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Como a prisão arbitrária de Lula afeta os estudantes da Unicamp?

Com a prisão do Lula e a continuidade do golpe, que avança cada vez mais sobre os nossos direitos, a reitoria se sente mais à vontade para desferir seus ataques. Devemos combater tanto a continuidade do golpe e o autoritarismo judiciário, como os ataques dentro da Unicamp, exigindo que nossas entidades rompam com sua paralisia e organizem nossa luta.

terça-feira 10 de abril| Edição do dia

Na semana passada 11 desembargadores do STF cheios de privilégios, com o aval das Forças Armadas e da Globo, avançaram sobre um direito democrático elementar da população, numa democracia degradada e dos ricos como a nossa. Atacaram o direito do povo decidir em quem votar, prendendo arbitrariamente Lula, para que assim não possa concorrer às eleições e utilizando-se de métodos repressivos e autoritários que se fortalecem contra os negros, a esquerda e o povo pobre.

O autoritarismo judiciário, junto com o conjunto das reformas que atacam a vida dos trabalhadores, a intervenção federal no Rio de Janeiro e a execução de Marielle são a expressão de como o golpe institucional de 2016 avança, com o objetivo de fazer ruir a “Nova República” - o pacto para estabelecer o regime de 1988 e que teve a conciliação petista como um de seus principais pilares - para um regime ainda mais reacionário que consiga descarregar a crise nas costas dos trabalhadores.

O ato em São Bernardo dos Campos poderia ser uma expressão no país de resistência e luta, caso o PT e as centrais sindicais como CUT e CTB, e entidades estudantis como a UNE, tivessem chamado com esse objetivo e organizado em cada local de trabalho e estudo. O que vimos, no entanto, é que se transformou no ápice da expressão da estratégia petista de conciliação de classes e da trégua que esse partido vem dando aos golpistas desde que sofremos o golpe, com Lula se entregando de peito cheio às mãos do Judiciário, mostrando que seu compromisso é com a estabilidade burguesa que ataca os trabalhadores, e não com a classe operária em movimento, que é a única forma de combater todos os ataques.

Entretanto, não podemos cair no que o PT alimentou em todos os anos de governo e diante do golpe seguiu alimentando, no que a direita golpista mais gosta: o sentimento de que, frente à cada direito nosso que é arrancado, nada podemos fazer. Devemos saber que cada demanda que sentimos nos locais de trabalho e estudo está ligada hoje ao fato de que o golpe segue seu curso, e é preciso em cada local erguer um plano de luta que unifique os trabalhadores e a juventude para barrar cada um desses ataques e ser parte de dar uma resposta nacional à continuidade do golpe.

E na Unicamp?

Essa situação gerou muitas discussões pela internet e em cada canto desse país. Na Unicamp, por todo lugar que se anda é possível perceber que a prisão de Lula e todo o desenrolar de seu discurso está presente nas discussões. Tudo isso nos faz pensar em uma questão: como a continuidade do golpe, que ataca até mesmo o direito do povo de decidir em quem votar, afeta os estudantes da Unicamp?

Em todo o país é certo que as universidades estão enfrentando crises que já vinham desde os bilionários cortes na educação de Dilma, e que se aprofundaram em 2016 com o golpe, e ainda mais com a PEC do fim do mundo que congelou investimentos na educação - basta ver as lutas em resposta a essas crises nas universidades, inclusive na Unicamp, que contou com uma greve histórica. Mesmo com conquistas importantes da greve estudantil, a crise orçamentária que atinge os trabalhadores, os cursos não lucrativos e os estudantes mais pobres, está cada vez mais se aprofundando.

Recentemente a biblioteca do IEL, a segunda maior da Unicamp, anunciou que não mais poderia abrir pelas manhãs por conta da falta de funcionários, situação iminente que se multiplica em várias unidades pela universidade. Os funcionários contratados além de ficarem sobrecarregados têm o reajuste salarial defasado há anos, lutando agora pela recuperação do salário perdido desde maio de 2015, e seguem sendo atacados com cortes de bonificações e contratações pela reitoria.

Uma reitoria escolhida a dedo por Alckmin para aprofundar seus planos de que a Unicamp sirva como um grande laboratório para as empresas. Agora, essa mesma reitoria avança novamente contra os estudantes, abrindo novas perseguições aos que lutaram há 2 anos na greve, e se utiliza para isso, inspirada no autoritarismo judiciário, de um estatuto herdeiro da ditadura militar, que persegue qualquer manifestação política e com métodos de investigação que eles mesmos inventam, sem nenhuma base legal.

Além disso, aos estudantes pobres, que desde o movimento Taba nos anos 80 impôs a criação da moradia e o compromisso por mais 1500 vagas, a reitoria reserva uma moradia superlotada, com diversos problemas estruturais, além de vincular o processo seletivo de bolsas a um coeficiente meritocrático, que é a progressão de cada estudante no seu curso. A defesa da ampliação da moradia e das bolsas também foi parte da greve estudantil de 2016 e mais uma vez a reitoria declarou compromisso com a criação de mais vagas. Mas, como as palavras e documentos da burocracia universitária só têm validade quando servem para punir os estudantes, além de não ter cumprido nenhum plano no sentido da ampliação da moradia, a reitoria ainda inventou um grupo de trabalho (GT) para discutir se a moradia é necessária ou não aos estudantes.

O que é necessário para combater a continuidade do golpe?

Assim, é mais do que certo, que num momento político onde o golpe avança cada vez mais sobre os nossos direitos, a reitoria se sente mais à vontade para desferir seus ataques. Mas também deve ser certo que, como experimentamos na última greve, há somente uma forma de combater tanto a continuidade do golpe e o autoritarismo judiciário, como os ataques dentro da Unicamp: que os estudantes, aliados aos trabalhadores, coloquem-se em movimento, organizando a partir de cada assembleia, reuniões de base nos institutos e assembleias gerais na Unicamp, um plano de lutas que possa ser parte de dar uma resposta ao nível dos desafios que nos são colocados atualmente.

Imaginem se em cada curso, a partir de assembleias, os estudantes decidam que vão fazer paralisações, atos de rua, intervenções na cidade, manifestos, cada ação para que junto aos trabalhadores possamos não só ter uma posição firme expressa contra cada ataque dentro e fora da Unicamp, mas também impor nossas demandas a partir do que a burocracia universitária mais teme, que é nossa organização ligada aos trabalhadores.

Nosso DCE, filiado à UNE, entidade que é dirigida pelas juventudes do PT e PCdoB, não organizou nenhuma resistência séria ao golpe. Pelo contrário, na Unicamp está junto com o grupo Apenas Alunos, que possui membro do MBL, vendendo a entidade às empresas com o Clube DCE. Mas é preciso exigir que essas entidades rompam com sua passividade diante de tamanhos ataques e convoquem espaços para que possamos debater cada uma dessas questões e que o movimento estudantil organize um plano de lutas que imponha nossas pautas e direitos aos nossos inimigos, à reitoria e aos governos.

Essa é para nós da Juventude Faísca a única forma possível de combater a continuidade do golpe, unindo os estudantes em movimento, e não promovendo palanques eleitorais, em base ao sentimento de que nada podemos fazer agora, a não ser votar em Outubro. Devemos, sim, debater qual programa hoje é capaz de se enfrentar com o capitalismo e, na universidade, lutar para colocá-la a serviço da classe trabalhadora, mas tornando o programa político uma força real desde agora. Podemos, assim, impor a contratação imediata de funcionários, bem como a efetivação de todos os terceirizados sem necessidade de concurso público, bolsas-estudo, sem contrapartida, e ampliação da moradia de acordo com a demanda, que nosso conhecimento sirva à resolução dos grandes problemas sociais, e não aos lucros capitalistas, e que, com o fim da reitoria e do CONSU, estudantes, funcionários e professores governem a universidade de acordo com seu peso real. Para a crise que a reitoria afirma ter, exigimos que abram as contas para que nós assim decidamos como gerir a universidade!

Esse é um debate que queremos fazer com todo estudante, mostrando que ao contrário das posições que estão colocadas na esquerda, que de um lado apoia o golpe, como PSTU e CST, e de outro que quer reeditar a tragédia petista, como a maioria das correntes do PSOL, incluindo o MAIS, a única forma possível de enfrentar cada ataque é se os milhares de estudantes se organizarem, inclusive passando por cima dos que travam nossa luta, como é o DCE, que hoje se alia com o pior do golpismo. Acreditamos que o DCE pode cumprir um importante papel como foi aconteceu na ditadura. Mas para isso é necessário uma entidade que se alie aos trabalhadores e não ao MBL, que esteja a serviço da luta e organização dos estudantes para combater o golpe, sua continuidade e os ataques que se colocam na universidade, mas de forma independente da conciliação petista.




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