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GOVERNO TEMER

Com Temer, aumento para polícia e juíz sim; para educação e saúde, jamais

Mais uma votação do Congresso Nacional desnuda o projeto do governo golpista para o país. Em menos de um dia depois da aprovação da PEC 241, a câmara aprovou aumento de até 37% para cinco categorias do serviço público federal; dentre elas, o braço armado do judiciário: a Polícia Federal.

quarta-feira 26 de outubro| Edição do dia

Lembra do “japonês da Federal”? Aquele policial federal que foi preso por corrupção? Pois é. A fama deste senhor possibilitou que mais pessoas conhecessem um dos papeis da polícia federal: o de repressão, dentre outras, a infrações julgadas pelo judiciário do Estado. Mas também ficou famoso por ter sido considerado o “herói anticorrupção”, que na realidade abocanhou um pedaço do bolo da troca de favores entre os políticos e contrabandistas.

Pois bem. Agora, com a nova votação desse aumento enorme, o acordo entre governo e PF está se dando através da lei. O custo deste para as contas públicas, de acordo com o próprio governo, será de mais de R$ 2 bilhões em 2017, R$ 548,2 milhões em 2018 e R$546,6 milhões em 2019. Justamente num momento em que o governo federal aprofunda, alegando crise econômica, o corte de gastos sem precedentes, previsto por vinte anos, nas áreas da saúde e educação, com a PEC 241.

Inclusive, calculando esse “empecilho”, vários deputados alardearam a necessidade de votar esse projeto de aumento antes que a PEC fosse aprovada, com medo de que esta medida inviabilizasse aquela. Nas palavras do ex-policial federal e hoje deputado Aluísio Mendes (PTN-MA), “Há controvérsia em relação aos efeitos da PEC do teto e por isso o esforço será para aprovar este projeto antes da promulgação da emenda”. O que está claro é que estes já têm todos os acordos garantidos.

Em tempos de Lava-Jato e judiciário dando as cartas arbitrariamente para defender os interesses dos golpistas a serviço da burguesia nacional e internacional, tanto juízes quanto seus braços armados têm a garantia de uma remuneração gorda e estável para continuarem no mesmo time de Temer. Não só isso, a medida é também para garantir que a repressão de conjunto continuará funcionando de acordo com as necessidades destes, num momento de cada vez maior probabilidade de instabilidade social e lutas abertas em todo o país.

As outras categorias beneficiadas também entram no mesmo plano do governo. São a Polícia Rodoviária Federal (controle de circulação nos estados e das fronteiras) e o Perito Federal Agrário (controle das terras e imóveis rurais, bem como trato com “infratores”). Cada vez mais “segurança” para os latifundiários e empresários.

Ou seja, vemos que o projeto do governo golpista é de aprofundar ainda mais o caráter repressivo do Estado contra os que se opuserem aos planos do governo, e de beneficiar aqueles que trabalhem lado a lado dele. Ao mesmo tempo em que os serviços que realmente são necessários à população trabalhadora, como a saúde e a educação, são eliminados cada vez mais das atribuições do Estado, excluindo assim a própria ideia de direito social em torno dessas necessidades básicas. Ao juiz e ao policial, tudo; ao professor e aos trabalhadores do SUS, cada vez mais um grande nada.

É exatamente por isso que a resposta começa e só aumenta: mais de mil escolas e universidades já estão ocupadas em todo o país. A juventude mostra o caminho contra os golpistas e seus “amiguinhos” do plantão da repressão. Por isso, é fundamental que se some a esta força a classe trabalhadora. A CUT e a CTB devem sair da profunda trégua (à espera de 2018 para eleger de novo o PT) para organizar de fato a resistência na luta de trabalhadores aliados à juventude.




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