Política

MULHERES MÉXICO

Com a força das mulheres: Lutamos em defesa da educação pública e contra a violência patriarcal!

O ataque de batedores de 3 de setembro despertou a indignação estudantil. Nós mulheres estudantes e universitárias nos colocamos a frente das assembleias, das greves e mobilizações massivas junto a nossos companheiros, para repudiar o ataque dirigido desde a Reitoria e exigir a democratização de nossas escolas e universidades. Mas esta força tem que ir por muito mais.

Pão e Rosas

@Pao_e_Rosas

terça-feira 18 de setembro| Edição do dia

A indignação pelo ataque de grupos de choque ou batedores também é a indignação por mais de uma década de agravos contra a juventude. Temos crescidos sob a “Guerra versus o Narcotráfico”, os desaparecidos, o assassinato de lutadores sociais e jornalistas, o aumento da violência contra as mulheres, a criminalização do direito de decidir, o feminicídio e os crimes de ódio, o desemprego, a precarização da vida, com milhares de jovens excluídos da educação superior. Querem nos arrancar o futuro.

Diante deste duro panorama e com a emergência de um novo movimento juvenil, é necessário ir mais além das demandas estudantis. Desde a agrupação de mulheres Pan y Rosas México (organização internacional, irmã do Pão e Rosas Brasil) colocamos todos nossas esforços para que este movimento se desenvolva e se fortaleça, por isso consideramos que:

Em primeiro lugar que o movimento mantenha sua independência política dos partidos do regime e o Estado, que nos últimos anos temos comprovado que são responsáveis pela violência, as desaparições e a precarização da vida. Como com os 43 estudantes de Ayotzinapa, insistimos #FoiOEstado.

Em segundo lugar que a tomada de decisões dentro do movimento seja o mais democrática possível, para nós deve ser: integrando a comunidade no conjunto, com assembleias tripartites (com trabalhadores, acadêmicos e estudantes) por meio de delegados rotativos e revogáveis com mandato de assembleia, com assembleias gerais públicas e abertas.

Em terceiro lugar achamos indispensável a unidade e incorporação de outros setores em luta, como as e os jovens que lutam por acesso à educação, as mães que lutam contra o feminicídio e os desaparecimentos, as mulheres que lutam pelo direito de decidir, os povos que lutam contra os despejos, as e os trabalhadores que lutam por seus direitos, como as e os jornalistas de San Quitín, que já saudaram e se pronunciaram a favor deste movimento. Da mesma maneira é muito importante a unidade com o magistério dissidente, nas ruas e com estes setores está a força vital que o movimento tem que aproveitar.

Pelo direito de decidir e contra a violência patriarcal

Desde o movimento estudantil também expressamos a raiva que nos causa e que estamos fartas da perpetuação da violência patriarcal nos espaços educativos e universitários. Diante das terríveis condições que enfrentamos no cotidiano, denunciando que as autoridades minimizam os casos de estupro e abuso sexual dentro das escolas, e também criam obstáculos para as investigações em casos de violação, desaparecimento e até feminicídios de companheiras, como fizeram com Miranda e Lesvy. Nossa universidade também reflete a situação do país.

Frente ao panorama de impunidade, frente ao feminicídio, o aumento da violência contra as mulheres, a repressão às lutadoras sociais, a criminalização de nosso direito de decidir e os crimes de ódio, consideramos indispensável que saiamos unitariamente nas ruas. Por isso propomos que o movimento estudantil abrace as seguintes demandas: a luta contra a violência às mulheres, destituição, julgamento e punição aos juízes e autoridades cúmplices da impunidade diante do feminicídio. Por comissões independentes integradas por lutadoras sociais, personalidades de direitos humanos e familiares das vítimas. Pela desmilitarização do país. Basta de ataques e assédio às e aos jornalistas e lutadoras sociais, assim como contra a tortura sexual e pela separação efetiva entre a Igreja e o Estado. Pelo direito de decidir das mulheres. Pelos direitos da comunidade LGBT, esclarecimento e punição aos crimes de ódio!

E neste 28 de setembro que o movimento retome como Jornada de Luta o Dia Internacional pelo Direito ao Aborto, que todas e todos os estudantes levante seu lenço verde pelo direito de decidir. Justiça à Mariana Lima, Miranda Mendoza e Lesvy Berlín!

Desde o Pan y Rosas México, partimos de uma definição fundamental: a violência patriarcal e a opressão d3 gênero são condição estrutural da sociedade de classes que vivemos. O Estado e suas instituições são os principais responsáveis pela reprodução material e ideológica da violência patriarcal contra as mulheres. E desde esse ponto de vista consideramos que temos que enfrentá-la.

Nossa perspectiva é anticapitalista e revolucionária, é pela emancipação das mulheres e do conjunto da humanidade. Lutamos para acabar com a divisão entre fileiras de mulheres e homens que o patriarcado faz, para impulsionar um potente movimento de mulheres combativo e independente do Estado. Para que o movimento estudantil retome as melhores lições de auto-organização e de unidade entre estudantes e trabalhadores,levantando como própria a bandeira contra os feminicídios e a violência patriarcal.

Te convidamos a se somar e se organizar com o Pão e Rosas em seu local de estudo e de trabalho.




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