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MINAS GERAIS

Como derrotar a direita e o golpismo em MG? Um debate com os votantes de Dilma e Pimentel

Um debate com aqueles que acreditam que votar em Dilma, em Pimentel e no PT seria o caminho para combater o golpismo de Temer, Anastasia e Aécio Neves e a extrema direita representada por Bolsonaro.

Flavia Valle

Professora, Minas Gerais

domingo 16 de setembro| Edição do dia

Essas são eleições manipuladas, uma continuidade do golpe que começou com o impeachment em 2016. O povo foi impedido pelo judiciário de votar em quem quiser, com a prisão e o veto à candidatura de Lula, porque os golpistas querem escolher a dedo o próximo presidente para atacar nossos direitos, como Temer veio fazendo, servindo aos capitalistas e banqueiros e descarregando a crise econômica nas costas dos trabalhadores e do povo pobre.

Em Minas Gerais, Antônio Anastasia, amigo do corrupto Aécio Neves, representa a direita golpista e recebe os votos dos apoiadores de Bolsonaro e de Alckmin. O PSDB quer voltar ao governo de MG para atacar nossos direitos ainda mais rápido do que Pimentel vem fazendo, e apoia as medidas autoritárias do judiciário, que prende Lula mas deixa Aécio solto e candidato.

Nossa candidatura a deputada federal em MG, que é parte das candidaturas do MRT, coloca em primeiro plano a luta contra Bolsonaro, os golpistas, o judiciário arbitrário e os militares, mas consideramos fundamental abrir um diálogo com todos que seguem apostando no PT como alternativa contra essa direita.

Pimentel e Dilma prometem que votando no PT eles farão o "Brasil feliz de novo", mas já mostraram nos últimos anos que governando com a direita e com os capitalistas abriram espaço para o golpismo, não resistiram seriamente ao golpe (o que só poderia ser na luta de classes) e agora se preparam para voltar ao governo com os mesmos conchavos de sempre.

Além disso mesmo uma vitória eleitoral contra Bolsonaro ou Anastasia não resolve a situação, porque com o apoio de mais de 20% do eleitorado, Bolsonaro, a direita golpista e o judiciário vão pressionar ainda mais qualquer governo eleito para a direita e contra o povo trabalhador, tanto nacionalmente como em MG. É preciso uma alternativa de combate para além das eleições, que supere o PT pela esquerda.

Os governos de Pimentel e de Dilma

Tanto Dilma como Pimentel já mostraram que em tempos de crise econômica eles também descarregam ataques contra os trabalhadores, ainda que possa ser em profundidade e ritmo diferentes dos da direita e dos golpistas. Em 2015 Dilma cortou no total 10,5 bilhões da educação e cortou em direitos trabalhistas como o seguro-desemprego, pensão por morte e auxílio-doença, apesar de ter prometido na campanha eleitoral em 2014 que não faria isso "nem que a vaca tussa". Também fez muitas privatizações, entre elas o leilão da maior reserva de petróleo do Brasil em 2013, o campo de Libra, na Bacia de Santos.

Pimentel também vem mostrando para quem governa aqui em Minas Gerais, e vem atrasando e parcelando salários do funcionalismo com a desculpa de um déficit anual de 8 bilhões, enquanto deu 13,8 bilhões em isenções fiscais para os capitalistas só em 2017, inclusive para empresas como a corrupta JBS. E para diminuir esse déficit, Pimentel ainda propõe uma Reforma da Previdência semelhante a que o tucano João Doria tentou fazer em São Paulo, com criação de fundos privados autônomos que substituam a responsabilidade do Estado.

Pimentel sempre diz que há um boicote de Temer contra o estado de Minas Gerais, dando a entender que essa seria uma das grandes causas da precária situação financeira do estado. Certamente Temer e os golpistas do PSDB querem prejudicar os governos petistas e as medidas de bloqueio de verbas do estado devem ser repudiadas, mas o valor do bloqueio de verbas que o próprio Pimentel denunciou, de 360 milhões, é irrisório perto do valor que o governo mineiro dá, por exemplo, às grandes empresas em isenções fiscais, que como dissemos foram no valor de 13,8 bilhões somente em 2017, 38 vezes maior que o valor do bloqueio de Temer.

Em junho de 2013, quando milhões foram às ruas por direitos sociais, por "educação padrão FIFA", questionando os gastos com a Copa do Mundo, Assim como a direita, Dilma, Haddad e o PT condenaram as manifestações, criminalizaram manifestantes e descarregaram uma enorme repressão, que somente em Minas Gerais deixou 3 mortos.

Pimentel também reprimiu diversas vezes manifestações. Em 2015, reprimiu os jovens que lutavam contra os aumentos no preço do transporte público, em 2016 reprimiu manifestações estudantis contra a PEC 55 de Temer, que colocou um teto aos gastos sociais. Quando estávamos em luta contra a PEC o PT teve essa postura, então não podemos acreditar na demagogia que fazem agora de que vão revogar a PEC do teto dos gastos e os ataques do Temer. E já neste ano quem sofreu com as bombas e balas de borracha da PM a mando de Pimentel foram os trabalhadores da educação em greve.

Dilma usou as tropas do Exército Brasileiro nas ocupações assassinas nas favelas, como na Maré no Rio em 2014, e também na ocupação militar no Haiti, onde ocorreram centenas de casos de agressões, assassinatos pelas forças militares e estupros.

Também houve um encarceramento em massa da população negra, e nos governos petistas o número de presos foi de 308 mil em 2003 a mais do que o dobro, 726 mil detentos em 2016, um aumento de 135%. sendo que mais de 40% dos presos no Brasil nem foram julgados. Número que segue crescendo com Temer.

Um caminho para derrotar a direita?

Recentemente Lula já disse que "perdoou os golpistas" e Dilma disse que "perdoou quem bateu panela". E Pimentel já afirmou em entrevista à Globo (aos 8:50 do vídeo) que quer voltar a governar com o MDB mineiro, os mesmos parlamentares que votaram a favor do impeachment, das reformas e privatizações de Temer e protegeram o presidente golpista das investigações por corrupção. Isso mostra que o PT não vai enfrentar a direita golpista nem a extrema direita representada por Bolsonaro, mas sim voltar ao governo para tentar a velha conciliação, mas agora em plena crise econômica, política e social. Diferentemente do período de crescimento econômico internacional durante o governo Lula, a crise que vivemos agora levará a ainda mais ataques econômicos com a desculpa da “responsabilidade fiscal”. Essa política de conciliação só pode levar a mais derrotas e ataques contra os nossos direitos, enquanto também não tocam em nenhum privilégio dos políticos e juízes que ganham montantes absurdos de dinheiro público.

O PT não é uma alternativa para derrotar os golpistas pois essa batalha vai muito além das urnas, mas a candidatura de centro-esquerda de Ciro Gomes é menos ainda qualquer alternativa. Eles fazem demagogia com nossos direitos mas vão seguir pagando a dívida pública que rouba nosso dinheiro e entrega 1 trilhão por ano para banqueiros e especuladores internacionais e nacionais. Por isso tanto Fernando Haddad como Ciro Gomes dizem que farão alguma Reforma da Previdência, assim como Pimentel defende em Minas Gerais.

Leia mais : Ciro Gomes não é nenhuma alternativa para enfrentar a direita golpista

Dilma, apesar de ser uma mulher no poder, ao contrário de avançar na legalização do aborto, em 2010 escreveu a “Carta ao Povo de Deus” durante as eleições dizendo que não defenderia o direito ao aborto legal, seguro e gratuito nem o direito de união homoafetiva.

Em 2013, Dilma também foi responsável, costurando acordo com os evangélicos, pela posse do pastor Marco Feliciano (PSC) na Comissão de Direitos Humanos na Câmara dos Deputados, o que desencadeou uma onda de manifestações contra todo o machismo, racismo e homofobia do deputado que era base do governo petista.

Temos que construir uma alternativa anticapitalista e revolucionária para superar o PT pela esquerda

Ao contrário das propostas conciliadoras, é preciso construir uma alternativa à esquerda do PT em Minas Gerais e no Brasil, que seja anticapitalista e baseada na luta de classes, para combater o golpismo e a extrema direita representada por Bolsonaro nacionalmente e por Anastasia, Aécio e o MDB no nosso estado.

O voto no PT e a justificativa de que é o "menos pior" e "o que temos pra agora", seguiria atrasando a construção de uma força para ir além do petismo, cada vez mais necessária. Foi essa lógica de ir de “mal menor em mal menor”, que levou ao golpe institucional, pois são estes que permanentemente conciliam com os golpistas e os capitalistas. O PT faz uso dessa campanha de que são o "mal menor", para serem eleitos e voltarem a governar com conciliação e para os capitalistas. Querem que sejamos somente eleitores de 4 em 4 anos, e não sujeitos da construção de uma alternativa anticapitalista da classe trabalhadora, das mulheres, da juventude, dos negros e dos LGBT.

Leia mais: O PT como "mal menor" ajuda a combater o golpismo e a direita?

Precisamos construir uma esquerda que vá muito além das eleições e dos gabinetes parlamentares - ainda mais em tempos de golpe - e que saiba que será com greves, manifestações e ocupações que vamos barrar o avanço autoritário do judiciário, que hoje tem inclusive o apoio das Forças Armadas, que vem se pronunciando a favor da prisão de Lula e do veto à sua candidatura.

A força das mulheres, que agora estão se colocando à frente da luta contra Bolsonaro e os golpistas com os atos do dia 29, bem como os milhões que estão se expressando por trás do voto em algum “mal menor”, são uma enorme força social que pode barrar essa direita e fazer com que os capitalistas paguem pela crise no terreno da luta de classes.

Leia mais: Mulheres à frente contra Bolsonaro, o golpismo e para que os capitalistas paguem pela crise

Defendemos um programa para que os capitalistas paguem pela crise, e por isso lutamos pelo não pagamento da dívida pública ilegal, ilegítima e fraudulenta que rouba nosso país.

Contra o judiciário golpista que não foi eleito por ninguém e vive cheio de privilégios, defendemos que os juízes sejam eleitos, com mandatos revogáveis e ganhem o mesmo salário que uma professora. E que os casos de corrupção sejam julgados por júris populares.

Defendemos todos os direitos das mulheres, pela igualdade salarial entre homens e mulheres e entre negros e brancos, e lutamos pela legalização do aborto junto a milhares de mulheres que foram às ruas em todo o país.

Sabemos que para isso teríamos que mudar a constituição defendendo com unhas e dentes a soberania popular contra a intensa politização reacionária das Forças Armadas, em que um general que é vice de Bolsonaro já disse que poderia mudar a constituição sem apoio popular. Por isso defendemos uma nova Assembléia Constituinte Livre e Soberana imposta pelas lutas que permita levar à frente a luta contra a extrema direita e que dê respostas pela raiz aos problemas que nenhum candidato se propõe a tocar, como o não pagamento da dívida pública e a re-estatização das empresas como a Petrobras e as mineradoras, sob gestão dos trabalhadores e com controle popular.

Para que tudo isso seja possível precisamos retomar os sindicatos para a luta. Hoje a maior parte dos sindicatos de Minas Gerais estão sob direção da CUT. A CUT e CTB foram peça chave de dar estabilidade ao governo Temer, cancelaram e traíram greves gerais, apostando todas as fichas no #Lula2018 já desde 2017. A CUT também foi fundamental para que Pimentel conseguisse derrotar a greve da educação e tantas outras que lutavam contra o ajuste fiscal que o PT tem feito no estado.

A burocracia nos sindicatos, e também nos DCEs e DAs nas universidades, foi parte da operação que deixou a juventude e os trabalhadores com menos ferramentas para lutar e resistir. Os sindicatos e as entidades estudantis precisam ser ferramentas democráticas de organização da luta, ao lado das mulheres, dos negros, da juventude e dos LGBT.

Nossa candidatura do MRT em Minas Gerais está a serviço desse combate, para enfrentar a direita, o golpismo e os capitalistas. Batalhamos pela construção de um partido revolucionário de trabalhadores que possa não só enfrentar a situação atual, mas superar o PT pela esquerda e dar uma saída para a crise do estado de Minas Gerais e para o país, com um governo de trabalhadores em ruptura com o capitalismo.




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