Mundo Operário

DIA NACIONAL DE LUTAS

Com demissões e coletivas nas montadoras começa o dia Nacional de Lutas no ABC Paulista

Maíra Machado

ABC paulista

terça-feira 16 de agosto| Edição do dia

Hoje pela manhã teve início o dia nacional de lutas convocado pela CUT, CTB, Força Sindica, e outras centrais sindicais como a CSP Conlutas. Entretanto, ainda bastante controlado pela burocracia sindical da CUT, que orienta paralisações de apenas algumas horas no período da manhã o que não responde a altura dos enormes ataques que sofre a classe trabalhadora no país, com seus 12 milhões de desempregados, PLP 257, aumento de 10 anos da idade mínima para aposentadoria, privatizações de setores importantes como a Petrobrás e mais desemprego.

Só na região do ABC recorde em desemprego no país, as três grandes montadoras, Mercedes, Volks e Ford, estão em férias coletivas e com ameaça de demissão. Na Mercedes os trabalhadores ontem (15) começaram a receber telegramas avisando do desligamento que ocorrerá em setembro, prazo final da estabilidade do PPE (Plano de Proteção ao Emprego). Ou seja, a grande saída para a crise proposta pela CUT serviu apenas para adiar as demissões que deveriam ser enfrentadas com um sério plano de lutas, com greves, piquetes e cortes de rua, em unidade com outras categorias de trabalhadores que sofrem o enorme avanço dos ajustadores golpistas sobre seus direitos conquistados. Iludindo os trabalhadores que seria possível uma saída por dentro do regime, negociando com o governo e os patrões durante toda a gestão do PT, e que agora não mobiliza suas forças contra fortes ataques da direita golpista e ajustadora.

O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC convoca todos os trabalhadores da Mercedes para uma assembleia tímida em sua sede, num momento em que as forças estão fragmentadas pelas férias coletivas. Mesmo sabendo do anuncio das demissões o SMABC não convocou assembleia, ou mesmo fez um escândalo no momento em que os trabalhadores ainda estavam operando, ao contrário, disseram que não haviam sido notificados oficialmente pela empresa, logo aguardariam. Não obstante, a ofensiva patronal veio um dia antes ao Dia Nacional de Luta convocado pela central sindical que dirige o sindicato, surpreendendo os trabalhadores com o aviso de demissões. E mais uma vez a CUT da exemplo de como sua paralisia é criminosa.

Salta aos olhos a política de conciliação promovida pelo PT e seguida pela CUT, no próprio chamado do dia Nacional as principais bandeiras de reivindicação estão dirigidas ao empresariado, e não aos interesses dos trabalhadores que hoje sofrem com os ataques e a carestia de vida. Por isso mais uma vez é importante dizer que a CUT precisa romper com a orientação de conciliação do PT frente ao impeachment, e cumpra o papel de organizar os trabalhadores em defesa de seus direitos, com métodos radicalizados de enfrentamento dos setores golpistas de Temer e do empresariado, só assim os trabalhadores estarão preparados para enfrentar os ajustes da agenda neoliberal, e farão o empresariado tremer, do contrário estaremos fadados a derrota de nossas demandas.




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