Política

DEMISSÕES EM MASSA

Com novo PDV, Correios querem demitir mais de 5,46 mil trabalhadores

Em nova medida para supostamente reduzir as despesas, os Correios devem reabrir no mês que vem seu programa de demissões voluntárias. O objetivo agora é deixar 5,46 mil trabalhadores desempregados.

sexta-feira 18 de agosto| Edição do dia

O plano foi aprovado pela diretoria na quarta-feira e agora só depende de aprovações burocráticas para ser anunciado. Com a reabertura do programa, o objetivo passa a ser cortar, neste ano, 10% de um efetivo que, antes do processo de enxugamento da folha, somava aproximadamente 117 mil empregados. Se conseguir isso, a estatal vai reduzir em R$ 123 milhões por mês os gastos com salários a partir de 2018.

A ideia é reabrir o programa de demissões a trabalhadores que atuam há pelo menos 15 anos na companhia. Para ampliar o público elegível do que é chamado pela empresa de Plano de Desligamento Incentivado (PDI), foi retirado o requisito que restringia a possibilidade de adesão aos funcionários com, no mínimo, 55 anos de idade. O prazo da nova etapa do PDI vai de setembro até o fim do ano. Procurada, a estatal confirmou que está avaliando a reabertura do plano.

A proposta da companhia é parcelar a indenização oferecida como incentivo aos pedidos de demissões em pagamentos mensais, limitados a um teto de R$ 10 mil, pelo prazo de até oito anos. Só entre carteiros, o objetivo é tirar 2 mil profissionais das ruas.

Segundo relatório apresentado na reunião da diretoria que aprovou a proposta, o relançamento do PDI é necessário para cortar gastos com pessoal e “adequar o efetivo à nova realidade econômica”.

Essa necessidade da “adequação à nova realidade econômica”, como de costume, recai em primeiro plano sobre as costas dos trabalhadores e da população. A empresa já não contrata novos funcionários há alguns anos, e, com esta nova demissão em massa, além de duplicar ou triplicar a carga de trabalho do atual do quadro de funcionários, ocasiona também um atraso ainda maior na realização de serviços como entregas de faturas e encomendas à população.

Enquanto isso, a empresa segue custeando burocratas com altíssimos salários e também envolvida em casos de corrupção com o dinheiro público, deixando bem claro pra onde exatamente é que vão os lucros que em anos anteriores à crise a empresa acumulou.

Tudo isso faz parte de um projeto de sucateamento deste serviço estatal. A ideia é, assim como em diversos ramos de atividades no país, a precarização absoluta do serviço público, para que se tenha como ”única alternativa viável” a privatização deste serviço e ter, então, um serviço gratuito a menos à população, mas uma fonte de lucro a mais aos empresários.




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