Opinião

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Como conciliar o tempo para militar a partir de uma consciência classista?

quarta-feira 10 de agosto| Edição do dia

Tempo. Antes de ser militante não conseguia enxergar como conciliar trabalho, faculdade, família e militância, afinal nos acostumamos a ouvir: “tempo é dinheiro” e infelizmente nós trabalhadores reproduzimos isto, como se nossa única razão de vida fosse trabalhar para ganhar nosso salário e tentar sobreviver com o mínimo, mas para a burguesia não basta tomar todo nosso tempo, além disso temos que aceitar calados as mazelas capitalistas, ou seja, “manda quem pode, obedece quem tem juízo”.

A burguesia, com sua maneira de organizar o trabalho social, obriga-nos a limitar nossa forma de viver, de maneira a ajustar nossa vida conforme nosso trabalho, extraindo nossa liberdade individual, tirando o nosso direito de ser sujeito das nossas próprias escolhas e necessidades. Quem nunca parou para pensar sobre isso? Por apenas alguns minutos vamos extrair o marxismo de nós, mesmo sem uma consciência de classes, trabalhar para sobreviver, com o objetivo simples de receber um salário, para pagar as contas, comprar alimento ou qualquer bem de consumo, porém suprindo a maior parte de nosso tempo disponível. Não é minimamente confuso?

O que é viver para nós? É simplesmente se limitar a gastar todo nosso tempo com algo que não gostamos de fazer, submetendo-nos as mais variadas dificuldades cotidianas, para simplesmente receber todo quinto dia útil uma recompensa pela nossa dedicação diária ao patrão? E a partir disso, devemos ter a obrigação de nos adaptarmos e conciliar nossa “vida” com tentativas infelizes de sobrevivência? Isso realmente é vida?

Perguntas que podem ter várias respostas, são subjetivas, podendo variar dependendo da aceitação ou não de como o trabalho é visto por cada um e como isso nos limita para interferir nos anseios individuais e sociais. Porém quero explicitar aqui uma visão classista; se o grande problema é conseguir tempo, devemos observar como o modo de produção capitalista é exploratório, obrigando-nos a deixar de lado o que realmente é importante para o indivíduo e para a sociedade. Então como iremos subverter a ordem burguesa?

Particularmente, a importância em militar para combater a exploração e opressão burguesa é algo que me apetece, porém o tempo realmente sempre foi um problema, não posso ser hipócrita e dizer que o trabalho, o estudo e, acima de tudo, a família não são importantes e interferem na militância, mas vejamos, quando se cria uma consciência de classes, e se absorve o conhecimento marxista revolucionário, o cotidiano é invertido e levado a se adaptar às nossas necessidades, com a ótica de organizarmos nossas vidas a partir da nossa luta contra o estado burguês. Combater o maldito capitalismo vira prioridade em nossa vida, a militância é nosso modo de viver, ser comprometido com a organização militante vira um prazer, e não um labor, sim é cansativo, mas um cansaço que reflete a luta contra o capital. As mazelas vivenciadas a cada dia só reforçam cada vez mais a vontade de continuar a combater os capitalistas exploradores e opressores. Ao afirmarmos a luta de classes, fortalecemos a vontade de militar.

O tempo deve ser encarado como um embate anticapitalista; se não for utilizado para as necessidades do proletariado, ele irá se tornar nosso grande inimigo, que faz as longas jornadas do trabalho e os dias exaustivos das aulas na universidade serem angustiantes. Por isso convido meus amigos e companheiros de luta a participarem da formação da chapa junto conosco da Faísca, não porque é algo fácil ou para terem uma "tarefa a mais", mas sim para encontrarmos juntos um sentido coletivo de subverter a ordem da universidade e da sociedade, para que nossa vida e o nosso tempo sejam verdadeiramente sujeitos às nossas escolhas.Pois, como disse Karl Marx, “Os que têm a oportunidade de se consagrar aos estudos científicos deverão ser os primeiros a pôr seus conhecimentos a serviço da humanidade”




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