RACISMO

Com respiradores parados, único hospital de presos do RJ mostra descaso do racista Witzel

O Pronto Socorro Dr. Hamilton Agostinho, localizado no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, está há mais de um mês com os respiradores da secretaria estadual de Saúde (SES), responsável pela gestão da unidade, parados na unidade, mostrando o completo descaso com a população carcerária por parte do governo racista de Witzel.

sexta-feira 19 de junho| Edição do dia

O pronto socorro é responsável pelo atendimento médico de quase 50 mil presos do estado do Rio, e possui apenas 11 respiradores para atender a essa população. Dentre eles, 7 recebidos há mais de um mês estão ainda embalados na sala de Serviço de Administração, e um está sendo usado na ambulância da unidade.

Com esse surto pandêmico do coronavírus, o sistema de saúde público é o único capaz de garantir a vida da maioria da população, especialmente a população carcerária, vítimas de um sistema penal racista e higienista no nosso país, nem falar no Rio de Janeiro comandado por Witzel.

Não é surpresa para ninguém o grande descaso que ocorre com a população carcerária do país, que é em sua maioria negra. Esse sistema prisional coloca presos em celas superlotadas, aumentando de forma monstruosa os riscos de contaminação. Encarceram ilegalmente milhares de negros e negras, aumentando os riscos do povo preto à contaminação, e isso só reafirma o porquê dos negros morrerem mais pelo Covid-19.

Sabemos que a população negra do país sofre com uma letalidade maior do coronavírus do que os brancos. Não é por questões biológicas, mas consequência de anos de destruição do SUS para dar lucros aos bancos e monopólios privados da saúde, do qual depende a vida da maioria da população negra.

Acabaram com as condições de moradia, que nas favelas não tem água e esgoto, e ainda são os negros que ocupam postos de trabalho mais precários, sem direito a quarentena, e os que estão em casa vivem em condições precárias ou são assassinados dentro das suas próprias casas, como aconteceu com o João Pedro, jovem de 14 anos morto por essa polícia racista.

Nós não devemos confiar nessa justiça que só responde a interesses políticos e deixam 40% da população carcerária não ter o direito a julgamento. Justiça que prende Queiroz para fazer jogo político com Bolsonaro, mas se nega a responder “Quem mandou matar Marielle?”. Não devemos ter um mínimo de confiança no STF e outros do judiciário, que precariza ainda mais nossos empregos com assinaturas de reformas, retirada da aposentadoria e terceirização do trabalho.

Nossa luta tem que ser por Fora Bolsonaro, Morão e Militares, sem nenhuma confiança nos governandores, que reabrem comércios no meio de uma pandemia, mostrando para nós que eles apenas de importam com lucros e não com nossas vidas. Mas também porque governadores como Witzel, ou até mesmo Fátima do PT que governa o Rio Grande do Norte, estão botando a polícia para matar e prender cada vez mais a juventude negra, nem sequer dando direito a respiradores.

Com tanta repressão, querem sufocar a raiva acumulada dos negros desse sistema capitalista racista e genocida, que vimos nos EUA com a fúria despertada pela morte de George Floyd o perigo que representa para a dominação da burguesia no mundo. No Brasil, essa fúria pode apontar o fim de um regime político e econômico herdeiro da escravidão e das senzalas, retomando o caminho da luta de classes rumo a uma assembleia livre e soberana, onde a classe trabalhadora possa decidir o rumo que o país vai seguir, acabando com a burguesia e sua justiça e a polícia racistas!




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