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RIO DE JANEIRO

Com pandemia, Rio ocupa 88% dos leitos do SUS, em crise construída por Crivella e Witzel

No estado, para cada leito de UTI do SUS existem 3 na rede privada. Enquanto Witzel e Crivella fazem demagogia com hospitais de campanha que sequer ficaram prontos, a comparação do número de leitos coloca a necessidade de estatizar a infra-estrutura já existente de saúde privada para enfrentar seriamente a emergência da pandemia.

sexta-feira 17 de abril de 2020| Edição do dia

Nesta quinta, o Rio de Janeiro já contabilizou 3.743 casos e 265 mortes confirmadas de Covid-19. Isso sem considerar os casos da doença que são notificados como outras enfermidades e não entram para as estatísticas oficiais, uma vez que o Brasil é um dos países com menor índice de testes no mundo.

Com o rápido crescimento da curva de contágio pela Covid-19 no estado, os leitos de UTI disponíveis no SUS vão chegando a sua capacidade máxima (somando as internações por Covid-19 e de outras enfermidades graves). Isso acontece em meio à demagogia de Witzel e Crivella, que não concluíram nenhum dos hospitais de campanha prometidos. Acontece também em meio à demagogia do Ministério da Saúde que sequer garantiu a infra-estrutura existente dos hospitais federais no estado, como é o caso do Hospital de Bonsucesso, em que 147 dos 170 leitos preparados para tratar a Covid-19 estão sem funcionar por falta de funcionários, insumos e EPIs básicos.

O colapso da saúde pública no Rio de Janeiro fica cada vez mais iminente com a perigosa combinação entre a propagação do vírus nas favelas (com maior densidade populacional e menores índices de saneamento básico) e o esgotamento da quantidade de leitos disponíveis pelo SUS. Na UPA da Rocinha, por exemplo, já são inúmeros os relatos de que não conseguem encaminhar para tratamento adequado os pacientes que apresentam os sintomas de Covid-19.

Estatizar a rede privada já!

Enquanto isso, a rede privada fluminense conta com um número de leitos de UTI que é 3 vezes maior que o da rede pública, conforme estudo da UFMG. E o próprio estudo coloca como medida prática para combater a pandemia a necessidade de estatizar a rede de saúde privada.

As comparações entre o número de leitos da rede pública e privada deixa gráfica a conclusão para quem tem como prioridade um combate científico e racional à pandemia: a necessidade de estatizar a rede de saúde privada. Mas junto com essa necessidade se coloca a pergunta, quem deve administrar os recursos que se reorganizariam com a estatização? Seriam os mesmos Witzel, Crivella, Dória em SP, Ministério da Saúde (nem falar do negacionista Bolsonaro) que já demonstraram que, a despeito de toda hipocrisia de que estão preocupados com a vida da população, estão de fato preocupados com manter intactos os lucros dos maiores empresários do país, dentre eles os próprios empresários da saúde privada que lucram em cima da doença?

Junto com a estatização é necessário defender também que sejam os trabalhadores da saúde (desde os trabalhadores da limpeza até a equipe médica e de enfermagem), linha de frente no combate à pandemia, que sejam os que controlem o sistema público de saúde, pois apenas apontando nesse sentido a saúde e a vida da maioria população seriam concretamente a prioridade.

Nossas vidas valem mais do que o lucro deles!




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