Teoria

Como um mundo comunista enfrentaria o coronavírus?

domingo 12 de abril| Edição do dia

1) A produção e o trabalho não estariam subordinados a acumulação de capital através da mais-valia, estariam subordinados à responder as necessidades materiais, culturais etc, da humanidade. A produção e trabalho se voltariam para a produção de tudo que fosse necessário para combater o coronavírus em um tempo que para nós é inimaginável.

2) Com a produção voltada para suprir as necessidades humanas, o acesso à testes, máscaras, respiradores, leitos de UTI e todas chamadas EPIs seria tão simples que nós daqui ficaríamos chocados. Imaginem uma população de bilhões de seres humanos, tendo controle democrático de todos os meios de produção tomando decisões coletivas à nível mundial, num nível de participação política sobre os rumos de onde concentrar a força produtiva mundial. O vírus diante disso se tornaria o que ele é, um mal minúsculo. A ONU e a OMS motivos de piadas sarcásticas.

3) Toda ciência e trabalho intelectual em seu conjunto estaria livre da divisão capitalista do trabalho, da medicina, assim como a nutrição, biologia, saúde pública, química, física e um longo etc. As particularidades do campo científico não estariam abarrotadas de especialização sem que estas estivessem deslocadas das relações sociais de conjunto. Logo a ciência em todo o seu campo, concentraria seu exército de bilhões de cientistas que se auto-organizariam para avançar em tratamentos e pesquisas sobre uma cura a nível mundial (todo mundo numa sociedade mundial comunista terá acesso à ciência como hoje temos acesso à fala e a linguagem, sera um fato dado).

4) Todos trabalhariam e compartilhariam o excedente de seu trabalho, a riqueza seria socializada. Não haveria pobres, não haveria nações em crise, não haveria desigualdade social ou de acesso à nada. O sistema imunológico fortalecido e a saúde invejável das pessoas tornaria a mortalidade deste vírus muito mais baixa do que é hoje. Já os grupos de risco, seriam devidamente isolados socialmente, com todo aparato de proteção médica, social e emocional para cuidar dessas pessoas enquanto a pandemia se mantém um perigo para suas vidas.

5) Os infectados com histórico saudável e sem complicações se isolariam também não em suas casas colocando seus familiares em risco (até porque o conceito de família também não mais existiria) mas sim em centros de tratamento que nos daria vontade de ficar infectados com tamanha estrutura de ponta do mais avançado na hotelaria, lazer e tratamento. Todos teriam um grande noção de medicina porque seria um conhecimento socializado, haveria vários médicos entre os infectados, sem maiores dramas. Aqui no Brasil passaríamos nossa quarenta na Pousada do Rio Quente ou em praias paradisíacas.

6) Esse exercício de imaginação política serve para nos lembrar para que serve uma utopia. No final das contas, somente posso fazer breves e hipotéticos comentários que se limitam ao "e se". Todos temos utopias, o cientística mais cético e pragmático tem suas utopias e as persegue. Mas, a utopia comunista cumpre um papel que qualquer utopia burguesa, que ajoelha diante do capital e naturaliza as classes sociais e a propriedade privada, jamais terá capacidade de fazer: coloca o ser humano como o seu próprio sol, produto e produtor do seu mundo, não de forças externas, seja as vontades do Capital ou de deuses. O centro desse sol, quem faz existir toda a realidade social é a classe trabalhadora. É somente dela que pode vir uma reposta consequente para a barbárie que vivemos, porque é ela quem tudo produz, pura e simplesmente.




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