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Com conivência da CUT, metalúrgicos de Contagem são demitidos na volta ao trabalho

segunda-feira 4 de maio| Edição do dia

Nessa segunda-feira milhares de metalúrgicos voltaram aos seus postos de trabalhos em grandes empresas multinacionais e em outras de médio e pequeno porte.
Esses trabalhadores que no começo da pandemia trabalharam sem EPI´s podendo se contaminar a qualquer momento, foram liberados na sua maioria no final de março, para cumprir isolamento social. Como a patronal nunca quer sair perdendo, descontou esse período do direito de férias dos trabalhadores.

Sem que a pandemia tivesse um fim, as empresas resolveram que era hora dos trabalhadores voltarem a produzir para garantir seus altos lucros, sem a garantia de testes massivos para detectar a covid-19 e ainda, com redução de salários de até 70% e suspensões de contrato para outros, amparados pela MP da morte de Bolsonaro, o presidente que odeia peão.

Em um momento que se preza pelo bem coletivo, com um problema mundial de saúde pública, as empresas só deveriam voltar a produzir pra além do serviço essencial, se garantissem toda segurança aos seus trabalhadores, e se fosse pra fazer respiradores, máscaras e tudo o que precisasse para ajudar a resolver a crise sanitária.

Mas ao contrário disso, não bastasse a lista de ataques que os trabalhadores têm que enfrentar, qual não é a surpresa quando vários trabalhadores retornaram hoje, no horário combinado e ficam sabendo que estão sendo demitidos. Mais uma vez, a patronal quer descarregar a crise nos trabalhadores e sobrecarregar os que ficam no chão da fábrica.

Em plena pandemia, a patronal junto ao governo federal, deixa os trabalhadores sem salário, interrompendo planos e sonhos em um momento atípico da vida de todas as famílias da classe trabalhadora. Além disso, perdem seus planos de saúde e ficam sem assistência médica, o que torna o pesadelo da demissão ainda pior em meio à essa crise toda.

As grandes empresas que lucraram absurdamente nos últimos anos, não precisam reduzir salário e muito menos, demitir. A ganância capitalista é cruel e criminosa, e esse sistema econômico, totalmente irracional. Enquanto poucos continuam com seus bilhões, inclusive de euros, a maioria da classe vai sendo jogada na miséria em plena pandemia, contando apenas com seus familiares, amigos e irmãos de classe.
Enquanto isso, o sindicato dos metalúrgicos de BH, Contagem e região, dirigido pela CUT, fica absurdamente propagandeando que no acordo que fizeram com a patronal, junto à Força Sindical e à CTB, garantiram estabilidade para os metalúrgicos. Onde está o sindicato agora e o que está fazendo então, frente às demissões para que os trabalhadores não percam seu sustento?

Segundo seu próprio site, estarão de portas fechadas por mais 30 dias a contar do 1º de maio, e podendo prorrogar por mais 30 dias. Ou seja, enquanto os trabalhadores estão indo para rua sem perspectiva de conseguirem outro emprego em breve, a burocracia que está no sindicato hoje continuará usufruindo da sua quarentena por mais 60 dias.

Nada tão surpreendente quando pensamos que essas mesmas centrais, estiveram juntas no dia internacional da classe trabalhadora com FHC, Ciro Gomes, Marina Silva e ainda convidaram gente como Dória, Witzel, Alcolumbre, todos representantes da direita anti-trabalhador.

É por isso que os trabalhadores só podem contar com a organização da sua própria classe, batalhando em cada local de trabalho para que nenhum companheiro mais seja demitido. Unindo forças com outras categorias para que seja possível enfrentar a crise sanitária e a crise política, e as crises econômica e social que se avizinham.
Para isso, será necessário construir uma força independente da patronal e dos governos no chão de fábrica, junto à saúde, educação, petroleiros e outros que se colocaram ou se coloquem em luta no próximo período, pois os trabalhadores que tudo produzem tem o poder de mudar as estruturas quando organizados.

Nesse cenário, será preciso retomar os sindicatos para as mãos dos trabalhadores, pois são importantes instrumentos de luta que devem estar a serviço dos interesses da classe e não de privilégios de poucos e conciliações com a patronal que segue atacando os direitos dos trabalhadores.

Nós do Esquerda Diário e do Movimento Nossa Classe viemos levantando durante toda a pandemia a necessidade da proibição das demissões e defendemos a reconversão da indústria metalúrgica e automotiva, sob controle dos trabalhadores, para a produção de respiradores. Para os desempregados, reivindicamos um auxílio emergencial de dois mil reais ao menos, para que as famílias não fiquem desamparadas.

Nos solidarizamos com os companheiros demitidos nesse momento difícil e nos colocamos a disposição para denúncias, relatos e para todo tipo de organização contra os que querem retirar direitos.




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