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Condições de trabalho e atendimento precarizados no Hospital João XXIII: Zema é responsável

Assolados pela pandemia de covid-19, as estruturas já insuficientes dos hospitais não conseguem proteger seus funcionários nem atender a todos os pacientes que precisam. O Esquerda Diário recebeu denúncias de trabalhadores do hospital João XXIII de Minas Gerais a respeito do seu cotidiano.

domingo 17 de maio| Edição do dia

Foto: Estado de Minas

Os profissionais de saúde têm suas condições de trabalho nos hospitais públicos precarizadas há anos, consequência dos cortes, desvios e descaso de diferentes governos buscando abrir portas para privatizações. Agora, assolados pela pandemia de Covid-19, as estruturas já insuficientes dos hospitais não conseguem proteger seus funcionários nem atender a todos os pacientes que precisam.

No Hospital João XXIII em Belo Horizonte, um dos melhores da América Latina, o governador Romeu Zema permite que se forneça aos funcionários apenas uma unidade da máscara N95 para atender aos pacientes contaminados por Covid-19 e outras doenças respiratórias, como tuberculose. Ao final de cada plantão as máscaras são colocadas em envelopes individuais, e estes são guardados juntos em uma caixa tampada, de forma que possivelmente haja uma contaminação generalizada das máscaras, que serão usadas novamente pelos funcionários para o prosseguimento do trabalho.

Um trabalhador ou uma trabalhadora que pediu anonimato disse ao Esquerda Diário que a coordenação do hospital se recusa a distribuir máscaras novas aos funcionários. “Hoje fui buscar uma na coordenação e teve uma ladainha antes da entrega, me senti humilhada e fiquei bastante triste e nervosa com a situação”, relata.

Essa infelizmente é uma realidade na maioria dos hospitais hoje no país, onde faltam máscaras, álcool em gel, e até produtos de limpeza para garantir a prevenção adequada contra o coronavírus, enquanto a lotação hospitalar aumenta cada vez mais. Enquanto isso, em nome do lucro os planos de saúde que gerenciam hospitais privados se recusam a oferecer leitos para uma fila única de UTI, medida básica que evitaria centenas de mortes e desafogaria os hospitais públicos e seus funcionários.

Ainda sobre o hospital da capital mineira, recebemos uma denúncia de que dos dois tomógrafos existentes no hospital apenas um está em funcionamento. O tomógrafo é o equipamento que tem sido utilizado nos hospitais para realizar o exame de Covid-19. Após o atendimento de algum paciente com suspeita da doença, a desinfecção da sala dura em torno de 40 minutos a uma hora de prazo, impedindo seu uso nesse período, enquanto outros pacientes, muitas vezes em situação grave, aguardam para fazer o exame. “Não sei o motivo que não consertam o tomógrafo para realizar os exames de covid separados”, questiona o/a funcionário/a.

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A falta de outros tipos de testagem massiva para detectar o coronavírus acaba sobrecarregando os hospitais. Romeu Zema aceita passivamente algumas migalhas que a grande mineradora Vale, responsável por tragédias ambientais e humanas no estado, oferece para o investimento no combate à pandemia, apesar de que se fossem taxadas as grandes fortunas, como a dos acionistas da Vale e a própria fortuna do governador patrão, o dinheiro disponível para a saúde seria muitas vezes maior.

Zema tem se mostrado inimigo dos trabalhadores desde o início de seu governo. Até o início da pandemia, sequer havia pagado o 13º salário a todos os trabalhadores da saúde, assim como os da educação. Agora, quando a pandemia se agrava no Brasil e em MG, propõe retomar as aulas por EaD no estado a partir de amanhã. Capacho de Bolsonaro, suas decisões políticas se vinculam às do governo federal orquestrado pelos militares, que não se importam com as centenas de mortes ao dia do povo.

Nós do Esquerda Diário estamos ao lado das trabalhadoras e trabalhadores do hospital João XXIII para não permitir que esses absurdos cotidianos passem desapercebidos, e para lutarmos juntos contra os que querem nos precarizar a vida.




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