Mundo Operário

BREQUE DOS APPS | APOIO MASSIVO

Com força no boicote aos apps, população demonstra apoio à paralisação dos entregadores

Com a #BrequedosApps em 1º lugar nos trendings no Twitter, e uma grande adesão à ação de boicote à pedidos nos aplicativos hoje (25), o apoio aos entregadores é ampla.

sábado 25 de julho de 2020| Edição do dia

O Breque dos Apps no dia 1º de Julho já havia contado com um amplo apoio da população, inclusive ao boicote aos pedidos no app no dia do ato. Hoje, 25, esse boicote volta a ter efeito, e o apoio da população aos entregadores desde suas casas é expressivo.

Além do boicote aos pedidos, a #BrequeDosApps ocupa o 1º lugar no Trendings do Twitter no Brasil, mostrando um grande apoio popular a luta desse setor que vem se arriscando diariamente na pandemia. A população que apoia sabe muito bem a condição que esses trabalhadores vivem hoje, já que no Brasil cresce a cada dia o desemprego, e a precarização do trabalho, além das consequências da crise sanitária.

Os atos de entregadores nas ruas do Brasil hoje não são tão fortes quanto no dia 1º, muito também por conta da divisão que o Sindimoto criou na categoria, também chamando ato em dia diferente dessa convocação. Além disso, houveram também diversas ameaças de punições por parte das empresas de apps e de ações similares ao que fizeram no dia 1º, acelerando o processo de cadastramento de novos motoristas e diminuindo valor das taxas de entrega, para debilitar a paralisação.

Mas, mesmo assim, este apoio que vem das casas de milhões de pessoas, se recusando a pedir qualquer coisa por app e divulgando a luta em suas redes sociais mostra uma força de apoio bastante ampla ao Breque dos Apps, que pode ser fundamental para dar força à essa luta.

Paralisações como essas são fundamentais porque mostram o desejo de luta dos entregadores e dos trabalhadores precários. O apoio forte a eles também expressa o desejo da população em avançar contra a precarização crescente em níveis inéditos em tempos de pandemia.

Por isso, para que essa luta se desenvolva, os entregadores precisam tomar essa luta em suas próprias mãos, não deixando que as decisões do movimento fiquem no poder por exemplo do Sindimoto, que aposta mais em negociar com o TRT do que em organizar uma assembleia para que os entregadores possam se colocar. Também é importante que tomem em suas mãos os rumos da mobilização para que ela se expresse nas ruas, sem nenhum tipo de confiança com Rodrigo Maia, por exemplo, como se este pudesse atender aos interesses dos trabalhadores, pois é justamente quem foi fundamental na aprovação de reformas como a da previdência que vai impor condições de vida muito piores aos trabalhadores.

Seria muito importante a articulação de uma assembleia nacional de entregadores, para que eles próprios possam se definir os próximos passos de sua mobilização, para que as distintas visões que existam dentro do movimento possam ser debatidas, que troquem opiniões e que os entregadores possam ser os sujeitos de desenvolver os rumos dos movimentos, suas próximas datas e ações. Isso poderia ser o primeiro passo para colocar de pé uma grande rede de entregadores e trabalhadores precarizados, que possa ser o meio de uma organização “de baixo” dos entregadores para sua luta, como existe hoje na Argentina, com a La Red de Precarizadxs, que organiza entregadores e outras categorias, e onde esses setores podem tomar suas próprias decisões.




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