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Conchavos do PMDB garantem a Pedro Paulo arrecadação eleitoral três vezes maior que todos os candidatos juntos

O pupilo de Eduardo Paes não herdou apenas seus trejeitos faciais e modos de falar, mas também todos os conchavos políticos do PMDB com os empresários cariocas. Sua campanha arrecadou três vezes mais do que todos os outros candidatos à prefeitura juntos.

terça-feira 30 de agosto| Edição do dia

O agressor de mulher e candidato a prefeito Pedro Paulo, do PMDB, herdou de Paes não apenas o jeito de falar e as expressões faciais que o tornam quase uma caricatura do prefeito “nervosinho”, como também, herdou o apoio dos empresários e concessionárias prestadoras de serviço que prosperaram com as licitações e contratos da gestão Municipal do PMDB.

Até então o TRE-RJ registrou 2,5 milhões de arrecadação para a campanha, quase três vezes mais do que a soma do arrecadado por todos os outros candidatos juntos! E este “milagre” em apenas uma semana de campanha se concretizou porque, como disse a manchete do jornal burguês O Dia, os empresários trocaram de CNPJ para CPF, e continuam financiando as campanhas eleitorais como sempre foi. Já as restrições da contra-reforma política, estas são aplicadas dura e exclusivamente à esquerda.

A maior das doações recebidas até então por Pedro Paulo, foram 200 mil vindo do empresário bilionário e processado Marcelo Lírio Gonçalves, que é dono do Hotel Nacional e do laboratório Neoquímica. Gonçalves é amigo do bicheiro Carlinhos Cachoeira e é réu em um processo que corre na Justiça Federal em Goiás, acusado de ter sido beneficiado por uma sentença comprada pelo grupo de cachoeira.

Seu segundo maior doador, Aziz Chidid Neto, é presidente do Grupo Memorial Saúde que comprou o plano de saúde Assim, que por sua vez atende aos servidores da Prefeitura do Rio. Aziz doou 113 mil, e do Grupo Memorial temos doações de 50 mil também por Gianfranco Fazzini e Soraia Chidid Brasoli.

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Outras doações de beneficiados pelos contratos da prefeitura constam na lista, como a Roberto Kreimer, da Kreimer Engenharia, que doou 100 mil e está construindo o Aquário Marinho em terreno cedido pela prefeitura. A Kreimer também foi responsável pela devastação de uma área de proteção ambiental para a construção de um campo de golfe, que fica ao lado de imóveis e condomínios de luxo também pertencentes à construtora. Junto a ele, Rogério Jonas Zylbersztajn da RJZ Cirela, outra construtora e Gabriela Lobato Brandão Marins, da BR Marina que pegou os contratos de revitalização da Marina da Glória, somaram todos juntos 250 mil, 50 de Gabriela e 100 de cada. Da Mktplus Comunicação, que mantém 64,8 milhões em contratos com a Prefeitura, Luis Carlos da Silva, Rodrigo Venancio e Elso Venancio doaram 30 mil cada, diretamente ao PMDB que por sua vez repassou a Pedro Paulo. No total, 1 milhão em doação de pessoas físicas ao PMDB foi repassado ao candidato.

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Como vemos a Reforma Política, defendida por Dilma em 2013 e levada adiante pelo STF, se trata de uma verdadeira farsa no que diz respeito ao combate à corrupção, pois mantém intacto o mesmo esquema de sempre: são os mesmos empresários que financiam as campanhas dos políticos que vão os beneficiar em troca, só com a diferença de que financiam como pessoas físicas ao invés de jurídicas. Uma maquiagem de quinta categoria que não consegue esconder a podridão e a corrupção desta democracia dos ricos.

Um retrato desta política podre veio à tona quando milhares se revoltaram com o machismo e o racismo de Paes ao dizer que uma mulher negra deveria “trepar muito”, isto durante a prática clientelista corriqueira de qualquer político burguês carioca: uma inauguração de obras da qual estão tendo que prestar explicação ao TRE-RJ. Veja aqui a notícia.

Ao mesmo tempo que não combate em nada a corrupção, as novas leis eleitorais se tratam de uma contra-reforma política, pois os mesmos critérios que deixam Pedro Paulo livre para ser financiado pelos donos das concessionárias da Prefeitura, são usadas para banir os partidos de esquerda como PSOL, PSTU e PCB, reduzindo seu tempo de TV ao máximo e permitindo a exclusão dos candidatos destes partidos dos debates televisivos, antes pelos outros candidatos, e agora pelas emissoras.

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E enquanto Pedro Paulo tem dinheiro para pagar os melhores advogados e se safar de todas as regras anti-democráticas, os candidatos da esquerda e qualquer candidato de partido que não receba dinheiro dos patrões tem que se enfrentar com um sem número de regras, desde o tamanho dos panfletos à dificuldade para efetuar uma doação de um apoiador de verdade, regras criadas para dificultar quem tem poucos recursos jurídicos.

Por isso, nessas eleições é necessário fortalecer uma voz anticapitalista no Rio, que mostre claramente como esta democracia dos ricos, governada por uma casta de políticos burgueses e por golpistas, que auxiliados pelo STF tentam através da censura à esquerda calar o descontentamento social com relação aos cortes nos serviços públicos, a desvalorização salarial e o desemprego, causados pelos políticos dos patrões.




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