Política

DECLARAÇÃO DO MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO DE TRABALHADORES

Como a esquerda deve se posicionar frente a operação sobre Lula e o impeachment?

Os trabalhadores, a juventude e a esquerda precisam de uma política independente diante da crise política.

sexta-feira 4 de março de 2016| Edição do dia

Hoje em todos os locais de trabalho e estudo não se fala em outro tema que não seja a enorme operação da Polícia Federal na 24ª fase da Lava Jato que através da coerção levou o ex-presidente Lula a depor. Isso se combina às notícias sobre a delação premiada de Delcídio do Amaral, que ainda não foram confirmadas, nem negadas em seu conteúdo.

Isso coloca Lula e Dilma no centro das investigações da Lava Jato, dirigida por Sérgio Moro que mostra cada vez mais sua relação com a direita e o imperialismo. Coloca assim, ainda mais no centro da situação, os esquemas de corrupção petista com as empreiteiras e a corrupção na Petrobrás - na mesma semana em que o próprio governo entregou o pré-sal para o imperialismo. Ao mesmo tempo que a direita segue sendo poupada das investigações sobre corrupção.

Toda esta situação traz a tona novamente a política de impeachment, um reacionário mecanismo que está sendo levado adiante pelos setores mais conservadores e de direita do Congresso Nacional. Combinado a isso o Poder Judiciário avança em ações "bonapartistas" sem a condenação de fato, recurso esse utilizado para dirimir disputas entre os próprios interesses capitalistas, imperialistas e os partidos que os representam, mas que amanhã serão utilizados contra o movimento operário e suas organizações, como foi na ditadura.

O sentimento de muitos trabalhadores e jovens é em primeiro lugar de indignação com a corrupção, que atinge todos os partidos da ordem capitalista, num momento em que o governo de Dilma e do PT avança cada vez mais nos cortes de orçamento. É também um sentimento de indignação com as demissões que começam a se sentir de forma cada vez mais cruel em especial na indústria, não sem resistência. Um sentimento de revolta quando vemos a situação das escolas e universidades, a situação em que estão os professores em nosso país, suposta "pátria educadora" não à toa começam a se generalizar greves da educação em todo o país, com centro no Rio de Janeiro.

Muitos trabalhadores e jovens tem ficado com ilusões de que a justiça pudesse ser uma alternativa efetiva no combate à corrupção. No entanto, já não faltam demonstrações de que os juízes, que sequer são eleitos pelo povo, não são imparciais e tem múltiplas relações com os políticos, os empresários e o imperialismo. Eles não tem autoridade pra julgar ninguém. Basta ver como as denúncias aos tucanos e a direita do país não tem o mesmo peso nas investigações de corrupção como contra o PT. Os juízes deveriam ser todos eleitos pelo povo por sufrágio universal e as decisões judiciais deveriam ser tomadas por juri popular, a única forma de ser uma justiça de fato imparcial. Só assim a corrupção pode ser verdadeiramente investigada e punida.

Este sentimento de revolta e indignação não pode ser canalizado pela direita, como querem fazer todos os partidos da oposição burguesa como PSDB, DEM, entre outros quando convocam uma manifestação para o dia 13 de março defendendo o impeachment, e que neste momento a única coisa que querem é garantir um plano de ajustes ainda mais duro do que já está sendo implementado pelo governo Dilma. Um impeachment reacionário como este não somente vai facilitar os ataques da direita como vai significar um ataque frontal à classe trabalhadora e inclusive seus instrumentos de luta, bem como a toda a esquerda, na qual o PT não está incluído há muito tempo.

Por isso, frente a esta situação, é preciso rechaçar o impeachment organizando também os trabalhadores e a juventude de forma independente para enfrentar os ajustes e ataques do governo do PT, lutando através de uma forte mobilização popular para impor uma Assembléia Constituinte Livre e Soberana, enfrentando este regime de 1988 que foi pactuado com os militares e torturadores da ditadura, onde seja a população que decida os rumos do país, impondo que todo o político, juiz e funcionário público de alto escalão ganhe o salário de uma professora, que todo o político que não cumpra com o mandato popular seja imediatamente revogado de qualquer mandato pela própria população, que não haja pagamento da dívida pública para destinar à saúde, e que os trabalhadores revertam todos os acordos econômicos com o capital estrangeiro contra a população, como a entrega do pré-sal, e que este seja destinado inteiramente à educação. Essa ruptura com o imperialismo também passa pela abolição do latifúndio e a mais ampla reforma agrária a serviço dos trabalhadores do campo. Para estas demandas serem levadas adiante é preciso a mais forte mobilização independente, como fizeram os secundaristas de São Paulo, mas agora a nível nacional para tomarmos em nossas mãos os grandes problemas do país para que a crise não seja descarregada nas nossas costas.




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