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CRISE POLÍTICA

Com inquérito das Fake News, se acirra disputa entre Bolsonaro e STF no regime

quinta-feira 28 de maio| Edição do dia

Nessa quarta-feira (27), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o mandato de busca e apreensão dos envolvidos no inquérito das fake news. Dentre eles estão empresários, políticos e personalidades que comporiam o grupo denominado “Gabinete do ódio” acusados de disseminação de fake news sobre membros do STF.

Nas ações coercitivas, foram confiscados celulares e computadores pessoais como os do empresário Luciano Hang, conhecido como “veio da Havan”, da ativista reacionária Sara Winter e do blogueiro Allan dos Santos do site Terça Livre.

As disputas entre os bonapartismos institucional e militar, que ganham cada vez mais espaço no regime, já se acirravam com carta do Heleno, por exemplo, onde afirmava que se o STF apreendesse o celular de Bolsonaro, haveriam consequências imprevisíveis ou a decisão do STF de conceder aos governadores e prefeitos a prerrogativa sobre as medidas de quarentena e outros episódios.

Diante da situação, o procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu ao ministro e relator da operação, Edson Fachin, do STF, a suspensão do inquérito da fake news, numa tentativa de blindar Bolsonaro. O procurador afirma que não vê que o conteúdo das publicações dos acusados sejam prática de calúnias, injúrias ou difamações contra os membros do STF, mas “representam a divulgação de opiniões e visões de mundo, protegidas pela liberdade de expressão.”

Tentando se relocalizar na disputa dos bonapartismos, o STF tem aplicado as medidas coercitivas para conter o bolsonarismo e, assim, se alçar novamente como árbitro político autoritário, como foi no golpe de 2016 e protagonista, lugar que havia passado a ser protagonizado pelos ministros militares de Bolsonaro, em especial pelo general Braga Netto da Casa Civil, comandante do Gabinete de Crise. A disputa entre os poderes autoritários e sem voto na condução dos conflitos se mostra renovada.

É de amplo conhecimento que, desde as eleições de 2018, o clã Bolsonaro é acusado de ações nas redes sociais com falsas notícias e robôs a serviço de elege-lo, onde seu filho Carlos Bolsonaro seria o mais responsável pelo trabalho sujo, entretanto, as medidas do STF não visam, de fato, acabar com isso, e sim, conter o bolsonarismo para, como já mencionado, voltar a atuar enquanto mais poderoso protagonista político.

Os mecanismos dessas disputas políticas são um desfile de medidas autoritárias entre os bonapartismos, institucional e militar. o que emerge deste embate é uma escalada do poder autoritário do setores que não foram votados para decidir os rumos econômicos e políticos do país e da população. É mais e mais autoritarismo, tome ele as cores da Lava Jato ou de Bolsonaro e militares. Dia a dia exige-se mais independência da classe.

Bolsonaro passa a ser ameaçado pelos golpistas que tanto o ajudaram a emergir como presidente e fecundaram o bolsonarismo, caçando o sufrágio universal em dois momentos: com o impeachment em 2016 e depois a manipulação das eleições em 2018, com importante intervenções do STF, Moro, da PGR e da grande mídia. Não é possível confiar nos golpistas do STF ou em Bolsonaro e militares, ambos agentes do imperialismo, que agora brigam para ver quem terá o poder de aplicar ainda mais ataques à classe trabalhadora.

Chamamos a todos os setores das massas que querem derrubar Bolsonaro a avançar para gritarmos Fora Bolsonaro e Mourão, alinhando todos os setores da esquerda que concordam que Mourão não pode ser nenhuma alternativa, ao contrário, é uma abertura para um governo diretamente de militares, o que poderia ter consequências gravíssimas. O impeachment pode agora ser assumido até mesmo por Moro, a Globo e amplos setores do regime golpista, mas para abrir espaço para Mourão e pressionar os militares a se deslocarem do seu apoio à Bolsonaro e rifarem e assumirem o comando. Nossa batalha seguirá sendo: Fora Bolsonaro, Mourão e militares!

Nenhuma confiança nos governadores e no STF!
O povo deve decidir: por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana!




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