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INDÚSTRIA

Com desemprego recorde, pra onde vai a indústria no Brasil?

O noticiário sobre economia não deixa dúvidas, o cenário é ruim e vai piorar. O PIB (Produto Interno Bruto), que é a soma das riquezas produzidas no país, caiu 5,4% na comparação entre o primeiro trimestre de 2016 e o primeiro trimestre de 2015. Dos três setores a indústria é quem mais puxa para baixo, com queda de 1,2%, enquanto agricultura 0,3% e serviços 0,2%.

Evandro Nogueira

São José dos Campos

quinta-feira 2 de junho de 2016| Edição do dia

O desemprego segue batendo recordes, já são mais de 11,4 milhões de trabalhadores que estão sem ter como garantir o sustento de suas famílias, é o pior número desde 2012 e a expectativa é que em breve chegue a 12%. Entre abril de 2015 e abril de 2016 a média é de 5 mil vagas a menos por dia. Esse aumento do desemprego se deve tanto pela quantidade de demissões superar as contratações, mas também porque mais pessoas tem buscado se inserir no mercado de trabalho, na busca por garantir as despesas das suas famílias.

As grandes montadoras, as mais protegidas, ainda querem demitir milhares!

Com queda de 25,7% nas vendas no quarto mês desse ano, o setor automotivo está entre os mais atingidos pela crise. Já são 15,8 mil vagas fechadas desde janeiro do ano passado, sendo que cada posto de trabalho em uma grande montadora impacta em média outros 18 postos na cadeia automotiva, mas estas mesmas grandes montadoras seguem se beneficiando com programas como a isenção do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e o PPE (Plano de Proteção ao Emprego), que repassou mais de R$ 150 milhões dos cofres públicos para 84 empresas.

Entre essas grandes montadoras super favorecidas por programas do governo estão as mesmas que vem anunciando que deverão demitir aos milhares, como a Mercedes-Benz, que diz ter 2 mil funcionários excedentes e já abriu PDV (Plano de Demissão Voluntária), ou a Volkswagen, que quer demitir 1060 trabalhadores, ou ainda a Ford, que ameaça outros 1110. Não é preciso qualquer esforço para perceber que as grandes empresas que tanto lucraram no período que as vendas estavam em alta, após terem seus lucros protegidos pelo governo quando a economia começou a desacelerar, agora querem demitir e retirar direitos para continuarem se protegendo.

Toda solidariedade à ocupação da Karmann-Ghia no ABC e demais lutas operárias!

Na Karmann-Ghia, em São Bernardo do Campo, os trabalhadores decidiram em assembleia no dia 13 de maio ocupar a fábrica como forma de luta contra o atraso de salários e direitos que se arrastava desde o ano passado, além de 260 demissões. Existe uma indefinição na justiça sobre quem é o real dono da empresa, que inclusive é disputada pelo trineto de Dom Pedro II, Eudes de Orleans e Bragança, enquanto os trabalhadores seguem sem receber seu sustento. Contra essa situação é preciso cercar de solidariedade essa luta, que deve triunfar!
Recentemente, a fábrica da Volvo, em Curitiba, barrou o anúncio de 400 demissões após uma greve de 8 dias. Na Indebras, em Mogi das Cruzes (SP), a greve é contra o atraso e rebaixamento de direitos e na Wirex Cable, em Santa Branca (SP), já foram três paralisações esse ano, a última no final de maio, contra o atraso de salários, de direitos e demissões.

Lutar por um programa operário contra a crise!

Para enfrentar a onda de demissões na indústria não servem propostas como a do Sindicato de Metalúrgicos de São Paulo, dirigido pela Força Sindical, que insiste em incentivos do governo para as grandes montadoras por meio de um Programa de Renovação da Frota de veículos, subsidiando a compra de novos. Basta de incentivos para esses parasitas!

As lutas operárias devem se coordenar e impor que cada empresa que pretende demitir em massa mostre toda sua contabilidade para comprovar a situação de crise que, se for real, deverá ser superada por outros meios que não a demissão. Quando for necessário reduzir a produção, que seja reduzida a jornada, sem redução de salários, que por sua vez devem aumentar automaticamente mês a mês, na mesma proporção que a inflação. Essas medidas são a única forma de barrar a queda no rendimento dos trabalhadores e defender seus postos de trabalho. A situação da indústria não deixa margens, é o programa operário ou o lucro dos patrões.




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