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LAVA-JATO

Com uma mãozinha, e muito dinheiro para os EUA, judiciário brasileiro fecha delação da Odebrecht

Como parte da cooperação internacional tão defendida por Dallagnol e Janot, com a ajuda da justiça americana impondo multa, Odebrecht fecha acordo com autoridades brasileiras. A Lava Jato tem entregue documentos para facilitar processos no exterior até mesmo de empresas estatais como a Petrobras.

quarta-feira 23 de novembro| Edição do dia

Em meio as investigações dirigidas pela Lava Jato, mais uma demonstração de sua ligação e subordinação ao imperialismo norte-americano veio à tona. Se já não bastasse que alguns de seus destacados atores como Moro e procuradores fossem citados nos documentos da embaixada americana, os Wikileaks. Agora, para se concretizar a delação premiada e leniência da Odebrecht os EUA cobram um valor maior ainda à empresa brasileira na multa negociada por autoridades dos Estados Unidos, Brasil e Suíça. Essa multa tem todas provas de ter sido articulada com o judiciário brasileiro para terminar de convencer a delatarem e negociarem os valores.

Em relação as delações o entrave referente ao valor à ser pago pela Odebrecht aos EUA, restam apenas as formalidades de assinatura do acordo entre a empresa e os países envolvidos. Parte dos advogados de delatores começou as assinaturas nesta quarta-feira, 23, e outra parte fará a formalização na quinta, 24. Com a delação, cada funcionário da empresa obteve acordo por uma pena mais branda. Sem a ação do judiciário brasileiro e um acordo com ele a Odebrecht arriscaria multas unilaterais, e bilionárias, nos EUA.

A Lava Jato já entregou documentos a autoridades americanas facilitando que abrissem processos contra empresas brasileiras, inclusive estatais como a Petrobras. No caso em questão sabe-se que também foram entregues documentos e a cooperação no caso Odebrecht data ao menos de 2015 segundo até mesmo a grande mídia noticiou.

O acordo que, já estava firmado entre a empresa brasileira e os três países, sofre um abalo com a exigência dos americanos por uma “fatia” maior da multa paga aos países. Nesse caminho, na tarde desta quarta-feira o procurador-geral da República, Rodrigo Janot entrou pessoalmente na negociação como tentativa de resolver o impasse. De acordo com o Estado de São Paulo o entrave deve ser resolvido até a tarde desta quinta-feira, tendo dois caminhos mais prováveis como solução: ou aumenta a multa paga pela empresa aos Estado Unidos ou Brasil e Suíça liberam uma parte do valor como tentativa de equacionar o impasse com os americanos.

Se por um lado a justiça busca amenizar as “punições” em cima de milionários brasileiros por meio das delações premiadas querendem fortunas à Moro e companhia, por outro dão provas de bom serviço ao imperialismo agindo em cooperação com seus serviços de inteligência para agilizar julgamentos de empresas brasileiras e fechar colaborações premiadas que rendam fortunas aos EUA e principalmente, abertura para intervenções deste país no Brasil por meio de empresas imperialistas que, já apontaram como no caso da Shell, ligações com Sérgio Moro e a Lava Jato.

A Lava Jato seus laços imperialistas e sua batalha por um governo mais ajustador

A Odebrecht que desde a ditadura no Brasil se tornou a décima segunda maior empreiteira do mundo, veio atuando em diversos países como África, Cuba, Equador e Venezuela. Sua atuação para além do Brasil e sua gama de contatos com governantes de todos estes países após a ditadura fez desta empresa (também de milionários e corruptos) alvo de toda articulação imperialista com tentativa de enfraquece-la em meio ao mercado internacional e a disputa entre empresas americanas.

A Lava Jato até onde caminha vem sinalizando interesses muito maiores do que a primeira fase do golpe institucional que tirou Dilma da presidência. Além de uma perseguição mais sistemática ao PT e agora a figuras do PMDB e caciques políticos do Rio, a Lava Jato caminha de braços dados ao imperialismo com interesses claros que vão além do pré-sal brasileiro, mas também de encontro aos interesses privatistas das velhas aves de rapina americanas e seus auxiliares como Moro e sua Lava Jato.

Ao fim e ao cabo, a Lava Jato com seus interesses articulados ao lado do imperialismo que ataca nesse momento até mesmo empresas brasileiras estatais facilitando que sejam processadas nos EUA, o judiciário se fortalece buscando se mostrar como quem combate a corrupção. No entanto, com os valores pagos, e parte indo para o judiciário brasileiro, todos empresários são rapidamente soltos e voltam a suas mansões. Com os procedimentos da Lava Jato, e suas prisões preventivas, sem julgamento essa prática já realizada com mais de 40% da população carcerária brasileira irá se fortalecer ainda mais, e pode se voltar com mais força contra a juventude, trabalhadores e toda população pobre e oprimida. O judiciário que serviu como legitimador do golpe institucional no Brasil, agora age a favor e através diretamente de uma “ajudinha” do judiciário imperialista.




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