Mundo Operário

CONTRA A DIREITA E O GOVERNO

Como lutar por um polo dos trabalhadores ligado à luta de classes?

Frente aos ataques cada vez mais duros aos trabalhadores e frente à burocracia sindical que tem sido o principal elemento de contenção das lutas, se faz cada vez mais necessária a construção de um polo dos trabalhadores, com independência de classe, antigovernista e antiburocrático que realmente atue nas lutas em curso buscando levar toda solidariedade às greves e confluir com os setores mais avançados da classe que resistem ao plano de ajustes. Grande parte da esquerda hoje está longe de cumprir este papel.

Bruno Gilga

Representante dos trabalhadores no Conselho Universitário da USP

Pablito Santos

Executiva Estadual da CSP-Conlutas

sábado 7 de novembro de 2015| Edição do dia

Frente aos ataques cada vez mais duros aos trabalhadores e frente à burocracia sindical que tem sido o principal elemento de contenção das lutas, se faz cada vez mais necessária a construção de um polo dos trabalhadores, com independência de classe, antigovernista e antiburocrático que realmente atue nas lutas em curso buscando levar toda solidariedade às greves e confluir com os setores mais avançados da classe que resistem ao plano de ajustes. Grande parte da esquerda hoje está longe de cumprir este papel.

O PSOL e a Frente pra deixar Dilma e o PT sem medo

No início de Outubro formou-se a “Frente Povo Sem Medo”, uma frente permanente na qual o MTST conseguiu articular parte da esquerda, principalmente o PSOL, com a UNE e a CUT, que está não só defendendo o governo, mas diretamente implementando medidas do ajuste, como o PPE.

Esse mês o Congresso da CUT, que aprovou o PPE, reuniu em uma mesa Guilherme Boulos, do MTST, Lula, Dilma, e o presidente da CUT, Wagner Freitas, que ressaltou a importância da Frente como uma “Frente que serve para defender a democracia” e no mesmo discurso disse abertamente que “vamos fazer as críticas... mas no fim estamos juntos(...) Já fomos, estamos e voltaremos às ruas para defender o mandato da presidente Dilma".

A Frente marcou um ato no dia 8/11 - um domingo, de modo a não atrapalhar não só a produção, mas nem sequer a circulação - e definiu foco em Cunha e Levy, poupando Dilma.

Não há independência de classe longe da luta de classes

A CSP-Conlutas, na qual o PSTU é direção majoritária, convocou a realização de um ato e um encontro que reuniram milhares de trabalhadores em São Paulo em Setembro, com eixos de denúncia do governo e da oposição de direita e realizou pequenos atos no “Outubro de lutas”. No entanto, isso não se transformou em uma alternativa nas lutas e greves que se seguiram.

O peso da esquerda não pode ficar dedicado a atos e encontros que não servem para potencializar as lutas concretas que os trabalhadores já estão dando contra o ajuste. Como colocou naquele encontro o companheiro Adaílson, rodoviário demitido de Porto Alegre, “queremos ver a força reunida nesse encontro se mostrar nos piquetes dos rodoviários que seguem demitidos, assim como os metroviários, e nas demais lutas dos trabalhadores”. Não vimos.

Na GM de São José e na greve de petroleiros, é possível a mais ampla solidariedade

Os petroleiros se levantam na maior greve nacional dos últimos 20 anos, se enfrentando com a burocracia sindical que divide os trabalhadores inclusive organizativamente. Outro exemplo importante é a GM de São José dos Campos, em que a última greve que demonstrou enorme disposição de luta, se encerrou com o lay-off que o sindicato dirigido pelo PSTU anunciou que aceitaria desde o primeiro dia da greve, e a suspensão das 800 demissões até o fim do ano. Todos sabemos que depois desse prazo a empresa voltará a atacar e a demitir, como vem fazendo há anos, e esse período de trégua seria decisivo para preparar um plano de luta capaz de impedi-lo.

Nossa exigência à esquerda é que coloque toda sua força material e de militância a serviço destas lutas, para que sejam batalhas exemplares. O problema é que como expressamos acima a esquerda não se coloca este objetivo.

Nós do MRT, com nossas forças, buscamos na prática atuar como um embrião de polo para a luta de classes. Em greves como a dos Correios, que foi nacional e conseguiu derrotar importantes ataques, buscamos colocar toda nossa força. Outros exemplos podemos dar, como na Prefeitura da Universidade de São Paulo onde enfrentamos o desmonte e a possibilidade de demissões. Com democracia operária e uma forte discussão de solidariedade de classe, além de disposição militante e confiança na nossa classe, várias lutas que viemos participando podem mostrar, na prática, que se a esquerda jogasse todo seu peso o destino de muitas greves poderia ser distinto, e o tal “terceiro” campo que tanto falam o PSTU e setores do PSOL poderia fazer algum sentido concreto.

O jornal Esquerda Diário impresso tem sido o principal instrumento para essa orientação. Com ele temos chegado, além da versão digital, a milhares de trabalhadores, a dezenas de greves no país, com o objetivo de apoiar ativamente estas lutas e confluir com o mais avançado da vanguarda operária, estudantil e do movimento de mulheres. Colocaremos no próximo período nossa força material e de militância para lutar e colocar de pé um verdadeiro polo para a luta de classes na GM, onde milhares na porta dessa fábrica podem significar uma grande pressão à patronal, e também nas dezenas de assembleias e piquetes dos petroleiros país afora.




Tópicos relacionados

Frente Povo Sem Medo   /    Mundo Operário

Comentários

Comentar