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Greve | Com lucros de 137 milhões, MRV se nega a pagar PLR a operários em greve

Construtora de origem mineira, MRV&CO registrou 137 milhões de lucro líquido no primeiro trimestre de 2021 e tem expandido suas atividades no Estados Unidos. Enquanto os altos cargos recebem participação nos lucros, a empresa se nega a pagar qualquer valor aos trabalhadores dos canteiros de obras de Campinas. Como resposta, operários realizam uma greve que já ultrapassa 15 dias. Denunciamos aqui a ganância da MRV&CO que constrói fortunas e sustenta seu crescimento através da super exploração de trabalhadores.

quinta-feira 29 de julho | Edição do dia

Em greve contra a ganância

Desde o dia 13 de julho, os trabalhadores da MRV em Campinas se encontram em greve exigindo melhores condições de trabalho e o pagamento do Programa de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) da empresa. O Ministério Público do Trabalho (MPT) acusou a empresa de arbitrariedade por pagar valores robustos de PLR aos diretores, e outros funcionários de altos cargos administrativos, e nada aos operários dos canteiros de obras. A negativa da empresa em acatar a decisão do MPT - de que fosse pago um salário nominal aos trabalhadores - resultou na continuidade pelos 8 canteiros de obras no Jardim Esmeraldina e na Vila Industrial.

Como denunciamos aqui, enquanto os trabalhadores vivem a precarização e o descaso por parte de uma das maiores construtoras do país, o acionista majoritário Rubens Menin possui um patrimônio de R$2,2 bilhões, de acordo com a Forbes. Além de ser um dos donos da CNN, Rádio Itatiaia e do Banco Inter. Sua fortuna não é senão o trabalho roubado dos trabalhadores da construção que amargam uma vida de exploração.

Em meio a pandemia, mais lucros

No dia 12 de maio deste ano, a MRV anunciou ter atingido no primeiro trimestre o lucro líquido de 137 milhões, o equivalente a 30,9% de crescimento em relação ao mesmo período de 2020. O lucro da empresa só não foi maior devido a expansão dos negócios no exterior. A MRV&CO incorporou a construtora norte americana AHS Residential e já consta com terrenos adquiridos no Texas, Georgia e Flórida. O objetivo é a construção de 5 mil unidades de apartamentos a partir de 2025.

A super exploração dos trabalhadores brasileiros pagaram a expansão da empresa. O lucro das operações no Brasil foram de 146 milhões. A MRV&CO encontra-se atualmente na 113° lugar no ranking dos maiores grupos do país. E está entre as empresas, que mesmo com a pandemia, pode continuar suas atividades na maior parte do tempo, colocando em risco seus trabalhadores.

Apesar da crise que assola o país, colocando quase ¼ da população nacional em situação de fome, a MRV&CO participa de um mercado que se encontra aquecido. O aumento na venda de imóveis foi de quase 50%. As empresas também lucram com o aumento do valor de lançamento. A própria MRV, entre janeiro e março, teve uma expansão de 58% acumulando R$1,71 bilhão em vendas, maior Valor Geral de Vendas da história da empresa em um primeiro trimestre.

Denúncias de trabalho escravo

A empresa, que em 2019 tinha 18 mil trabalhadores contratados, também é conhecida pelos escândalos envolvendo a super exploração do trabalho e participação em redes que envolvem trabalhos em condições análogas à escravidão. Uma operação realizada em 13 de maio nas cidades de Porto Alegre e São Leopoldo no Rio Grande do Sul resgatou 16 trabalhadores em situações degradantes de trabalho. Estes eram aliciados por uma empresa terceirizada pela MRV.

Situações similares já ocorreram com a empresa em Macaé (RJ), em 2014, Contagem (MG), em 2013, Americana e Bauru (SP) e Curitiba (PR), em 2011. Em 2012 a MRV foi alvo de uma representação do MPT que relacionava o crescimento meteórico da empresa à exploração irregular sistemática de mão de obra nos canteiros. Na época o acionista majoritário da empresa Roberto Menin ascendia com um dos novos bilionários do país que se beneficiavam dos acordos com o Estado, entre eles benefícios do programa "Minha Casa, Minha Vida".

Com as reformas pós-golpe de 2013 e a flexibilização da fiscalização a empresa está ainda mais livre para continuar lucrando com métodos “legalizados” e, outros diretamente ilegais.

Um exemplo de disposição de luta

Em meio uma situação nacional reacionária, os trabalhadores em greve da MRV em Campinas mostram que existe disposição de luta para evitar a retirada dos direitos e austeridade imposta pelos governos e patronais. Uma conquista de PLR para os trabalhadores dos canteiros de Campinas, seria também um precedente para melhorar as condições de trabalho em outros canteiros de obras da mesma empresa e de outras construtoras. Por isso, é fundamental essa unificação e apoio de toda categoria e dos sindicatos.

Nós, do Esquerda Diário, nos solidarizamos com a luta dos trabalhadores nos canteiros de obras da MRV e colocaremos nossa mídia a serviço de amplificar essa luta. Mas também é tarefa dos sindicatos, entidades estudantis, partidos de esquerda e seus parlamentares se colocarem ativamente ao lado destes trabalhadores.

É um exemplo também de que não é verdade o discurso dos partidos que dirigem os sindicatos de que não existe disposição para lutas. Os trabalhadores em greve da MRV estão lutando contra Roberto Menin, um dos aliados declarados de Bolsonaro. Quando Bolsonaro estava sendo questionado pela sua política que atrasava a vacinação, Menin saiu em sua defesa do presidente e de sua campanha falaciosa a favor da cloroquina. Se as centrais sindicais organizassem um plano concreto de batalhas, nos depararíamos com mais exemplos de trabalhadores querendo se organizar contra seus patrões mas também contra Bolsonaro, Mourão e os militares.

O triunfo da greve dos trabalhadores contra a ganância da MRV&CO e de seu proprietário Rubens Menin seria um impulso para muitos outros trabalhadores. Começando por outros setores da construção civil da cidade e região que já começam a refletir como exigir as mesmas reivindicações.

Consideramos fundamental a organização imediata, entre sindicatos, entidade estudantis da cidade, oposições e ativistas – como aqueles e aquelas da Conlutas e da Intersindical - de uma solidariedade ativa que possa barrar o bloquei midiático contra a greve e amplificar a força desta luta.

Experiências como dos trabalhadores da MRV podem ser um impulso que ligue lutas operários por direitos aos atos contra Bolsonaro protagonizados pela juventude, mulheres, negros, LGBT´s. Para forjar uma aliança assim, é necessário que as centrais sindicais como a CUT e a CTB organizem já assembleias que discutam a organização de uma greve geral que possa derrubar Bolsonaro, Mourão e os Militares e reverter os ataques em curso conquistando direitos para os trabalhadores.




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