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MERECEM TODO APOIO

Começou a greve nacional dos trabalhadores dos Correios

Os trabalhadores dos Correios (ecetistas) aprovaram greve por tempo indeterminado em pelo menos 20 sindicatos da categoria, inclusive nas principais concentrações de trabalhadores, como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Essa greve merece todo apoio. Siga essa luta pelo Esquerda Diário e apoie ativamente.

quarta-feira 16 de setembro de 2015| Edição do dia

Os trabalhadores dos Correios (ecetistas) aprovaram greve por tempo indeterminado em pelo menos 20 sindicatos da categoria, inclusive nas principais concentrações de trabalhadores, como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Grande parte dessa combativa e enorme categoria com mais de 110 mil trabalhadores, sai a luta em todo o país e merece todo apoio.

Além de lutar por um aumento de salário real, uma vez que a categoria tem defasagens históricas e um dos salários mais baixos das empresas estatais, os trabalhadores reivindicam a manutenção do convênio médico tal como é hoje, e contratação de funcionários. Em relação ao convênio, a proposta da empresa era criar uma cláusula que permitisse que aos futuros novos contratados fosse oferecido um novo plano, com cobranças mensais e compartilhamento de tudo que fosse utilizado, e ainda ofereceria aos demais trabalhadores a opção de aderir a tal plano (sugerindo assim que o atual convênio, já precário, deverá ser ainda mais sucateado). Para os carteiros, uma das coisas mais valiosas é o plano de saúde, inclusive porque o trabalho é tão pesado que gera muitas consequências físicas, incluindo ataque de cachorro, problemas de coluna grave, etc.

A proposta apresentada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), e aceita pela ECT, previa uma comissão paritária para discutir as mudanças no plano de saúde e uma gratificação ao salário, ao invés de aumento, além de não tocar na questão das contratações.

Desta vez, diferente dos últimos anos, as assembleias aconteceram em todas as bases sindicais no mesmo dia, algo positivo para os trabalhadores. O calendário separado já deu margem para que, em muitas campanhas salariais, burocratas sindicais ligados ao governo (PT, PCdoB) traíssem e dividissem os ecetistas.
Enquanto o governo Dilma quer “cortar na carne” dos trabalhadores os gastos públicos, atacando direitos, e tirando dinheiro da saúde e educação ao invés de mexer nos privilégios dos políticos e lucros dos empresários, a diretoria dos Correios quer descarregar nos trabalhadores a suposta queda dos lucros da empresa. Só que não foram os trabalhadores que trabalharam menos para não ter lucro, muito pelo contrário, estão todos sobrecarregados. Não faltou dinheiro para investir em logomarca, megaeventos, e muito menos para sustentar os grandes salários e bônus do alto escalão.

Esta greve, portanto, se insere num contexto de intensa politização e questionamento por parte da população frente aos escândalos de corrupção, inflação, e todo tipo de ataque a nossas condições de vida. Por isso é fundamental que ela se coloque num marco de organização da classe trabalhadora em busca de uma alternativa independente do governo e da oposição de direita, buscando a unidade com outros setores em luta e merecendo a solidariedade ativa da juventude e dos trabalhadores de outras categorias.

Com assembleias cheias em todo o país, os ecetistas mostraram que existe potencial para o desenvolvimento de uma importante luta. Em São Paulo, maior concentração da categoria no país (17 mil funcionários e 40% do fluxo de postagens), a assembleia foi lotada. Segundo o Sintect-SP em uma nota publicada em seu site, estiveram presentes mais de 5 mil ecetistas. Vindos da Região Metropolitana e da Zona Oeste, Norte, Sul, Leste e Centro, a base votou com muita energia quase por unanimidade pela rejeição da proposta e pela greve.

Para Natália Mantovan, ecetista da base de Campinas que elabora para o Esquerda Diário, no interior do estado, onde a greve também foi aprovada em assembleia lotada: “A ECT diz que não tem dinheiro, mas faz gastos totalmente questionáveis, mostrando que as prioridades da diretoria não são as da população, nem dos que fazem a empresa funcionar: os trabalhadores. Assim como o governo, e a dita oposição tem feito no país, atacando direitos e serviços públicos enquanto os privilégios de uma minoria são mantidos. Será uma luta dura que teremos que enfrentar com organização e mobilização na base, em cada unidade, em muitos lugares lutando para que os burocratas ligados ao governo não traiam a categoria. Acredito que os Ecetistas tem disposição suficiente para tal tarefa e demonstraram isso diversas vezes, como quando forçaram a greve durar 28 dias em São Paulo, contra a vontade da direção do Sindicato. Temos que resgatar a tradição de nos organizarmos por comandos de delegados eleitos em assembleias das unidades, para que o controle da greve seja dos próprios trabalhadores. Digo mais: se juntarmos a disposição do ecetista com a busca pelo apoio da população e a unificação com a luta de outras categorias, como bancários que também está em campanha salarial, com certeza a greve será vitoriosa e mostraremos que os trabalhadores não tem que pagar por uma crise que não é deles. Nesse mesmo sentido, convido a todas as companheiras e companheiros a participar do ato do dia 18 de setembro, junto com trabalhadores, estudantes e lutadores de todo o país na Marcha Nacional, onde possamos expressar nossa greve e começar a nos mobilizar conjuntamente com outros trabalhadores de forma independente do governo, das burocracias,dos patrões e dos políticos da direita”.

O Esquerda Diário vai fazer uma grande cobertura dessa greve para que seja vitoriosa. Chamamos os trabalhadores de todas as categorias a apoiar essa luta e os carteiros a colaborar com a nossa cobertura enviando notícias da greve na sua unidade entrando em contato conosco, seja comentando essa nota, enviando mensagem para o Facebook do Esquerda Diário ou para Natália Mantovan no Facebook.




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