VAZA JATO

Com ameaça de prisão, Bolsonaro ataca liberdade de imprensa e Glenn Greenwald

Nesta segunda, 29, o presidente afirmou esperar que a Polícia Federal possa encontrar formas de criminalizar a atividade do jornalista; no sábado ele já havia sugerido que Glenn poderia “pegar uma cana” no Brasil.

terça-feira 30 de julho| Edição do dia

Se ainda é difícil prever os capítulos finais do imbróglio que se tornou a situação do Ministro Sérgio Moro, da operação Lava Jato e a série de vazamentos de conversas conhecidas como “Vaza-Jato” pelo jornal The Intercept Brasil, e da investigação a partir da prisão dos supostos hackers de Araraquara, uma coisa já está clara, a aposta do governo Bolsonaro é se valer do caso para seguir aprofundando seu autoritarismo e bonapartismo.

Na segunda-feira, o presidente Jair Bolsonaro voltou a falar em seu desejo de que o jornalista Glenn Greenwald seja preso. "Eu estou achando que, no meu entender, ele cometeu um crime porque em outro país ele estaria já numa outra situação. Espero que a Polícia Federal chegue, ligue realmente todos os pontos. No meu entender isso teve transações pecuniárias. E pelo que tudo indica a intenção é sempre atingir a Lava Jato, atingir o [ministro] Sergio Moro, a minha pessoa, tentar e desqualificar e desgastar. Invasão de telefone é crime, ponto final", afirmou a Folha de São Paulo. Seria uma insinuação de que caberia então a Polícia Federal forjar provas para criminalizar o jornalista por ter cometido o “crime” de desgastar o governo e a Lava Jato?

Na sexta-feira o Ministro Sergio Moro tratou de lançar uma medida autoritária contra estrangeiros no país, imediatamente associada pela opinião pública como uma ameaça ao jornalista americano que vive no Brasil, no sábado Bolsonaro alegou que a medida não se aplicaria a Glenn. Porém, também atacou: “Ele [Glenn] não se encaixa na portaria. Até porque ele é casado com outro homem e tem meninos adotados no Brasil. Malandro, malandro, para evitar um problema desse, casa com outro malandro e adota criança no Brasil. Esse é o problema que nós temos. Ele não vai embora, pode ficar tranquilo. Talvez pegue uma cana aqui no Brasil, não vai pegar lá fora não”, afirmou em entrevista coletiva noticiada por toda a grande mídia.

O jornalista rebateu os ataques em seu Twitter. Sobre a ameaça de prisão, afirmou: “Ao contrário dos desejos de Bolsonaro, ele não é (ainda) um ditador. Ele não tem o poder de ordenar pessoas presas. Ainda existem tribunais em funcionamento. Para prender alguém, tem que apresentar provas para um tribunal que eles cometeram um crime. Essa evidência não existe”.

Como um evidente ataque à liberdade de imprensa, as ameaças do presidente tem gerado reações de associações de imprensa como a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) e a ABI (Associação Brasileira de Imprensa), e outros veículos de imprensa e comunicação. Ainda em junho, um setor de criminalistas e jornalistas também começou a se mobilizar em um grupo chamado Liberdade de Imprensa que se colocou em apoio a Glenn e seu advogado de defesa, Nilo Batista.

No entanto, embora os ataques as liberdades democráticas sejam uma marca desse governo e sirvam de exemplos concretos dos avanços autoritários no regime, a indignação contra esses ataques não pode ficar no plano jurídico e midiático, controlado por figuras progressistas que seguem em vão separando as lutas contra os “excessos” e “loucuras” de Bolsonaro e Moro dos ataques aos trabalhadores, como a Reforma Trabalhista, as privatizações e os cortes na Educação e na saúde. É preciso que toda a indignação contra a lama da Lava Jato e os métodos absurdos de Moro e os ataques de Bolsonaro sirvam de combustível para a juventude e os trabalhadores se organizarem e enfrentarem o conjunto deste governo.




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