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Com mais de 7 mil mortos notificados, bolsonaristas sambaram e pediram fechamento do congresso

Maíra Machado

Professora da rede estadual em Santo André, diretora da APEOESP pela oposição e militante do MRT

segunda-feira 4 de maio| Edição do dia

Com uma previsão de 5000 mortos só na próxima semana, o Brasil está em primeiro lugar no ranking dos países com maior índice de contágio pela Covid19 do mundo. Por política dos governos privatistas, a saúde pública está em frangalhos, o país contava até o início da crise com 49 pneoumologistas para toda a região norte do país e produz hoje 158 respiradores por semana, sendo que só na Bahia serão necessários 1300 respiradores para os próximos 10 dias.

O colapso na saúde pública se aproxima a enormes passos largos e a catástrofe iminente já é real em Manaus e em outros estados. Não está no futuro, ao contrário, nas poucas semanas passadas vimos o desespero de famílias pobres abrindo caixões lacrados para ter certeza de que eram seus parentes os que estavam sendo enterrados.

A catástrofe colocada se choca frontalmente com as “carreatas da morte” que vimos em alguns lugares do país ontem, especialmente em Brasília, que contou com a presença do presidente da república que, sem máscara, abraçava crianças e dizia “ Peço a Deus que não tenhamos problemas nessa semana. Porque chegamos no limite, não tem mais conversa. Daqui para frente, não só exigiremos, faremos cumprir a Constituição."

Certamente muitos problemas ocuparão essa semana, principalmente dentro as casas de milhões de trabalhadores brasileiros e nos hospitais colapsados. Somos um dos países que menos testa no mundo e mesmo com 7000 mortes anunciadas, não conseguimos ter ideia real de quantos são os mortos pela Covid 19 em nosso país. Mas para a turma bolsonarista, majoritariamente branca e bem alimentada, isso não importa nada e estão juntos ao presidente perguntando “e daí?”.

Com mulheres ajoalhadas na Praça dos Três Poderes, pedindo clemência a Deus e homens com batuques nas mãos cantando por Jair Bolsonaro, o messias “que não faz milagre”, vimos que as exigências feitas por manifestantes que zombam dos milhares de mortos, são de fechamento do congresso e STF e armas para os “homens de bem”. Tudo isso com manifestantes envolvidos de histeria e bandeiras do Brasil pelo corpo, mas obviamente exaltando ao máximo a bandeira dos EUA, para quem Bolsonaro fica de joelhos, mesmo depois de Trump ter roubado respiradores que eram nossos.

Mas não podemos em nenhum momento nos enganar, os gritos de “Fora Maia” entoados pelos apoiadores de Bolsonaro constroem uma armadilha poderosa que é de defender o congresso e o STF como se fossem instituições democráticas que atuam de fato pela população. Em primeiro lugar é importante que não esqueçamos, Bolsonaro é fruto do golpe institucional, programado por Rodrigo Maia e todos os políticos do centrão. O STF foi a instituição que sancionou o golpe, levou á frente a prisão arbitrária de Lula e tingiu de democráticos todos os atos justamente contra a constituição, que Bolsonaro disse ontem que fará cumprir.

Em nome de defender a democracia, precisamos lembrar que Doria, era em 2018 o “Bolsodoria”, Wizel dizia que a polícia devia mirar na cabeça dos pobres e negros das favelas e os governadores que se dizem responsáveis hoje, estavam junto à Rodrigo Maia, Davi Alcolumbre e esse STF golpista para garantir um governo disposto a atacar abertamente os direitos do conjunto da população, para aprovar a Reforma da Previdência e avançar o máximo possível na privatização da saúde. Veja mais aqui http://www.esquerdadiario.com.br/Fora-Bolsonaro-e-Mourao-e-depois-o-que

Mas para não recorrer ao passado recente é preciso ter claro que a falta de testes é acompanhada de um discurso falacioso de que o problema da quarentena é que a população não cumpre, justamente porque nesse momento de contágio desenfreado pela Covid 19, 88% da construção civil de nosso país segue funcionado e 73 shoppings foram reabertos, já que “a economia não pode parar”.

Os apoaiadores de Bolsonaro, que caminham com berrantes para organizar a boiada estão longe de defender o Brasil, querem o aumento do autoristarismo e assim como Mourão, defendem que a ditadura “matou muito pouco”. Seguem em suas aglomerações e festejos enquanto os negros e pobres de nosso país lotam hospitais que nem poderão atende-los, já que os novos protocolos médicos orientam que os que viverão e os que morrerão devem ser selecionados.

Aqueles que primeiro perderam suas aposentadorias com a Reforma da Previdência votada por todos os setores que hoje parecem estar em disputa, provavelmente serão selecionados para a morte em estados como o Rio de Janeiro. A força que Bolsonaro quis mostrar ontem com seu “bando da morte”, justamente um dia depois do depoimento de 9 horas do golpista de primeira linha, Sergio Moro, busca se sustentar no apoio que Bolsonaro insiste em dizer que tem das Forças Armadas. Não sabemos qual o resultado desse jogo, mas precisamos batalhar por uma resposta independente da classe trabalhadora.

Por isso, dizemos com toda força de nossa raiva e indignação nesse momento: Fora Bolsonaro! Mas não caímos na armadilha de que basta que ele caia, lutamos para que Mourão vá junto com ele, assim como os militares. Batalhamos para mudar não apenas o jogador, mas as regras do jogo e lutamos imediatamente para que a crise seja paga pelos capitalistas e não pelas trabalhadoras e trabalhadores. Com a proibição de todas as demissões, uma quarentena com licença remunerada, contra as suspensões de contrato e reduções salariais, e garantindo um salário emergencial que chegue imediatamente a todos que estão sem renda, com valor suficiente para manter uma família. Com testes massivos, leitos equipados, contratação de todos os profissionais da saúde e centralização da saúde no estado, sob controle dos trabalhadores. Com todo o financiamento necessário, a partir do não pagamento da dívida pública. Com a reconversão produtiva para garantir os insumos e equipamentos necessários.

Nossa resposta que não pode nos deixar reféns de golpistas e militares que advogam pelos interesses dos empresários e capitalistas e que até o fim também não se importam com as milhares de vidas que ainda serão perdidas. O povo deve ser soberano para definir o seu destino, por isso nosso combate deve se dar por uma Assembleia Consituinte Livre e Soberana, onde nenhuma instituição do regime político burguês poderá tutelar nossa vontade.

Leia também: Na “linha de frente” para que os capitalistas paguem pela crise pandêmica e suas brutais consequências




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