Internacional

ESCREVE NICOLÁS DEL CAÑO

Como enfrentar os ajustes e os decretaços

Os desafios da esquerda e dos lutadores diante dos primeiros ataques de Macri.

Nicolás del Caño

@nicolasdelcano

sexta-feira 18 de dezembro de 2015| Edição do dia

Não passada nem uma semana da posse de Macri e muitos dos planos que denunciávamos na campanha já estão em marcha. "Vocês tinham razão", nos dizem nas ruas.

A "revolução da alegria" é uma série de medidas a favor dos "donos do país". A eliminação das retenções ao campo e as baixas da indústria, o aumento de preços, o tarifaço que está por vir, tiveram como cereja do bolo uma desvalorização de pelo menos 40%.

"Não sabemos a quanto vai estar o dólar amanhã", disse Prat Gay. O que é seguro é que a desvalorização vai terminar afetando o bolso do povo trabalhador. Porque esse é o objetivo: liquidar o salário, que querem que aumente por baixo da inflação.

A desvalorização de 2002 fez o salário real cair mais de 30% e a de janeiro de 2014, 5%. Não foi mágica. Primeiro acelera-se e mais tarde a recessão traz demissões.

Não nos prestamos à armadilha de Macri

Esse é o plano de governo dos empresários encarnados por Mauricio Macri. E esse foi um dos motivos de nosso rechaço a nos reunir como fizeram os outros ex-candidatos presidenciais. Mas também rechaçamos os métodos cada vez mais antidemocráticos com que toma suas medidas.

Como apresentei na carta que enviei ao Presidente, desde a Frente de Esquerda não vamos legitimar um governo que se presta a empurrar os ajustes por decreto. Essas reuniões "para foto" tinham o objetivo de apresentar como "dialoguista" um governo que começa a implementar um brutal ajuste sobre o povo trabalhador, e que vai fazê-lo mediante decretos e resoluções. Ao mesmo tempo que nos convocava à reunião, anunciava que não chamaria sessões extraordinárias do Congresso, com o qual deixava claro que nem sequer ia permitir o mínimo debate. Para Macri não há tanta preocupação com sua falta de maioria parlamentar sem a possibilidade de que o debate se transforme em cena de mobilizações dos trabalhadores e dos setores populares.

Scioli e Massa, ao se prestarem à farsa do "diálogo", confirmaram o que denunciei na campanha, que seu rechaço ao ajuste era pura demagogia. Parece que seu verdadeiro lema é "o que ganha ajusta e o que perde acompanha".

Alguns companheiros nos apresentaram que havia que ir e dizer o que opinamos, nossas diferenças. Mas o "diálogo" era uma armadilha. O importante era a foto para depois avançar com seu verdadeiro plano de medidas. Em troca, nosso rechaço e os motivos tiveram enorme repercussão pública, o que confirma que a Frente de Esquerda é uma voz na realidade política nacional.

Com essa responsabilidade, desde o PTS na Frente de Esquerda decidimos lançar essa semana uma campanha contra os decretaços e pela abertura de sessões. Queremos que debatam de frente com o povo as medidas que já estão sendo implementadas e que vão afetar os interesses vitais de milhões de argentinos. Mas também, a Frente de Esquerda tem toda uma série de projetos urgentes: salário mínimo igual ao custo de vida de uma família; atualização dos salários de acordo com a inflação; proibição de demissões por 24 meses; terminar com todas as formas de precarização do trabalho; bônus especial de fim de ano para compensar os aumentos siderais do último mês; eliminação dos impostos aos lucros para os trabalhadores de baixo convênio; 82% móvel a todos os aposentados, não só para a mínima. São parte de um programa para que a crise seja paga pelos capitalistas, como apresentamos nesse diário.

Organizar a resistência

Frente à situação, estamos convencidos que tem de se organizar a resistência contra o gabinete de guerra de Macri e seus planos. A burocracia sindical até agora não moveu um dedo e adiantou que está disposta a ser parte de um "Pacto Social" com os patrões que deixe passar o ajuste. Em troca, a esquerda e o sindicalismo combativo estamos dando mostras de que vamos enfrentar essa "revolução da alegria" para os empresários.

Estamos dando passos. No sábado, 12, estive em Madygraf sem patrões, um símbolo de quem se negou a pagar a crise dos empresários. Eles organizaram junto a comissões internas e delegados da Zona Norte um encontro de trabalhadores que se propõe a confluir com outros setores para coordenar e unir quem quer enfrentar o ajuste.

Foi um importante passo, porque temos que começar agora a organizar e mobilizar para defender nossos interesses.

Além disso, estamos propondo aos partidos integrantes da Frente de Esquerda convocar um grande ato para repudiar as medidas do governo e dos empresários, e apresentar nossa saída.

Queremos que os milhares de trabalhadores, mulheres e jovens que veem na Frente de Esquerda uma alternativa para enfrentar os capitalistas se somem na militância conosco por essa perspectiva.




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