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Como não gostaram do resultado, fazem um golpe de mercado contra o povo trabalhador

Uma demanda de emergência da esquerda: paralisação ativa de 36 horas em defesa do salário e do emprego. O fim da trégua deve ser imposto à CGT (Confederação Geral do Trabalho da República Argentina) e à CTA (Central de Trabalhadores da Argentina). Por uma saída de fundo para que a crise seja paga pelos capitalistas.

quarta-feira 14 de agosto| Edição do dia

Os resultados das eleições de domingo deram lugar a abertura de um novo momento da crise.

Como advertiu a Frente de Esquerda e de Trabalhadores - Unidade durante toda a campanha para as PASO (Primarias Abertas Simultâneas e Obrigatórias, primárias das eleições argentinas), o pior ainda não acabou, mas ainda está por vir da mão das imposições do capital financeiro internacional e do FMI, e as patronais não hesitaram em descarregar a crise sobre o povo trabalhador através de inflação, demissões e suspensões.

Menos de 24 horas depois da eleição, os “mercados” (quer dizer, os grandes banqueiros, empresários e latifundiários) estão mostrando como funciona a “democracia” capitalista. Como não gostaram do resultado eleitoral, que foi um duro revés para o Governo Macri, que é agente direto de seus interesses, alguns poucos investidores desataram uma corrida contra o peso e fuga de capitais que, até o momento, levou o dólar a mais de 60 pesos.

As consequências imediatas são que está se aprofundando o ataque ao salário, às aposentadorias, aos planos de assistência social e se acelera uma recessão com demissões. Em supermercados de todo o país já estão se remarcando os preços.
Durante as próximas horas veremos como se recrudesce a inflação, afetando a vida de milhões.

A população vota, mas sob este sistema capitalista o destino do povo trabalhador é decidido pelos “mercados”.

Paralisação ativa de 36 horas já e plano de lutas

Enquanto a grande maioria da população começam a sofrer um novo golpe a suas condições de vida, as cúpulas sindicais da CGT e da CTA seguem olhando para o outro lado. São as mesmas burocracias que nos chamara a deixar passar os ataques de Macri durante anos, pedindo que somente esperemos as eleições e façamos campanha pela Frente de Todos.

É necessário impor agora que rompam com a trégua. Temos que impulsionar uma forte campanha em todo o país, com assembleias em todos os locais de trabalho, para exigir que impulsionem já uma paralisação nacional ativa de 36 horas, com mobilização, e que se continue com um plano de lutas, em defesa dos salários, das aposentadorias e dos planos sociais. Que convoquem um Congresso de Delegados de base com mandatos onde se vote um programa para defender os interesses do povo trabalhador.

Entre as reivindicações de emergência mais importantes temos que demandar: para que não liquidem nossa renda, lutar para impor uma cláusula-gatilho para que os salários, aposentadorias e planos aumentem de forma automática no mesmo nível da inflação todos os meses; anulação dos tarifaços, que se revertam aos níveis de 2016 e depois não possam aumentar mais que os salários; defesa de todos os postos de trabalho, apoio a todas as lutas e ocupações sob gestão operária de toda empresa que feche ou despida massivamente, exigindo sua estatização.

Para uma saída de fundo

Mas além dessas medidas de emergência, o destino do povo trabalhador depende da reorganização do país sobre novas bases.

Nestes meses se seguirão aprofundando os ataques a maioria da população. Por isso é urgente que para a classe trabalhadora e o povo oprimido que tomemos o destino em nossas mãos, se não queremos que uma vez mais uma crise termine com um saque como o de 2001 e tantas outras vezes, que estão presentes na memória popular.

Para isso é necessário discutir quais são as medidas de fundo que necessitamos.
O candidato da Frente de Todos, Alberto Fernández, vinha pedindo a necessidade de uma desvalorização da moeda. Por sua vez, seus correspondentes económicos disseram que não romperão como o FMI e que “honrarão” as dívidas com o capital financeiro internacional.

Desde o PTS e a Frente de Esquerda e de Trabalhadores - Unidade cremos que por esse caminho só se aprofundarão as penúrias populares. Para evitar a catástrofe colocamos como medidas fundamentais: a ruptura com o FMI e não ao pagamento da dívida, dinheiro para trabalho, saúde, educação, moradia e aposentadorias; nacionalização dos bancos para evitar a fuga de capitais e defender as poupanças populares; monopólio estatal do comércio exterior; basta de tarifaços, estatização sob gestão dos trabalhadores e controle dos usuários de todas as empresas de serviços públicos; expropriação dos grandes latifundiários; pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito e todas a demandas do movimento de mulheres.

Nesse caminho, nós, que colocamos que a única saída de fundo pode ser um governo dos trabalhadores e do povo oprimido, mas sabemos que esta perspectiva ainda não é compartilhada pelas grandes maiorias, fazemos uma proposta de emergência frente a crise para poder levar adiante este programa: lutar por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana que discuta e resolva as medidas para satisfazer as necessidades do povo trabalhador, que a crise seja paga pelos capitalistas e reorganizar o país sobre novas bases. Vamos impedir desta maneira que sejam "os mercados" e as instituições deste regime para ricos que decidam, como o Senado reacionário e antidemocrático que responde aos governadores ajustadores e se renova somente por terços, ou a Corte Suprema de Justiça que endossa a precarização do trabalho e todas as medidas antipopulares.

Nós demandamos uma Assembleia Constituinte livre e Soberana, que seja capaz de expressar verdadeiramente a vontade popular, que seja conformada por um deputado cada 20 mil habitantes, e que seus membros não formem uma casta privilegiada como as que povoam o Congresso atual, mas que todos aqueles deputados seja revogáveis e pagos com mesmo salário que um professor. Uma Constituinte que tenha plenos poderes para abordar todos os grandes problemas nacionais sem restrições, que não esteja limitada por nenhum suposto “contrapeso” e nenhuma das instituições do atual regime tenha o direito de suspender ou vetar as medidas que esta vote.




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