CORONAVÍRUS

Com a Força Nacional, Moro e Mandetta garantem repressão em vez de testes massivos

Após boas semanas omisso, Sérgio Moro decidiu ressurgir com suas medidas autoritárias disponibilizando o uso da Força Nacional pelo Ministério da Saúde. Com a precarização do SUS de anos anteriores, somado ao diagnóstico do ministro da Saúde, Mandetta, sobre o iminente colapso do SUS para as próximas semanas, o governo já se prepara o controle e repressão dos trabalhadores com os poderes armados do Estado.

terça-feira 31 de março| Edição do dia

Enquanto o governo mantém só promessas, sem prazo e fornecedores, de milhões de testes, Sérgio Moro dá indícios, como apontam alguns analistas, de aproximações com Mandetta e um afastamento de Bolsonaro, com quem o super ex-juiz já vinha entrando em certos conflitos. Mas esse “bloco” que surge dentro do Governo que supostamente se forma para conciliar as posições de Bolsonaro com os governadores e Câmara, compartilha da mesma essência autoritária e repressora que o ex-capitão.

Exemplo disso é a autorização de Sérgio Moro para que o ministério da Saúde utilize, quando e assim que precisar, a violência do Estado para conter possíveis situações “caóticas” com o já diagnosticado colapso do sistema de saúde e o desamparo da população que não vê nem seus salários e direitos garantidos pela demagogia de Bolsonaro com a economia ou sua saúde preservada com as quarentenas cegas sem o auxílio de testes massivos dos governadores.

Sérgio Moro deixou claro e literal as intenções de sua aproximação com Mandetta. Dá seu braço armado para o colega, no caso da necessidade de "aplicação das medidas coercitivas [com efeito de reprimir]". De acordo com o texto, a Força Nacional poderá participar de ações de prevenção ou proteção de locais para a realização de testes rápidos pelo governo, assim como a patrulha e guarda ostensiva para evitar saques e vandalismo.

A militarização das medidas do governo são para gerir a pandemia e não combatê-la, preparam-se, pelo contrário, para combater as revoltas sociais que calculam Sérgio Moro e os generais do governo. Pretendem dar, com uma mão, a repressão como “auxílio’ para o colapso do sistema de saúde e a ausência de testes massivos, com a outra mão desejam manter quarentenas sem condições de ter efetividade, num país com 31 milhões de pessoas sem água potável, se não bastasse o próprio presidente clamando junto a seus amigos empresários e pastores para que a classe trabalhadora volte a gerar os lucros pelo bem das economias do patrão, embora tenha cedido com o pequeno e insuficiente auxílio de 600 reais.

A portaria prevê a militarização das medidas do ministério da Saúde através o suposto “auxílio” das Forças Nacionais, os objetivos ditos conforme expressa nota do G1, estão abaixo, mas os objetivos políticos de fundo se fundamentam na repressão diante do caos e da revolta com o colapso do sistema de saúde e acesso da população pobre e trabalhadora à insumos necessários:

- “auxíliar” profissionais de saúde nos atendimentos relacionados ao novo coronavírus.

- dar segurança no funcionamento de centros de saúde (hospitais, UPAs, etc)

- garantir segurança na distribuição e armazenamento de itens médicos, farmacêuticos, alimentícios e de higiene

- garantia da segurança e auxílio no controle sanitário realizado em portos, aeroportos, rodovias e centros urbanos

Tradução: reprimir e conter possíveis civis ‘descontrolados” com o colapso do sistema de saúde.

Não é o braço armado que auxiliará o combate da pandemia, já que é impossível matar seres microscópios com balas de fuzil, ao contrário de pessoas desesperadas por atendimento médico, passíveis de serem reprimidas e sofrerem, com a “força da lei” da era do golpe institucional, os efeitos do descaso que sofre.

O auxílio aos profissionais de saúde deve ser a garantia de testes massivos para que estes não trabalhem às cegas de dados necessários para se ter noção do desenvolvimento da pandemia e consequentemente, a quantidade de equipamentos de proteção e a contratação de mais trabalhadores necessária para que se preparem para o salto da curva de infectados; a segurança do SUS deve ser garantida com a disponibilização de verba para recuperar e aumentar toda a estrutura do SUS, que pode vir dos R$ 272 bilhões se as grandes fortunas fossem taxadas; o controle do sistema de saúde deve ser feito não por Mandetta que só gerencia a crise, e sim pelos próprios trabalhadores da saúde que tenham um sistema privado centralizado ao SUS e tornado público para de fato proteger o máximo de vidas. Por trás da proteção da distribuição dos escassos insumos e equipamentos, está a irracionalidade da produção capitalista e seu Estado que não garante o foco de seus complexos industriais para a fabricação de tudo que é essencial, da alimentação, à máscaras e respiradores, aí também devem ser os trabalhadores que garantam a produção voltada para o combate da pandemia.

É a classe trabalhadora quem pode não só auxiliar mas dar a resposta de conjunto para a crise sanitária e econômica, já vêm sendo mostrando mundialmente a dependência umbilical dos capitalistas com os trabalhadores que são os que produzem toda riqueza do mundo. Estes estão sendo obrigados a continuar a produzir para os lucros dos patrões, e não para o combate da pandemia, da mesma maneira que são os profissionais da saúde um dos mais atingidos pelas faltas de condições de proteção e trabalho. Para resolver este problema é preciso lutar pelo controle do trabalho e da produção pelos próprios trabalhadores.

Saiba mais: Governo continua a anunciar milhões de testes que não existem




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