Política

CRISE E DESMONTE DA EDUCAÇÃO

Com o não pagamento de bolsas e salários, UERJ não iniciará o semestre

A Universidade do estado do Rio de Janeiro (UERJ) deveria iniciar, em julho, o primeiro semestre de 2017 de acordo com o calendário acadêmico. O cenário, porém, não se modificou e a universidade segue enfrentando sua pior crise nos últimos anos.

segunda-feira 31 de julho| Edição do dia

A UERJ estampa os jornais com notícias de agonia devido a falta de repasses do Governo Estadual, a falta de pagamento dos terceirizados, atrasos nos salários dos técnicos, professores e nas bolsas dos estudantes de todas as modalidades.

Este quadro de atrasos de salários e bolsas junto a falta de repasses, que neste ano representou menos da metade do previsto (38,2%), coloca a UERJ e o Hospital Universitário Pedro Ernesto na sua pior crise da história. A situação da Universidade em 2017 se agrava com o aumento da crise que atinge o país e, principalmente, o estado do Rio. Neste ano as aulas do segundo semestre de 2016 só começaram em abril e o período letivo foi drasticamente reduzido para 13 semanas.

A reitoria, que hoje dá declarações de que é impossível o retorno das aulas sem o repasse do governo, cedeu à pressão do governo estadual e foi responsável por impor um semestre de 75 dias letivos. Todos nós, estudantes, professores e técnicos, que enfrentamos um semestre sem restaurante universitário, sem bolsa, salários e com um sobrecarga absurda de conteúdo, sabemos bem o que 2016.2 significou para nossa formação. Sabemos de todas as dificuldades para estar na sala de aula, em nossos estágios e nos postos de trabalho com as condições impostas pelo governo e pela reitoria.

As aulas retornaram em abril de 2017 sem um calendário de pagamento para repasses, salários e bolsas, ignorando os técnicos administrativos que se encontram em greve e os demais trabalhadores e estudantes que não tiveram sua situação normalizada. O governo segue com a postura de ignorar tal situação e, mesmo após decisões judiciais, não realizaram os pagamentos dos salários e bolsas->http://www.esquerdadiario.com.br/Justica-blinda-Pezao-que-esta-livre-da-multa-por-nao-pagar-a-UERJ].

Esta situação de crise ocasionou o que já é considerado a maior evasão da história da universidade. O número de inscritos e daqueles que compareceram para realizar a primeira fase do vestibular da UERJ este ano também teve uma drástica redução. Foram 37 mil inscritos para a prova, apenas 33.335 compareceram ao exame, uma abstenção de mais de 10%. A situação só piora quando os números deste ano são comparados aos números do vestibular de 2016, com uma queda de mais 54% de inscritos em relação ao ano anterior.

Diante de todo esse cenário, no dia 06/07, os professores da universidade decretaram o início da greve em sua categoria para o primeiro dia de retorno das aulas (01/07) caso não fosse realizada a regularização dos salários e bolsas em atraso. Em nota na página oficial do Facebook, a Associação dos Docentes da UERJ (ASDUERJ) declarou que: “A Assembleia Docente do dia 6 de julho decidiu que, se o governo Pezão não pagasse ao longo do mês de julho tudo o que deve aos trabalhadores e estudantes, o semestre previsto para se iniciar no dia 1º de agosto não começaria, pois os docentes entrariam em greve.”

A categoria docente agora se junta ao movimento de greve já decretado pelos técnicos administrativos como meio para enfrentar este quadro de sucateamento. Esta decisão coloca um desafio um desafio de superação para o movimento estudantil. Durante todo o semestre de 2016.2 vimos uma mobilização dos estudantes que não condizia às respostas que precisamos na atual conjuntura da universidade. Enfrentamos um semestre de profunda precarização, vimos nossos companheiros de curso abandonando a universidade por falta de assistência estudantil, tentamos dar conta de todo o conteúdo em 13 semanas e sabemos que a qualidade da nossa formação encontra-se abalada pela crise da universidade.

Diante de todos esses elementos é preciso resgatar e construir um movimento estudantil que busque responder de forma mais profunda a crise da universidade, que se unifique de forma real e ativa às demais categorias e que lute por uma universidade pública, gratuita e de qualidade onde seja possível realizar estudo, pesquisa e extensão com condições reais para isso.

Não podemos naturalizar uma apatia das entidades e correntes que atuam no movimento estudantil da UERJ diante da crise da universidade. É preciso que resgatemos a força do movimento estudantil que, junto a outros setores da sociedade, arrancou há mais de uma década as cotas, colocando a UERJ como pioneira na implementação do sistema de cotas, do movimento estudantil que diversas vezes se colocou ao lado das trabalhadoras terceirizadas pelo pagamento dos salários atrasados. É preciso que nos organizemos para que não voltemos a enfrentar um semestre tal qual 2016.2.




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