Juventude

TARIFA NO DF

Com mansão milionária e férias em Miami, Ibaneis aumenta a tarifa do DF

A única preocupação do excelentíssimo governador Ibaneis Rocha (MDB) com o preço da tarifa é garantir o mais alto lucro para as máfias do transporte. É por isso que do luxo de sua viagem à Miami, ordena que seja aumentada a tarifa, seguro de que no seu retorno ao Brasil, não pegará nenhum ônibus precário para ir e voltar do trabalho para sua mansão de alto luxo - a mais cara do DF.

quarta-feira 15 de janeiro| Edição do dia

Entrou em vigor nesta segunda-feira, 13, o decreto que aumenta em 10% todas as tarifas do transporte público, urbano e rural, ônibus e metrô, no Distrito Federal – o maior aumento percentual registrado até agora no país, em meio aos ataques já deflagrados em São Paulo, Belo Horizonte, Campo Grande e tantas outras cidades brasileiras. Esse tipo de medida covarde e impopular é de praxe nas férias escolares e universitárias, visto que o movimento estudantil é a vanguarda da luta contra o roubo no transporte público, tal como foi em junho de 2013. As mudanças nas tarifas foram as seguintes:

  • As linhas classificadas como “circulação interna” passam de R$ 2,50 para R$ 2,75 (ex: 364.2 – Setor M Norte / Ceilândia Centro / Condomínio Casa Branca / Condomínio Novo Horizonte);
  • As linhas classificadas como “ligações curtas” passam de R$ 3,50 para R$ 3,85 (ex: 0.110 – Rodoviária do Plano Piloto / UNB);
  • As linhas classificadas como “ligações longas” e metrô, passam de R$ 5,00 para R$ 5,50 (ex: 380.2 – Samambaia Norte (1 Avenida) / Rodoviária do Plano Piloto (EPTG - SIG).

As tarifas do transporte rural seguem os mesmos valores tarifários do transporte urbano, de acordo com os respectivos grupos de linhas integrantes.
Ora, há de se observar a situação peculiarmente calamitosa no DF: a capital federal foi planejada, sobretudo, de forma a isolar os trabalhadores – em sua maioria migrantes nordestinos, negros e de precárias condições de vida e trabalho – nas regiões periféricas e mais distantes (uma viagem corriqueira da Rodoviária do Plano Piloto até Ceilândia, cidade mais populosa do Distrito Federal, leva em média 2 horas); essas são as antes chamadas “cidades-satélites” – hoje respondem pelo nome polido e politicamente correto de “Região Administrativa”, o qual ainda não deixa de transparecer, materialmente, o caráter excludente de classe e de raça. As trabalhadoras e trabalhadores construíram a magnífica e grandiosa cidade de Brasília – em troca, foram despejados ao relento, longe dos burocratas engravatados do alto escalão político do Estado burguês. Sucederam-se invasões, construções de favelas – como foi o caso em Samambaia e da comunidade do Pôr do Sol em Ceilândia, respectivamente. As distâncias são extremadas e o transporte só expressa a realidade dura e brutalizada do proletariado candango, a contradição histórica de opressão e verdadeiro apartheid ao qual são submetidos os trabalhadores do Distrito Federal e entorno.

Mas isso não é preocupação para o excelentíssimo governador Ibaneis Rocha (MDB), que não se encontra em Brasília – está em Miami, apreciando sua boa vida. Logo, o decreto de aumento tarifário foi assinado pelo vice-governador, Paco Britto (Avante); nada mais covarde do que se esconder no paraíso imperialista para pisotear a ralé – bem longe da servidão e do suor da classe trabalhadora. Na campanha eleitoral, Ibaneis foi o candidato avaliado com maior poder aquisitivo entre os seus concorrentes – vossa excelência possui grosseiros R$ 94,1 milhões de patrimônio, fora seus novos presentinhos: a mansão mais cara já vendida no DF (aproximadamente R$23 milhões) e o novo avião executivo (R$ 7,47 milhões); ele também declarou ser dono de duas embarcações, sendo uma delas calculada em R$ 430 mil; relatou ser dono de 17 veículos: o mais caro deles valendo R$ 687 mil.
Atualmente, o transporte público da capital federal definha e a classe trabalhadora enfrenta viagens de mais de 40 quilômetros para ir ao trabalho; centenas de milhares de pessoas têm de pagar até mais de R$20 em passagens somando a ida e a volta; assédios, insegurança e superlotação são mais que recorrentes. Enquanto isso, vossa excelência pede com aquele seu afago especial e chique de quem passa as férias em Miami que aumentem as tarifas das passagens – afinal, passe livre é privilégio e 0,50 centavos não fará diferença. Caro governador, digo que basta de roubo e picaretagem! Não são só 0,50 centavos – é por toda a exploração gangrenada nas gargantas dos trabalhadores e trabalhadoras do Distrito Federal! Que ecoe Junho de 2013 em nossas mentes e corações,portanto!

Não se enganem: Ibaneis é um político burguês; vive como burguês, em luxo abissal, e serve a burguesia enquanto classe. A hipocrisia é um denominador comum no Palácio dos Buritis, como é de se esperar de um Estado-instrumento do poder da classe dominante. Com todo o dinheiro entulhado em seu bolso, vosso ilustre governador pode muito bem pagar, sem problema algum, pelo seu próprio transporte, já que ele nunca se dará ao desprazer de entrar em um ônibus lotado, em horário de pico – ele mesmo que gosta de bradar como abre mão de seu salário como governador – aliás, com seu salário de R$ 18,5 mil, para que pudesse, um dia, comprar a nova residência, ele teria de trabalhar 103 anos, sem gastar nada!
Mas a patifaria não para por aí não! Você sabia que, atualmente, somente de subsídios, são pagos pelo governo mais de R$ 700 milhões por ano às empresas privadas do transporte público? Os valores incluem, além da tarifa técnica - valor "real" da passagem, repassada para as grandes empresas do setor - a gratuidade para pessoas com deficiência e estudantes. Pior: a dívida do GDF com as empresas de ônibus chega a R$ 247 milhões, o que também teria motivado o reajuste das passagens. É curioso perceber como esse tipo de resultado contábil é típico dos negócios capitalistas entre Estado e o capital monopolista privado: essa suposta dívida “pública” existe, tão somente, como ferramentaria para justificar a disponibilização de serviços péssimos, tarifas altas, trabalho precário e alienante e ainda enganar o povo dizendo que eles mesmos têm de arcar com as consequências da “crise fiscal”! Note também a forma peculiar pela qual se trata tal dívida: dificilmente se acha algum comunicado, seja jornalístico ou governamental, sobre como ela foi construída ao longo dos anos. Bem, então porque não exigir a abertura do livro de contas do Estado, não? Se há dúvidas e o governo não tem nada a esconder, por que não abrir suas contas à população? Ademais, é interessante ressaltar que esse mecanismo é análogo ao problema da dívida pública nacional com os países imperialistas.

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O Estado burguês tende a colocar como alarmante e absurdo os gastos com os “privilégios” do passe livre e deslancham caricaturas de austeridade e corte de gastos, já que os cofres públicos estão sempre arrombados com as dívidas. É sempre bom lembrar também que o governo anterior, Rollemberg (PSB) utilizou-se, em termos gerais, da mesma desculpa esfarrapada para aumentar a tarifa: “Segundo ele, o aumento das passagens foi necessário porque o gasto de 2016 para pagar passe livre para estudantes e pessoas com deficiência foi de R$ 600 milhões – enquanto o orçamento para este ano é de R$ 173 milhões. “[Se continuar do jeito que estava] O sistema só funciona até março. Se não tiver um complemento, nós vamos ter um colapso no sistema.” – números parecidos com os atuais, não?

“O governo paga quase um bilhão por ano a essas empresas então tem que ter benefícios” – diz o vice-governador, com o cinismo que lhe é peculiar. A questão, camaradas, não é se o governo gasta muito com passe livre – mas sim dele pagar um subsídio exorbitante para essas empresas privadas, verdadeiros gangster da realidade brasileira e esse dinheiro investido provém dos seus impostos, meu caro. Isso mesmo! O cidadão trabalhador paga os impostos do transporte público e o Estado o gasta financiando os ladrões capitalistas, ao mesmo tempo em que entregam serviços péssimos. Nós somos roubados e ainda querem fazer-nos pagar pela fraudulenta dívida que criaram! Outra informação relevante e escatológica: segundo levantamento realizado pela Procuradoria Distrital dos Direitos do Cidadão (PDDC), os repasses do GDF para as empresas privadas do transporte público foi de R$2,5 bilhões em 5 anos – com aumento de 200% no último ano de governo de Rollemberg se comparado com 2014. Ora, a essa altura do texto, já pode-se entender o tamanho da patifaria que circunda os monopólios privados do setor de transporte público e o Estado burguês.

Eis, portanto, a necessidade de uma solução radical, cujos alicerces passem necessariamente pela visualização material de um modelo superior ao capitalismo na organização da produção e, no caso, propor uma solução para a viabilidade do serviço de transporte para que seja popular, com o preço das tarifas reguladas de acordo com as necessidades materiais da classe trabalhadora. Por isso, faz-se necessária a reflexão prático-teórica do trotskismo:

“A elaboração de um plano econômico, mesmo elementar - do ponto de vista do interesse dos trabalhadores e não dos exploradores - é inconcebível sem controle operário, sem que os operários voltem seus olhos para todas as energias aparentes e veladas da economia capitalista. Os comitês de diversas empresas devem eleger, em oportunas conferências, comitês de trustes, de ramos de indústrias, de regiões econômicas, enfim, de toda a indústria nacional em seu conjunto. Assim, o controle operário tornar-se-á a ESCOLA DA ECONOMIA PLANIFICADA. Pelas experiências do controle, o proletariado preparar-se-á para dirigir diretamente a indústria nacionalizada quando tiver chegado a hora.”(TROTSKI, 1936, p. 8)

Eis aqui que necessitamos de uma alternativa independente, da juventude, das mulheres, negras e negros, toda a classe trabalhadora, de Brazlândia à Formoza, de Valparaíso à Planaltina. A Juventude Faísca, assim, propõe:

  • Revogação imediata do decreto que determina o aumento das passagens;
  • Abertura do livro de contabilidade – é direito do povo saber como e para quem o Estado usa os recursos do povo;
  • Anulação completa da dívida! Não será o povo que pagará essa dívida fraudulenta, mas sim os capitalistas mafiosos do transporte público;
  • Estatização de todas as empresas privadas de transporte público sem indenização para as empresas gestoras;
  • Controle e administração total das empresas estatizadas pelos trabalhadores e usuários do transporte público. Autogestão já!

A juventude precisa assumir um carácter determinantemente anticapitalista, apontar enfaticamente que o Estado burguês rola uma dívida astronômica e que nunca acaba, porque não pode nem será paga. Lutar decididamente contra o aumento da tarifa, reivindicando junto disso a auto-organização da nossa luta, a estatização dos monopólios privados do transporte sem indenização, a abertura de todas as contas dessa dívida fraudulenta. Para isso será também preciso se enfrentar com as burocracias encasteladas em nossas entidades, que não movem uma palha para denunciar a fraude da dívida e movimentam uma luta sem qualquer fórum democrático e massivo de deliberação. “O ‘segredo comercial’ e o controle operário sobre a indústria” do Programa de Transição proposto por Trotski – é um suspiro de esperança e força para a faísca que nossa luta pode ser para a classe trabalhadora do DF! Avante trabalhadores e juventude! Abaixo o aumento da tarifa!

“Aos capitalistas, principalmente os de pequena e média envergadura, que às vezes propõem abrir seus livros de contas diante dos operários - sobretudo para lhes mostrar a necessidade de diminuir os salários - os operários devem responder que o que lhes interessa não é a contabilidade de falidos ou semi-falidos isolados, mas a contabilidade de todos os exploradores. Os operários não podem nem querem adaptar seu nível de vida aos interesses de capitalistas isolados e vítimas de seu próprio regime. A tarefa consiste em reconstruir todo o sistema de produção e distribuição sobre princípios mais racionais e mais dignos. Se a abolição do segredo comercial é a condição necessária ao controle operário, este controle é o primeiro passo no caminho da direção socialista da economia.” (TROTSKI, 1936, p. 9)




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