Mundo Operário

GREVE NA FRANÇA

Comunicado de trabalhadores dos transportes na França anuncia plano para massificar as greves

Transmitimos o comunicado da coordenação da greve dos setores da RATP (empresa de transporte metropolitano de Paris) e da SNCF (ferroviários), publicado neste 27 de dezembro, que pede a massificação da greve nos transportes e a generalização para outras categorias trabalhistas. A base dessas categorias comunica que só sairá da luta quando o governo enterrar totalmente a proposta de reforma da previdência

domingo 29 de dezembro de 2019| Edição do dia

Depois de terem demonstrado que não há trégua, os grevistas reunidos nesta sexta-feira pediram a continuidade e massificação da luta: a base quer generalizar a greve.

“Após demonstrar que não haveria trégua, a base dos trabalhadores quer generalizar a greve!

Nós, grevistas da RATP e da SNCF, reunidos nesta sexta-feira, 27 de dezembro em Paris, estamos determinados a continuar a greve até que arranquemos a retirada da proposta de reforma previdenciária. O governo e seus ministros não têm vergonha de sair de férias enquanto os grevistas estão entrando na quarta semana de greve e os usuários se amontoam no transporte. Se nós decidimos sacrificar as férias em família, não foi para defender nossos interesses particulares enquanto categoria, como infelizmente alguns fazem, mas sim para defender a aposentadoria de todos e um futuro melhor para todos neste país.

É por isso que, como grevistas desde o dia 5 de dezembro, exigimos que as direções das centrais sindicais, das quais algumas parecem também ter saído de férias, coloquem todos os seus recursos a serviço da continuidade e da ampliação do movimento. Isso envolve a criação de um fundo nacional de greve, permitindo que aqueles que em breve perderão o salário de um mês inteiro possam seguir na luta, mas, acima de tudo, estabelecer um plano de luta real que impulsione chamados concretos à generalização da greve em outros setores. Esse é o sentido dessa coordenação, que não se destina a substituir nem se opor aos sindicatos, mas para que sejam os próprios grevistas que tomem em suas mãos os rumos da mobilização.

A ação que impulsionamos a partir da coordenação na Estação de Lyon na segunda-feira, bem como a manifestação auto-organizada na quinta-feira, nos deram a motivação e a legitimidade para enviar uma mensagem clara ao governo, uma mensagem que é confirmada pelos índices de adesão da greve e que indicam que, apesar da guerra que o governo armou contra nós, nós não vamos afrouxar e vamos seguir até a derrubada da reforma!”

Ao fim do comunicado, os grevistas propõe uma agenda, um plano de lutas para a próxima semana para seguir as mobilizações, convocando todos os grevistas a discutir o plano nas assembleias e nos piquetes. O plano incluiu uma manifestação da Estação Gare du Nord, realizada hoje com forte presença dos gilets jaunes que fizeram a polícia recuar; envio de uma delegação para apoiar os grevistas da refinaria em Grandpuits na segunda, 30; realização de um coletivo de imprensa com a presença de todos os setores da RATP e SNCF na terça; forte ação em Paris nas estações e terminais; ações de coleta para fundo de greve, e outras ações que preencherão a semana. Já dia 2 de janeiro os grevistas voltarão a se reunir para discutir os próximos passos da luta que segue com força.

Mesmo com forte campanha da mídia burguesa para deslegitimar a luta dos grevistas, tentando colocar a população contra aqueles que pararam os transportes em meio às festas, os trabalhadores conseguiram arrecadar 1 milhão de euros em doações para o fundo de greve, para permitir que aqueles que tiverem os seus salários cortados possam seguir em luta. Isso expressa forte apoio popular às greves.

O comunicado mostra que a base dos trabalhadores segue a todo vapor e busca tomar os rumos da sua luta em suas próprias mãos, erguem um plano para seguir a mobilização mesmo em meio às festas de fim de ano, contrariando as direções das centrais sindicais, que saíram de férias enquanto os trabalhadores se mostraram dispostos a lutar.

Os trabalhadores franceses mostram o caminho!




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