#30J

Como foi 30J em Campinas

Neste 30 de Junho viu-se uma demonstração de luta Brasil afora, contra as reformas da corja golpista e do governo Michel Temer, que querem retirar conquistas da classe trabalhadora. Trabalhadores e jovens foram às ruas para lutar contra as Reformas da Previdência e Trabalhista, gritando FORA TEMER, mesmo com a traição das grandes centrais sindicais.

Cássia Silva

estudante de Ciências Sociais na Unicamp e militante da Faísca

domingo 2 de julho| Edição do dia

FOTO: Carta Campinas

Para o 30 de Junho em Campinas, os trabalhadores do Nossa Classe e a juventude Faísca vieram construindo há semanas uma grande campanha nacional “Tomar a Greve Geral em nossas mãos”, para construir um dia nacional de luta muito forte, mobilizando os trabalhadores e a juventude em seus locais de trabalho e estudo apesar da trégua das burocracias sindicais e estudantis, contras as reformas, pela derrubada de Temer e exigindo uma assembleia constituinte livre e soberana.

Em cada lambe e cartaz colado, em cada panfleto que distribuímos, era evidente o ódio da classe trabalhadora contra o governo e não faltaram manifestações de apoio a greve geral.

Ontem, no próprio 30J, paramos a principal avenida da maior região da cidade, a Ruy Rodrigues na região do Ouro Verde, gritamos contra Temer e suas reformas e dialogamos com a população. Trabalhadoras terceirizadas expressaram sua indignação contra a situação imposta pelo governo golpista de Temer e também contra o assédio dos patrões, apoiando esse dia de luta.

Além disso marcamos nossa presença no ato que se concentrou no Largo do Rosário com dezenas de estudantes, jovens e trabalhadores agitando nossas bandeiras e demandas.

Juventude Faísca sacudindo a manifestação no centro da cidade com os professores

O dia de luta que foi abafado e ignorado pela grande mídia, que torcia amedrontada junto a burguesia para que passasse em branco, amanheceu na capa de todos os jornais do país e em Campinas não foi diferente.

Houveram também cortes de ruas e avenidas por toda a cidade, como Santos Dumont, Amoreiras e John Boyd, e paralisações parciais de fábricas, Correios, bancários, postos de saúde e do INSS e outros locais de trabalho, e início da greve da refinaria da Petrobrás em Paulínia, Replan .

Traidoramente as grandes centrais sindicais, guiadas por seus interesses próprios e alheios aos trabalhadores, colocaram o pé no freio neste dia que poderia ter sido maior que o 28A. Em Campinas, o sindicato de motoristas de ônibus, dirigido pela Força Sindical, que tinha nas mãos a possibilidade de parar todo o transporte metropolitano e instaurar o cenário de greve geral, como foi no dia 28A, seguiu a linha traidora nacional de sua central e se colocou fora da mobilização já nas semanas anteriores e impediu que a categoria paralisasse. Trouxeram seu maior ícone, o deputado federal Paulinho da Força para coibir os trabalhadores e para “conversar com seu parceiro do Solidariedade”, o Secretário Municipal de Esportes, Dario Saadi, reforçando sua aliança com o PSB e a prefeitura de Jonas Donizete.

As burocracias sindicais da CUT e da CTB também baixaram suas bandeiras visando as eleições em 2018 e não construíram a greve. A CUT aproveitou as férias das escolas para tirar o corpo fora de suas responsabilidade com os professores e a CTB, apesar de votar por paralisação na UNICAMP, manteve seu “pacto de não agressão” com seus antigos aliados, a prefeitura do PSB e não paralisaram os servidores municipais, contribuindo para que no mesmo dia a prefeitura ameaçasse parcelamento dos salários novamente.

O resultado disto foi uma paralisação geral mais fraca do que o dia 28A mesmo com apoio e disposição dos trabalhadores para lutar por seus direitos. Até mesmo o ato na região central contou com 800 pessoas sendo que no dia 28A participaram 8 mil.

Por isso defendemos tão arduamente que os trabalhadores precisam superar as burocracias sindicais e tomar a greve em suas mãos. Infelizmente algumas organizações de esquerda ignoram este problema e seguem as burocracias sindicais chamando apenas unidade, sem criticar tais centrais sindicais e sem apontar um caminho independente que fortaleça a auto organização dos trabalhadores como é o caso do MAIS e do PSTU. O PSOL, que dirige o sindicato de químicos e tem forte peso no funcionalismo público e nas universidades, contando com a única vereadora da cidade, tampouco tomaram em suas mãos a responsabilidade de construir uma alternativa, sem utilizar sua bancada e suas entidades para exigir das centrais sindicais que construíssem realmente a Greve Geral. Mesmo estando na luta, seguem a unidade com as burocracias sindicais acriticamente, inclusive, no caso do MAIS e do PSOL, estando na mesma “Frente pelas ‘Diretas, Já!’ “ com o partido golpista que comanda a prefeitura da cidade, não vendo que são adversários da greve geral. Por outro lado a INTERSINDICAL, dirigida pela ASS, que tem forte peso na cidade com o Sindicato dos Metalúrgicos e de Correios preferiu agir por conta própria, isolando essas duas importantes categorias do conjunto da mobilização em Campinas, o que também poderia ter sido decisivo para pressionar as categorias que não paralisaram e mudar os rumos do 30J em Campinas.

Reafirmamos que a classe trabalhadora tem armazenada em si uma grande vontade de lutar, como mostraram as trabalhadoras terceirizadas que compuseram nossa manifestação na Ruy Rodrigues, ser sujeito político e colocar um basta nas reformas que a burguesia e os golpistas querem impor para que sejamos nós os que paguem pela crise. Precisamos superar as burocracias sindicais que só pensa em seus próprios interesses e tomar a luta e a construção de uma verdadeira greve em nossas mãos.




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