizar o aborto, sem que o direito ao aborto seja de fato legalizado, tampouco garantido pelo SUS, acompanhado de políticas de educação sexual e de prevenção. Mesmo assim, os bispos insistem que o aborto seja tradado como uma questão moral e religiosa, frente a um Estado que suspostamente é laico, ao invés de um tema de saúde pública frente aos dados elencados.

Frente a isso é urgente que todos os processos contra mulheres que abortam sejam retirados imediatamente e que nenhuma mulher seja criminalizada em nosso país por fazer aborto.

Se somam aos conservadoras e dos candidatos do golpe institucional no Congresso que vem há anos impedindo que este direito elementar das mulheres possa ser legalizado. Cinicamente, dizem que "a Igreja sempre assegurou que “o respeito à vida e à dignidade das mulheres deve ser promovido, para superar a violência e a discriminação por elas sofridas”, lembrando que “urge combater as causas do aborto, através da implementação e do aprimoramento de políticas públicas que atendam eficazmente as mulheres, nos campos da saúde, segurança, educação sexual, entre outros, especialmente nas localidades mais pobres do Brasil”.

O que não passa de cinismo hipócrita, pois somente se o aborto fosse legal é que políticas públicas poderiam atender de fato as necessidades das mulheres, de modo que hoje os hospitais gastam milhões tratar das consequências terríveis que as mulheres que decidem se arriscar a vida em clínicas clandestinas sofrem. Nem mesmo a educação sexual os conservadores ligados a Igreja permitem nas escolas, e quem paga por isso são as mulheres e jovens.

Como proposta, a carta da CNBB (que pode ser lida na íntegra aqui), propõe que padres rezem a missa desse próximo domingo pregando contra o direito ao aborto legal seguro e gratuito, contra a sua descriminalização, e esconda a realidade do aborto do país. Além disso, propõe uma uma vigília de oração, organizada pela Pastoral Familiar local da ADPF 422 e que, ao final da vigília, os participantes elaborem uma ata e a ser entregue a Presidência do Congresso Nacional, convocando seus colegas reacionários e golpistas a tomarem medidas contra a descriminalização.

NÃO PERCA: Chamado às mulheres brasileiras: venha marchar dia 8 de agosto pela legalização do aborto

Se apoiando na maré verde argentina, nas milhões de mulheres que saíram às ruas para arrancar a aprovação no Congresso do seu país a legalização do aborto, as mulheres do Brasil podem impulsionar sua próprio mobilização pela legalização do aborto, contra a vontade do alto clero fundamentalista no país. As mulheres Precisam concentrar forças em um grande dia de luta, para arrancar o direito ao aborto sem nenhuma ilusão nas instituições do Estado incluindo o judiciário golpista! Esse dia é o dia 8, quando a terra vai tremer na Argentina e vamos ouvir nossas "hermanas" gritando pelo aborto legal, seguro e gratuito.




Tópicos relacionados

Pão e Rosas   /    Igreja Católica   /    Argentina   /    Direito ao aborto   /    Gênero e sexualidade

Comentários

Comentar