Economia

RIO GRANDE DO SUL

Com lucros de RBS e Zaffari, RS poderia ter 7 milhões de testes ou 720 leitos de UTI

O discurso amplamente impulsionado nos últimos dias por Eduardo Leite de que a vida vem antes dos empregos não passa de demagogia, já que os casos confirmados de coronavírus continuam a aumentar exponencialmente e poucas medidas de combate real a essa pandemia estão sendo tomadas, permitindo que a população adoeça em seus precários trabalhos sem proteção nem testes.

Giovana P.

Coordenadora Geral do Centro Acadêmico do Teatro da UFRGS (CADi)

quarta-feira 1º de abril| Edição do dia

Nesse mesmo sentido também se encontra o discurso difundido pela RBS a todos os gaúchos, que investe pesado em propagandas pela quarentena mas não disponibiliza parte do seu abundante lucro para salvar a vida da população investindo na produção de mais testes, leitos ou mais respiradores, por exemplo.

Os casos confirmados no Rio Grande do Sul, até a manhã desta quarta-feira (01), já contabilizam o assustador número de 305. Desses, 190 concentram-se na capital gaúcha. Para termos uma ideia, apenas entre segunda e terça houve um aumento de 37 casos confirmados enquanto nos cinco dias anteriores (entre quarta e domingo) foram registrados novos 39 casos.

A tendência desse número se agravar nos próximos dias é grande. E que medidas efetivas e imediatas estão sendo tomadas pelo governo estadual? Por enquanto, não passam de palavras ao vento os testes prometidos por Eduardo Leite na semana passada (24), que anunciou o encaminhamento de 50 mil até 100 mil testes para a população gaúcha.

A necessidade de testes para combater a pandemia do coronavírus é incontestável. Enquanto não forem disponibilizados testes para toda população e, principalmente, para aqueles trabalhadores que continuam sendo expostos ao vírus diariamente, a COVID será imparável, visto que a transmissão do vírus se dá principalmente por assintomáticos. Na capital vemos o transporte público e os setores mais precários, como telemarketing, garis e caixas de supermercado, funcionando sem nenhum tipo de proteção básica (como máscaras, álcool gel, luvas) nem testes, algo essencial para resguardar a vida desses trabalhadores, que estão sendo expostos diariamente à doença e potencialmente transmitindo-a.

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Se o problema é falta de dinheiro para compra de testes, produção de leitos e equipamentos de proteção, de onde então tirar? Apenas os lucros obtidos em 2018 por duas das maiores empresas gaúchas, a RBS (74,3 milhões) e a companhia Zaffari (528,5 milhões), poderiam garantir o teste para 8,45 milhões de pessoas (no valor de R$75 cada teste), mais da metade da população do Rio Grande do Sul. Com esse valor, ainda poderiam ser construídos 720 leitos de UTI, isso significa quase dobrar o número de leitos de UTI no estado, que hoje se encontra na marca de 1000. Por que essas empresas não colocam seus lucros a serviço de combater o coronavírus na produção testes, de respiradores ou ampliando leitos de UTI?

Essa pequena comparação, que pode ser feita com diversos outros bilionários lucros de empresas estaduais e nacionais, escancara a lógica capitalista: o lucro está acima da vida. A companhia Zaffari, por exemplo, não disponibiliza nem mesmo máscaras para os trabalhadores dos caixas do supermercado, que entram em contato direto com milhares de pessoas todos os dias. Se os empresários não se importam nem mesmo com a vida daqueles que mantêm a empresa funcionando, que dirá com o restante da população. Apenas os trabalhadores são capazes de responder à altura suas necessidades, expropriando as empresas dos capitalistas e colocando-as verdadeiramente a serviço da maioria da população. Não podemos permitir que mais pessoas adoeçam enquanto Eduardo Leite promete testes que nunca chegam, é preciso que lutemos com nossas próprias mãos por testes massivos à toda população.

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[1] Para realizar este cálculo utilizamos os dados disponibilizados na Análise da Seguridade Social publicada pela ANFIP de 2019 para a DRU, bem como o investimento realizado para a construção do Hospital Fio Cruz do Rio de Janeiro de R$ 100 milhões e 120 leitos de UTI.




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