Política

FORÇAS ARMADAS

Comandante do exército elogia general que defendeu golpe

Em entrevista a Pedro Bial nesta terça-feira (19) pela TV Globo, Eduardo Villas Bôas disse que o general que sugeriu intervenção militar teve sua fala "mal interpretada" e ressaltou que se tratava de algo dito em ambiente fechado. Logicamente, garantiu que não haverá punição para o general.

quarta-feira 20 de setembro| Edição do dia

O comandante disse ao apresentador Pedro Bial que já conversou com Mourão, o general que sugeriu intervenção, “para colocar as coisas no lugar, mas punição, não”. Declarou ainda, que em meio à crise política a possibilidade de intervenções militares “ocorre permanentemente” e que “ as Forças Amadas têm mandato para fazer intervenção na iminência de um caos”.

Na última sexta-feira (15), o general Mourão afirmou que "seus companheiros do Alto Comando do Exército" entendem que uma "intervenção militar" poderá ser adotada se o Judiciário "não solucionar o problema político", em referência aos escândalos de corrupção envolvendo políticos.

O Ministro da Defesa, Raul Jungmann, na última segunda-feira (18), pediu explicações ao comandante sobre a fala do general. Em nota o ministro afirmou que foram discutidas entre eles “medidas cabíveis a serem tomadas” em relação ao General Mourão.

Apesar disso, a responsabilidade legal pela decisão sobre punir ou não Mourão cabe a Villas Bôas, o qual ocupa o cargo mais alto na hierarquia das Forças Armadas. E ao contrário de punir, o comandante disse que o general “é um grande soldado, uma figura fantástica, um gauchão”.

A legislação proíbe que oficiais da ativa se manifestem sobre o quadro político-partidário, contudo Villas Bôas negou que a fala de Mourão tenha ferido a legislação. Segundo ele, sua fala foi descontextualizada e mal interpretada, isso porque deve ser muito difícil entender o que significa “intervenção militar”.

Para corroborar com o Mourão, o comandante de forma sutil ainda disse que as Forças Armadas podem agir em assuntos relacionados à crise política. “Se você recorrer ao que está na Constituição, no artigo 142, como atribuição das Forças Armadas, diz que as Forças Armadas podem ser empregadas na garantia da lei e da ordem por iniciativa de um dos poderes”, afirmou.

O comandante das Forças continuou: "O texto diz que o Exército se destina à defesa da pátria e das instituições. Essa defesa poderá ocorrer por iniciativa de um dos poderes, ou na iminência de um caos. As Forças Armadas têm mandato para fazer". Como exemplo citou a recente atuação do exército no Espírito Santo e no Rio de Janeiro.

Segundo o artigo constitucional, as Forças Armadas "são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem".

As afirmações do comandante sobre a atuação das Forças Armadas só fazem mostrar como o governo golpista de Temer age ao lado do seu braço armado. Sim, pois o exército é o braço armado do estado para manter a propriedade privada e garantir que os interesses dos poderosos não sejam lesionados.

Cabe lembrar que o general Mourão, que sugeriu a intervenção, é o mesmo que em outubro de 2015, foi exonerado do Comando Militar do Sul, em Porto Alegre, e transferido para Brasília, para um cargo burocrático, após criticar o governo de Dilma Roussef.

Além disso, um oficial sob seu comando fez homenagem ao coronel Brilhante Ustra. Este que todos sabem ter sido responsável por infindos crimes de tortura e assassinato na ditadura militar. Continuando os absurdos da entrevista, Villas Bôas falou ainda da atuação do exército brasileiro no Haiti.

Sobre atuação recente das tropas no Espírito Santo e no Rio de Janeiro mais detidamente, o que se pode observar é o horror de incontáveis mortos em tiroteios, inclusive pela mão do exército e da polícia. Crianças foram mortas e constantemente em meio ao caos, que é instaurado muito mais por causa dessas intervenções, ficam sem aulas por não poderem sair em meio aos tiros.

Pelo fim do exército de todas as corporações que agem apenas a favor dos interesses dos capitalistas e por juris populares que sejam os responsáveis por punir os crimes, inclusive do exército e do estado, pois nas sanções internas dessas corporações o que realmente há é a impunidade dos crimes mais esdrúxulos. As nossas vidas valem mais que o lucro deles e crianças ainda precisam ter o direito à vida.

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