Começa o 29° Congresso do SINPEEM: 4mil delegados gritam #ele não!

quarta-feira 17 de outubro| Edição do dia

Nessa terça-feira teve início o primeiro dia de congresso do SINPEEM, o maior sindicato de trabalhadores da educação municipais do Brasil, uma das poucas categorias que estão reunidas num momento político tão ímpar como esse, logo, se organizada por fazer muita diferença na realidade! E desde esse primeiro dia é evidente que a maioria esmagadora dos mais de 4.000 delegados sindicais que representam mais de 1.600 escolas da rede são contra Bolsonaro, inimigo da educação e das mulheres que são a maioria esmagadora da categoria, ao mesmo tempo que nos deparamos com importantes desafios em relação a forma como a direção sindical atua como um limite para deixar que se expresse essa politização O que é ainda mais grave na atual conjuntura política, às vésperas do segundo turno da eleição presidencial, em que a direita se encontra bastante fortalecida e há uma perspectiva muito concreta de Bolsonaro vencer carregando seu pacotes de ataques aos trabalhadores em prol do capital imperialista.

Logo na abertura do evento tivemos uma fala do presidente Claudio Fonseca, vereador de São Paulo filiado ao PPS, em consonância com o sentimento contra Bolsonaro da maioria da categoria, se colocando contrário ao que significa essa candidatura e seus ataques aos trabalhadores, mas sem ao menos falar seu nome e sem nenhuma indicação de qualquer mecanismo concreto de combate a Bolsonaro. Logo, sem nem sequer uma manifestação pública do SINPEEM contrária ao candidato, o posicionamento de Claudio Fonseca não passará de pura demagogia. E é contra isso que os professores precisam atuar, tomando os rumos do Congresso em nossas mãos para que ecoe a nossa voz!

A seguir, quando o regimento do congresso passou a ser discutido, alguns setores de oposição reivindicaram que o caráter político do congresso fosse resgatado, denunciando a escassez de tempos e espaços para que a política sindical seja debatida. Essa proposta foi negada por uma margem pequena do plenário, mas não antes de Claudio Fonseca responder a essas e às demais propostas de alteração do regimento como se ele personificasse todo o sindicato.

Esses episódios, que se repetiram diversas vezes, inclusive pelos convidados de Claudio que em uma das palestras tentaram conter a discussão política que as professoras reivindicavam fazer alegando que ali não iria se debater política, são indicativos do papel que a burocracia sindical no SINPEEM cumpre em frear a organização dos trabalhadores para lutar contra os ataques em curso e os que sabemos que virão, mesmo com uma eventual vitória de Haddad.

Na mesa de abertura mais uma vez veio à tona, por iniciativa dos professores a denúncia e a discussão da conjuntura política nacional, às vésperas do pleito em que a candidatura contra trabalhadores, mulheres, LGBTs, negros e indígenas, de Bolsonaro aparece como favorita. Embora as falas de Luiz Carlos de Menezes e, sobretudo Maria Raquel Caetano, oferecem fundamentos para se compreender as políticas de privatização da Educação em curso no país, a mesa foi dividida com Max Haetinger entusiasta do ensino a distância, e que já foi consultor da Microsoft Educação Brasil para informática na Educação e dirige uma empresa chamada Instituto Criar que atua no desenvolvimento de metodologias de ensino, ou seja de parte dos mecanismos que fazem prosperar a privatização da educação no pais. O que é uma contradição, tendo em vista que o tema do Congresso é “Educação: privatização e terceirização” e os professores são contrários à isso.

Mas apesar de tudo, vários professores e nós do Movimento Nossa Classe Educação encontramos em nossos pares um ambiente bastante favorável para a construção, junto com os trabalhadores da educação presentes, de uma alternativa efetiva de combate a Bolsonaro, o golpismo e as reformas em curso, pois carregamos a moral dos professores que se enfrentaram com Doria e que rechaçam Bolsonaro. Nos grupos de trabalho (GT) que participamos defendemos que o SINPEEM se posicione contrariamente a Bolsonaro, o Golpismo e as Reformas, e também defendemos a criação de comitês de Base organizados regionalmente como mecanismo concreto e efetivo de organização da luta dos trabalhadores, para além da linha eleitoreira adotada e defendida pelo PT e seus comitês eleitorais.

Encontramos muito apoio das professoras e professores, sobretudo no GT “Mulher, identidade e classe”, composto majoritariamente por mulheres que se colocaram o tempo todo contra a figura do presidente do sindicato, da direção do SINPEEM e sua forma de conduzir a luta dos trabalhadores da educação do município! Vejam e compartilhem nossas intervenções:

Continuaremos nossa atuação política durante essa semana dentro do Congresso, acompanhe pelo Esquerda Diário.




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