Mundo Operário

TRABALHO PRECÁRIO

Condições desumanas de trabalho na Brastemp e Consul adoecem centenas de trabalhadores

A multinacional Wirlpool S.A, uma das maiores fabricantes de eletrodomésticos do mundo e dona das marcas Brastemp e Consul, está sendo multada no valor de R$ 25,3 milhões pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), por expor trabalhadores a condições que geram doenças ocupacionais como Ler/Dort.

quarta-feira 22 de agosto| Edição do dia

As denúncias contra a Wirlpool são escandalosas e escancaram a brutalidade da exploração do trabalho que a patronal é capaz de exercer sobre os trabalhadores, sugando-lhes a vida e a saúde.

Em 2017, o Grupo Estadual de Ergonomia da Superintendência Regional do Trabalho do Estado de São Paulo fiscalizou a empresa e aplicou 44 autos de infração, comprovando as condições precárias de saúde e segurança dos trabalhadores. A doença LER (Lesão por Esforço Repetitivo) desenvolvida pelos trabalhadores são lesões nos músculos e nervos causadas por tarefas repetitivas, ligadas majoritariamente ao ambiente laboral, e comum em diversas categorias expostas à jornadas de trabalho sob posições e condições insalubres para sua saúde.

As denúncias à Whirlpool incluem a prática de jornada excessiva e ritmo acelerado de trabalho. Os depoimentos e as documentações comprovam uma média absurda de até 3 horas extras por dia, todos os dias, o que nem se quer é permitido pela legislação. Há casos de jornadas com mais de 10 horas diárias. Além do trabalho aos domingos que é algo comum na empresa. De março a maio de 2017 foram identificadas por fiscais 411 ocorrências de prorrogação de jornada além de 2 horas por dia.

Outra denúncia referente a jornada de trabalho é o descumprimento das pausas para descanso. A empresa é obrigada a conceder 10 minutos de pausa para ginástica laboral, proporcionando um descanso àqueles que executam atividades em risco ergonômico. O setor de plástico é um dos setores onde há mais sobrecarga muscular, e ainda assim os trabalhadores não possuem qualquer tipo pausa.

A empresa também não faz nenhum controle de exposição a ruídos ambientais, assim como não implementa nenhuma medida coletiva para prevenção da perda auditiva ocasionada por altos níveis de pressão sonora.

Não bastasse o ritmo de trabalho e as condições hostis a saúde dos trabalhos, que são os verdadeiros responsáveis pelos acidentes de trabalho, a Whirlpool não emite as Comunicações de Acidente de Trabalho (CATs), não reconhecendo as doenças ocupacionais. Cerca de 452 empregados ficaram doentes e não tiveram CAT emitida pela multinacional, sendo que muitos foram lesionados de forma irreversível.

A investigação também concluiu que a Whirlpool não adequou seus postos de trabalho conforme as normas de ergonomia, além de não realizar ações preventivas que para reduzir riscos ergonômicos, enquanto seus funcionários são submetidos a posturas inadequadas e à repetição de movimentos durante longos períodos. A empresa também não executa a diversificação de tarefas dos trabalhadores que praticam atividades repetitivas ou que acarretam sobrecarga osteo-muscular. Além disso, cerca de 90% dos empregados trabalham em pé, sendo que 63% informaram que não é possível interromper as atividades, pois quem determina a atividade é a esteira da linha de produção.

A Whirlpool também não promove a reabilitação de trabalhadores que sofrem por doença ocupacional adquirida na empresa. Isso porque a empresa mantém estes empregados em atividades e funções incompatíveis com as suas restrições físicas, inclusive sem alterar o excessivo ritmo de trabalho. Desta forma boa parte dos trabalhadores voltou a adoecer devido à carga de trabalho.

O inquérito do MPT concluiu que a maioria dos trabalhadores enfrenta extensa carga horária, alto ritmo de trabalho e há número insuficiente de trabalhadores nos setores e células de produção.

O Brasil é um dos campeões mundiais em acidentes e adoecimento no trabalho. As condições denunciadas na Whirlpool se alastram por todos o país, seja em multinacionais ou pequenas e médias empresas. Para a patronal os trabalhadores não passam de peças descartáveis em seus maquinários, cujo a única função é multiplicar seus lucros.

As condições desumanas do trabalho ficaram ainda mais drásticas, e com ainda menos amparo legal após a aprovação da reforma trabalhista, que irá legalizar condições absurdas, como algumas das citadas acima, além de inibir os processos contra as empresas.




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